sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Zuckerberg é aluno de faculdade paraguaia
Faz um tempinho que facul utiliza qualquer coisa para garantir matrículas. A melhor que eu já vi era Ganhe um celular no ato da matrícula (quase fiz a minha, na hora!). Depois, veio a utilização da imagem de cantores, atores, apresentadores ou infracelebridades para a publicidade.
Não sei bem qual é a mensagem, mas talvez imagine-se que o vivente espie um outdoor e fique matutando: “Pô... a Sandy tá no cartaz dessa facul aê. Curto o som da Sandy, então, vou estudar lá...” Deve ser um jeito de apelar às referências do coração dos futuros alunos. Bom, se tivesse facul que pusesse a imagem do Peréio na publicidade, eu até cogitaria uma nova formação.
Não sei bem qual é a mensagem, mas talvez imagine-se que o vivente espie um outdoor e fique matutando: “Pô... a Sandy tá no cartaz dessa facul aê. Curto o som da Sandy, então, vou estudar lá...” Deve ser um jeito de apelar às referências do coração dos futuros alunos. Bom, se tivesse facul que pusesse a imagem do Peréio na publicidade, eu até cogitaria uma nova formação.
Mas tudo isso é coisa pra principante. Manézix me enviou esta há pouco: no Paraguai, não hesitaram em colocar o Zuckerberg – sim, o do Facebook! – na publicidade de uma tal Unigran (Universidad Gran Asunción). Largaram um toscoshop na praca e estamos conversados!
Eu me inscreveria... só pelo “desgoverno rústico” da ideia!
FONTE: GIGABLOG; BIO-BIO.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
O que você me oferece por R$ 5,00? E por R$ 114 mil?

Fiquei sabendo há pouco de um site chamado Cidade dos bicos. Ali, você pode oferecer qualquer serviço por R$ 5,00 ou por R$ 10,00. Tem quem se ofereça para organizar currículos; fazer pequenas traduções, confeccionar adesivos; fazer companhia no cinema; ouvir desabafos pelo msn; dar conselhos profissionais e sentimentais; dicas de sites, filmes e livros; fazer a sua lição de casa; corrigir pequenos textos; levar os cachorros para passear; tem um tipo que se oferece para ser seu guru pessoal; outra que se oferece para xingar seu ex pelo telefone, e por aí vai. Mas cada “contrato” só pode ter um desses dois valores. Paga-se com cartão de crédito. |Integra da matéria na Folha on line aqui|
Na mesma lógica do bico, parlamentares se dão aumentos salariais e permitem que suplentes se beneficiem de uma graninha aê no final do ano.
Por um mês sem trabalho, um grupo de suplentes de deputado federal terá o que comemorar. Na reta final do mandato, pelo menos 13 suplentes terão direito de assumir o cargo, receber o salário de janeiro, usar verba indenizatória e usufruir de auxílio moradia. Detalhe: nenhum precisará trabalhar.
O gasto com as férias de cada um dos suplentes poderá chegar a R$ 114 mil se eles usarem todo o pacote a que têm direito. O pacote de fim de ano traz salário de R$ 16,5 mil, verba indenizatória que varia de R$ 23 mil a R$ 34 mil e verba de gabinete de R$ 60 mil. O suplente que não usar o apartamento funcional terá auxílio-moradia de R$ 3 mil. |Íntegra da matéria no DC aqui.|
Qual é o bico dessa caterva? Decidir a sua vida, oras! Se você terá acesso a serviços públicos de qualidade ou se não terá acesso a bosta nenhuma, mesmo pagando impostos. É esse o bico, afinal, a palavra não se refere à remuneração; define apenas serviço de pouca importância, simples e rápido (DICIONÁRIO ELETRÔNICO HOUAISS 3.0) .
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Está sem assunto? Chame um profissional!
Li uma matéria sobre mídias digitais indoors e out of home. Ou seja, publicidade em televisões instaladas em aeroportos e bares, por exemplo. E um sujeito chamado Rafael Cordeiro garante que é coisa de ponta, último grito na era da comunicação, coisa pra mudar o mundo. Ele explica pra que serve tanta inovação:
Não é uma maravilha?! A partir de agora, você, pessoa estúpida, totalmente fora do circuito marqueteiro, poderá ter assunto para compartilhar com seus amigos em mesa de bar! Sensacional, não? Eu não vejo a hora de poder testar a novidade, tão essencial, e imaginar que o mundo ao meu redor é um grande Facebook.
Chega de discutir sobre política, cinema, futebol, trabalho, relações e bobagens afins. Deixemos que um profissional-de-mídia-indoors indique os temas das nossas conversas – sinérgicos, proativos e globalizados, obviamente. Vamos estar focando nesta inovação, galeraaaaaaa! U-huuuuuuu!
Valeu mesmo, Rafael! Já me sinto pessoa supergracinha e totalmente up to date só de conhecer essa ideia. Meu próximo passo será a aplicação de botox... no cérebro, pra ver se paralisa o raciocínio.
sábado, 25 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Para a última hora
A postagem de utilidade pública da vez destina-se a ajudar quem ainda não comprou os presentes de Natal e estará com a cabeça a prêmio, caso não o faça – além do que, sempre haverá a chance de aparecer na reportagem sobre compras na última hora. Como ganhar livros é uma maravilha, aí vão algumas sugestões desgovernadas, inspiradas no presente que um amigo ganhou nesta semana...
Então... nada denota tanto bom gosto quanto um romance escrito “para rico” e por Verão Fischer, né não? O importante não é tema, não é estilo. Importante é ter marqueteiro que saiba criar polêmica cafona.
Uma dúvida, antes de tudo: alguém compareceu a este “evento”? Mandem fotos e relatos aqui para o Trator, sim?
É necessário ir aos poucos, principalmente se você é iniciante no assunto. Vá aprendendo...
... para, aí sim, passar a estágios mais avançados (pelo abatimento no valor final da bomba do produto, é bom negócio já comprar os dois).
Livros para colorir e recortar sempre são uma boa opção.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O buraco no muro
Reportagem de Rory O'Connor (2002) sobre crianças indianas e o acesso à internet através de uma experiência chamada O buraco no muro. Vale a pena parar 8 minutinhos pra ver.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Um bom dia a todos!
Sabem como é... terça-feira; músicas de natal na harpa invadindo as orelhas; promoçã de panetone; engarrafamento de SUVs em tudo o que é canto; calor sem fim. Apesar disso, você precisa começar bem o dia, e a primeira refeição – fato cientificamente comprovado – é a mais importante que há. Portanto, na sua rotina matinal, não prive seu organismo do necessário para encarar o perrengue cotidiano. Uma mensagem de utilidade pública do Trator Desgovernado / Divisão de saúde, bem-estar e feng-shui pitagórico.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Atentado gastronômico
Na onda das receitas novidadeiras de final de ano, tomei um susto quando vi esta...
... por vários motivos. Primeiro, porque uma das piadas paternas mais recorrentes, até hoje, é a clássica e infame é pavê ou p'a comê?. O homem foi à Lua, houve a crise do petróleo, a Guerra Irã/Iraque, o movimento pelas Diretas Já, o acidente em Chernobil, a Guerra do Golfo, o Fora Collor, o 11 de Setembro, Lula Presidente etcetera, mas a piadinha do pavê permaneceu, imutável, bastião das tradições familiares, coisa de Nelson Rodrigues.
Segundo, porque suspiro é coisa que não me anima nem um pouco. Gostava quando era criança, e tenho uma lembrança de suspiros coloridos com a mais pura anilina que já se fabricou. Havia amarelinhos, verdinhos, azuizinhos, rosinhas e brancos. Cinzinha talvez... ou deliro? Cito no diminutivo, pois eram cores bem clarinhas, do tipo sapatinho de bebê. Por cima, umas bolinhas prateadas para enfeitar (não duvidaria nada se me dissessem que eram de mercúrio). Também havia os bem brancos, em formato de gotas rococó, com um aroma bem peculiar – não sei se chegavam a viciar, mas batiam de algum jeito. Ingeri quilos de suspiro, até não poder mais. Depois que cresci, parei de gostar.
Bom, e o terceiro motivo é o figo. Só gosto de figo in natura e olhe lá!
Na casa da minha avó tinha uma figueira. De resto, eu só tinha contato com temíveis figos em calda. Tenho um pavor danado de qualquer fruta em calda, fujo como da peste! Mas o caso do figo é pior. Se me dessem como opção comer figos em calda ou encontrar os Borg, a dúvida ia me consumir.
Mas não é só isso! Havia uma tia-avó que fazia um raio de uma compota, um doce, sei lá o que era aquilo, mas era de figo. Claro. E todas as vezes em que íamos lá, ela servia aqueles figos à moda do inferno. Tenho clara na memória uma substância esverdeada servida em tacinhas, a qual não tínhamos o direito de recusar, era falta de educação, afinal, a tia-avó a fazia com tanto carinho – e devia produzir aquilo em escala industrial, pois o raio do doce sempre esteve lá, por muitos e muitos anos. Acho que ela tinha uma plantation de figos, pois não é possível que uma mísera árvore produzisse tantas frutas. O contato daquela substância com a mucosa bucal provocava uma reação esquisitíssima, como se fosse um arrepio no céu na boca. Mesmo que você engolisse aquela matéria suspeita, a sensação permanecia, se alastrava e piorava. Só de lembrar, me dá vontade de encher a boca com sal.
Isso posto, pra mim, a receita acima é verdadeiro atentado terrorista. Um susto e uma corrida!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Hubble
Bola de gás na Grande Nuvem de Magalhães, resultante da explosão de uma supernova. 23 anos-luz de diâmetro e expandindo-se a mais de 18 milhões de quilômetros por hora.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Dos espadas e das lâminas
Em tempos de metrossexualismo, com toda a variedade de productos para o homem contemporâneo que lava, passa, limpa, cozinha e se arruma que é uma beleza, alguns textos publicitários do século passado saltam aos olhos. Por outro lado, agradam a ala retrossexual, que tenta resgatar o cabra-macho-pra-caralho que existe em cada um dos moçoilos por aí. Algo como libere seu lado Clint Eastwood, fique parecendo o Javier Bardem e largue mão de frescura, homem! – nada a ver com homofobia, afinal, dizia um amigo meu, “sujeito tem que ser muito macho pra ser viado”.
Adoro esta publicidade da Gillette, final dos anos 60/início dos 70, “protagonizada” pelo time do Cruzeiro, cujos integrantes – informa o texto – usaram a mesma lâmina para fazer as respectivas barbas. Superinoxidável era outra história, né? E higiene não era empecilho para o que quer que fosse, oras!
O destaque é o Tostão, claro, que afirma: “a lâmina estava tão suave, que se eu não soubesse que era o último, ia pensar que era o primeiro. Lâmina boa taí, já fêz 14... mas vai fazer muito mais!”
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Cassandra reloaded – especial de Natal
O tempo virou aqui pelo súli e os 17º com vento do mar que uiva pelas janelas dá uma sensação térmica de... frio. Aberta a contagem regressiva para se ouvir comentários como “neste ano vai ter neve no Natal!”; “pelo menos, Papai Noel não vai estranhar muito” e toda esta espécie de coisas que vêm embaladas pelo dréin-dréin-dréin natalino das Lojas Americanas. Sério, eu-pensei-que-todo-mundo-fosse-filho-de-Papai-Noel na harpa só não é pior que Jeito Moleque e sertanejo universitário porque é tocada apenas no final do ano. Questão de recorrência, não de qualidade. Se bem que já toca há tempo suficiente pra garantir a ojeriza de muitas gerações.
Continuando, fenômeno que só precisa sentar e esperar, porque certamente vem, é o raio do amigo secreto. Seguido de perto pelos comentários de quem odeia o amigo secreto. O que, aliás, tá virando modinha! Mas o que é isso? Não respeitam mais quem tem tradição no ódio à prática! E que fique bem explicado, não odeio quem gosta de entrar no fervo, apenas quando me incluem na brincadeira achando superdivertido o fato de eu estar rosnando e detestando a ideia. Felizmente, há 4 anos entenderam meu perrengue. Mas minha última participação foi em grande estilo, dentro da universidade e por duas vezes! Porque aaaaahhh, ela diz que não currrrrtchi, mas no fundo acha legal... Coquetel molotov e torpedo fotônico eu também acho bem legais. Vamos organizar um inimigo declarado? Êêêêêê!Mas ultimamente, mais que a loucura gerada pela caça ao vale-presente, ao perfume do Boticário e ao vasinho de violeta para o a.s., me deixam assaz e deveras as receitas culinárias para o Natal que pululam em todos os sites e se projetam pra cima de você: pratos como lombo de porco caipira recheado com marrecos do papo amarelo e carne moída búlgara, cerejas trufadas de chocolate malaio com calda de carambolas selvagens do Liechtenstein, juntamente com o vinho de urtiga real de Trás-os-Montes. Não conhecem? Pobres! Incultos e cafonas!
Ao lado destas maravilhosas experiências da CIA culinárias, as receitinhas para quem aposta em pratos light mas não menos saborosos (Sandra Anemberg mandou lembranças), como a cabeça de repolho recheada com vagens selvagens do Himalaia e o pudim de beterrabas com calda de chuchu – é sempre importante garantir o toque exótico com qualquer coisa que seja “selvagem”; como é dia de festa, a água com gás está liberada, mas, no dia seguinte, capriche nos dez exercícios básicos (listados ao lado das receitas) necessários para se recuperar de toda esta loucura gastronômica, hein?! Aproveite e treine para a São Silvestre (e acabe com a paciência de quem está em volta contando detalhes totalmente desinteressantes sobre sua preparação física).
As reportagens “num shopping da cidade” destacarão o Fulano de Tal, obrigado a carregar as sacolas da mulher corredores afora, assim como quem deixou para a última hora
Até aí, é ponto pacífico e não tem como mudar. É esperar passar e que passe o mais rápido possível. Mas o problema é que já começam a chover os emails e comentários – grudados a exclamações sofridas – sobre a depressão que as festas de final de ano trazem, por quaisquer que sejam os motivos. Assim sendo, antecipando a tendência, tenho um conselho: se é assim, não vá! Não participe! Se tudo se torna tão depressivo, escolha um bom filme, abra um vinho, uma cerveja, uma vodka, uma gasosa Cini Gengibirra, qualquer coisa, e espere o furdunço passar. Os astros não estarão em alinhamento alfa-beta-gama, nem mandando energias aos terráqueos de boa vontade. A Terra não sairá do eixo e nem maldições se apossarão do seu futuro. Tá?!Prevejo o de sempre, mas dá pra aliviar a previsibilidade, né? Finja que é Dia da Árvore e relaxe! Sempre pode ficar pior...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Classificados
VENDO diploma de doutorado obtido em Universidade Federal, assim como a possibilidade de adicionar o título Dra./Dr. ao próprio nome. Possui 1 ano e 2 meses e está em ótimo estado, pois jamais foi utilizado. É passível de test-drive. Aceitam-se propostas para alugueis de temporada, trocas ou o que for. Interessados ou os que desejarem mais informações podem entrar em contato através deste blog. Área de ciências humanas.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Adaptações musicais
Falando na pajelança da sexta, Grande Irmão Giou conseguiu transformar a Terra da Maria, de Roberto Leal, em funk/pancadão. Ficou a côsa másh quirida. Em breve, disponível em mp3 e DVD, tá?
E aí, na mesma linha, lembrei de uma antiga postagem gramophonica aqui do Trator, sobre uma concepção muito peculiar de samba. Vai aí o replay:
Tony Holiday – Tanze Samba mit mir (Sambe comigo), 1977
O que é mais impressionante?
* O conceito de samba, que inclui mariachis e percussão bávara?
* O arranjo capilar de Tony Holiday?
* Os sapatos de salto vermelhos? (quedêlhe o Papa, que ainda não adotou um par destes?)
* As dançarinas tentando encaixar uma coreografia qualquer nesta obra-prima musical?
* O samba no pé do vocalista?
Bom, sempre dá pra particar o alemão, né? AHAHAHAH! Vai aí! Liebe, Liebe, Liebelei / Morgen ist sie vielleicht vorbei / Tanze Samba mit mir / Samba, Samba die ganze Nacht.
O que nasceu pra 'barzinho' jamais será boteco
Na sexta, decidimos variar a pajelança, num boteco arrumadinho chamado Conversa Fiada, em Coqueiros, Florianópolis. Aliás, boteco coisa nenhuma, pois o estabelecimento tem que fazer por merecer a denominação. Boteco que se preza é o Iega, por exemplo, com seus garçons ótimos, de branco e preto, e as mesas de plástico vermelho. Cheers!
O local ao qual fomos merece ser chamado de barzinho. Me perdoem os que utilizam a denominação, mas eu tenho implicâncias com ela, desde tempos imemoriais. Enfim, passemos à análise socioeconomica, cultural e antropológica. Coisa que, pra mim, faz perder pontos: caipira com Sagatiba... Fáfavô, né? Caipira aguada e, não bastasse, decorada com meio morango espetado numa rodela de limão. Oi?! Quedêlhe a caipira de cachaça de verdade, digna?
Cada pedido levou em média 20 minutos para chegar à mesa (mesmo a cerveja). Entre o momento em que pedimos a conta e o momento em que conseguimos pagá-la – indo ao balcão, já que nem quando quisemos pagar fomos atendidos – levamos mais de 1h. 1h esperando a conta é de lascar! O motivo: "Sexta é assim mesmo", nos informaram enquanto pagávamos, sem ao menos um contato visual. As duas pessoas atrás do balcão contavam suas notas e acumulavam as comandas que choviam desorganizadas. Só.
Bom, sem problemas. Lugar para uma vez apenas e nunca mais.
Meramente ilustrativo, mas não menos ruim que o descrito acima...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Mulher, tenha modos!
Eu cá não sou daquelas raivosas que querem acender uma pira com números da Playboy ou que creem que publicidade de lingerie é responsável pela violência contra mulher. Odeio o papo de “isso é coisa de homem” ou “homem é tudo igual”. Amigos me falam de seus perrengues relacionais assim como amigas; me contam piadas e toda a sorte de comentários sem que eu me ofenda por isso. Me ofendem pessoas sem noção, essas sim, e sabemos que as há, de ambos os sexos.

Falando em feminismos e em falta de noção, houve um tempo em que mulher que insistisse em votar, por exemplo, ia pra presídio de segurança máxima. Algemadas a grades ou com tubos de metal enfiados garganta abaixo para alimentação forçada, deviam aprender que mulher não veio ao mundo pra pensar.
Na Guerra Civil Espanhola, mulheres lutaram ao lado de homens, até que alguns destes decidiram que era necessário organizar a luta, que se não, virava bagunça. Assim, concluíram que mulher não precisava participar tanto. Deveriam ajudar atrás das linhas – afinal, sempre tem uma muda de roupa ou um panelão esperando pela “sensibilidade feminina”, né mesmo?
No tãããão decantado Maio de 68 parisiense, grupos de mulheres passaram a ser reunir à parte, por conta do comportamento pra lá de tradicional, ou melhor, neanderthal, de muitos de seus coleguinhas. Alunos de ciências sociais "estudados & lidos”, por exemplo, não hesitaram em meter o pé na porta das reuniões de suas colegas – não é uma metáfora, arrombavam portas fechadas em nome do “é proibido proibir”...
Sutiãs foram queimados, Camille Paglia encheu a paciência do mundo e por aí fomos. Quero dizer que já vai mais de um século de debates e lutas, que o tema não é novidade. Há mulheres à frente de cargos decisórios no mundo inteiro, assim como ainda há as que são apedrejadas em nome de preceitos religiosos misóginos e criminosos.
No cinema, também me incomodam muito filmes com a maravilhosa Sophia Loren, enaltecidos aos 4 ventos, nos quais o elenco inteiro desce a mão nela. Aliás, nunca vi atriz que apanhasse tanto na tela quanto Sophia Loren, AHAHAHAH! Sei lá, vai ver que aquela “gostosura” toda assustava os diretores... O mesmo com Marlène Jobert no cult O passageiro da chuva. Já ouvi (percebam o grau!) que eu não alcançava a beleza do exercício intelectual e da crítica à sociedade moderna que alguns filmes faziam – porque me senti incomodada com uma cena de estupro que durava uns 10 minutos mais ou menos. HAHAHAH! Me poupem, né?
Tem também a enganação da “ode à mulher verdadeira”, que assoma na publicidade, em programas de TV, filmes, livros etc. Eu não sou contra a “mulher verdadeira”, bem entendido, mas me dá dor de barriga a invenção desse produto e a “queda” de muitos e muitas na esparrela que se tenta emplacar. Vozes masculinas off tecendo loas às “mulheres intensas”, “bem-resolvidas”, “mulheres que amamos”, “todas elas” e blablabla, enquanto filmam-se modelos lindíssimas, com grandes closes em decotes, bundas e afins. Acharia mais honesto – e mais digno – que se louvassem as bundas de uma vez, oras! Que se elogiassem os peitos e pronto. Sem subterfúgios por medo de perder uma fatia de mercado, caso mulheres não se identifiquem com o producto ou a ideia que se tenta empurrar goela abaixo, disfarçada de reflexão filosófico-amorosa.
Me divirto comparando o palavrório sobre a “mulher intensa” e o que se mostra – vai saber se a dita cuja é intensa, o que se vê é que ela é linda. Às intensas realmente, geralmente se diz que são “demais”, no sentido de over, de excessivas. Muitas são chamadas de arrogantes e por aí vai. A intensa que se louva nos casos acima se resume àquele olhar permanente de “vem cá meu nego” e à boca que parece que nunca fecha – não por estar falando, obviamente. E o top do cafona nesta área, pra mim, é lascar frases de Simone de Beauvoir com imagens de adolescentes de 15 anos über maquiadas e produzidas; ou a tentativa de se ressaltar certo brilhantismo intelectual quando o que se quer mesmo é ver a moça no doce balanço a caminho do mar. Nada contra a moça lindíssima, repito, seja ela inteligente, burra, intensa ou insossa; tudo contra o blablablá de uma pseudo paixão universal pelas mulheres que, na verdade, é uma xavecada marqueteira daquelas, que circula em tudo o que meio de comunicação – e que faz suspirar inclusive donzelas sem noção, achando que aquele arrebatamento se refere a ela, pensando que a banda tocava pra ela... Tudo a favor dos poetas, só que marketing e publicidade não são poesia.
Da mesma forma, me dá uma gastura quem não consegue criticar uma mulher profissionalmente sem apelar para sua aparência ou vida pessoal. Hoje mesmo, deixei um comentário lá no Cangablog sobre o tema. E, mais um vez, minha implicância não é dirigida aos homens exclusivamente, pois a quantidade de mulheres que fazem isso é inacreditável.
E lendo o jornal, me deparei com a matéria:
E lendo o jornal, me deparei com a matéria:
A imagem que me vem à cabeça, depois do brilhante título, é a da presidente secando as mãos no avental, chegando à cerca e gritando: "Mulher! Ô, mulher! Vem aqui cuidar dos juros, anda!" Ah, por favor! Não tem nome, formação e profissão a tal mulher? Tudo o que a caracteriza é o fato de ser mulher? Sei lá, nunca vi uma matéria com o título "prefeito chama homem para cuidar de ônibus", no caso da nomeação de um secretário de transportes.
Ô, tristeza, viu? Abaixo a cafonice da mentalidade patriarcalista e colonial! De homens e de mulheres!
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Desgoverno gramophonico
Tô pensando em contratar um Pablo aqui para o Trator, depois que o Xkñ classificou meu gosto musical como cafonice berrante, HAHAHAHA! Ia ficar bacana, não? A cada postagem gramophonica, chama-se o Pablo para apresentá-la!
Variando sobre o mesmo tema, dia desses, o Cláudio me enviou imagens de capas de LPs do século passado. São tão sensacionais que dispensam a audição das músicas! Aliás, já pode baixar em mp3?
Wayne Newton caprichou no carão pra foto, mas não adiantou.
Certeza de que o designer desta aí tá respondendo processo até hoje.
Eu nem me atrevo a pensar sobre o estilo musical da dupla (ou trio).
O nome já me deixa sem palavras. TemçoTenso.
E tinha quem achasse Roberto Leal ruim!
Moçada que curtchia Paul Fincus e sua orquestra devia ingerir substâncias de uso exclusivo das Forças Armadas. Eles tomaram o que ia pra invasão da Baía dos Porcos. Era para happy occasions, oras.
Falando em occasions... Oi?! Como assim?
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
Estrelando
Tarde de sábado com atividades que geralmente deixamos para o meio da semana, incluindo ir ao supermercado. Coisa que me dá uma angústia existencial daquelas – mas sou uma pessoa controlada, melhor é ir de uma vez e encerrar a função. Poderia ser muito pior: shopping center! Aí, é de passar da crise de pânico ao Dia de fúria!
Ao menos, ir a dois é sempre melhor. E tem lá suas coisas engraçadas, a começar pelos anúncios que se ouvem de tempos em tempos. Da última vez em que fui ao supermercado, “a moça do microfone” anunciou, umas seis vezes no mínimo, que a sra. Fulana deveria ir buscar Diego, “no Cantinho das Estrelas.” Eu não sei onde estava a sra. Fulana, mãe de Diego, mas sei que o moleque deve ter passado quase uma hora no tal Cantinho das Estrelas.
E, claro, a primeira coisa que me veio à mente foi merda, né? Quando eu era bem criancinha, havia um programa espantoso chamado Almoço com as estrelas, acho que no canal do Seu Sílvio, não lembro ao certo. Sei que que era apresentado por Airton e Lolita Rodrigues; que rolava mesmo um almoço, havia mesas com toalhas brancas e arranjos florais assombrosos; e que entre uma maionese e uma farofa, sempre tinha um número musical, que podia ir de Odair José a Frenéticas.
Bom, fiquei imaginando as crianças extraviadas no supermercado metidas numa espécie de Minialmoço com as estrelas, todas num visual fim dos 70/início dos 80. E nessas, esqueço metade das coisas que queria comprar (mesmo com listinha em punho). Enfim, só sei que o Cantinho permanece em algum lugar misterioso daquele supermercado. No sábado, ouvi três vezes: “Atenção, sra. Cristina! Sua filha Jennifer está aguardando aqui no Cantinho das Estrelas...”. Pobre Jennifer (cuja grafia pode ser outra)! Além de ter o nome que tem, ainda fica esquecida no Cantinho das Estrelas do supermercado!
Pais, mães e responsáveis: sério! Depois que a criança sai de lá com um cabelo ventania e metida numa saia-calça marrom, aí não adianta querer botar na justiça, né?!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Dr. Dráuzio Varella
Trechos do texto Violência contra homossexuais, do dr. Dráuzio Varella, publicado na Folha de S. Paulo de hoje.
“A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare. Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.
Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele). Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.
(...)
Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.
(...)
A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira. Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.
Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade. Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.
Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.
Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?”
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Aracy de Almeida e Silvio Luiz: refrega de Titãs
Fragmento do programa Quem tem medo da verdade?. TV Record, 1970.
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