sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mundo é dos chatos

(clique nas imagens para aumentá-las)


Les bal de casse-pieds (O mundo é dos chatos)
1992. Dir.: Yves Robert

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Da série: Star Trek – direto ao ponto

.http://echosphere.net/star_trek_insp/star_trek_insp.html

Mais um momento desgoverno nerd da semana. Quem é fã já sabe, quem não é, fica sabendo (vai que é aquela pergunta valendo 1 milhão de dólares, né?). Na série Star Trek, a clássica, original, sessentona, trash, como queiram, a cada vez que os oficiais protagonistas visitavam um planeta desconhecido, eram acompanhados por alferes com uniformes vermelhos. Eles estavam lá para qualquer eventualidade: um alien enfurecido, a atmosfera inóspita de algum planeta, plantas venenosas, transmutações de toda a sorte, o que fosse. E, claro, sempre morriam. Acho que a cota dos vermelhos já estava contida no (baixíssimo) orçamento para cenários e defeitos especiais...



E hoje, Consorte me enviou esta: como homenagem aos bravos vermelhos, o site Think Geek lançou o Red Shirt Star Trek Cologne – "com aroma de futuro, porque o amanhã talvez nunca chegue"... É só borrifar e boa sorte! Afinal, não é por que um dia se pode ser torrado, explodido, pulverizado, eletrocutado, atacado pelo ET de Varginha ou envenenado que se deva dispensar um bom perfume, certo?

A descrição completa aqui.
(E sim, a capacidade para se inventar bobagem vai longe... ainda bem!)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Da tosquice proativa

No filme O Bandido da Luz Vermelha (1968), Rogério Sganzerla colocou na boca do personagem principal a frase "quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha..." Pois é. Quando a gente não pode fazer nada para que spammers parem de enviar lixo, a gente avacalha com eles.

O da vez é um sujeito que testa a minha paciência com emails do tipo Aprenda a criar apresentações comerciais de alto impacto através do Benchmarking Agressivo. É a minha cara o benchmarking agressivo, não? Aliás, cada dia mais agressivo... Ele prossegue:
Estamos renovando o conteúdo do nosso website, e na próxima semana, grandes novidades estarão disponíveis. Além dos novos Video PodCasts com dicas de marketing, começaremos a disponibilizar um documentário ... dividido em 10 episódios, intitulado “O Segredo - Da euforia, a frustração em massa!”. Não perca!

Ah, não perderei! Só estou em dúvida quanto ao título: o segredo da euforia é a frustração em massa? Ou o sujeito não tem ideia de quando se utilizam vírgulas e crases? E frustração em massa parece ser algo perigoso.
Não tenho dúvida, que um dos momentos mais impactantes em minhas aulas e palestras, são as análises de clientes e concorrentes, trazendo informações relevantes sobre produtos, serviços, estratégias, crescimento no mercado, entre outros, que ao serem utilizados em estratégias e apresentações comerciais, tornam a abordagem comercial agressiva e ao mesmo tempo, encantadora a quem assiste, além de uma gama de informações extremamente relevantes. Enfim, algo que ninguém espera.
Bonito isso, vocês não acham? Agressivo e encantador; como uma piranha-caju no Rio Amazonas. As vírgulas continuam a ser utilizadas pelo autor do texto como adereço, talvez para deixar as frases menos atamancadas; a criatura não foi bem sucedida na empreitada, mas isso não é motivo para desistir, oras! Afinal, haverá informações relevantes – algo que ninguém espera. Assim como a Inquisição Espanhola...
Neste mês de agosto, estou disponibilizando tal metodologia, apenas para cursos in-company. É importante lembrar, que este curso é inédito no Brasil; tal metodologia aplicada... está devidamente registrada na Biblioteca Nacional.
Prezado, na Biblioteca Nacional registra-se qualquer coisa! Até manual de feng-shui. De toda a forma, tenho para mim que o tal curso deveria ser de uso exclusivo das Forças Armadas.
No dia 04 de março de 2007, provei através da metodologia de benchmarking agressivo, a evidente recessão dos Estados Unidos, quando poucos falavam com dados sobre o assunto.
E ninguém deu ouvidos a este sujeito? Um verdadeiro profeta de Wall Street ignorado, solenemente! Homens de pouca fé, isso sim. Deve ser por que ele é dos poucos que falam com dados; mas tem que fale com os próprios botões, para as paredes, no vazio... Cada um fala como pode, oras!
Mas meus alunos e participantes de palestras, já sabiam e são testemunhos desta afirmação. Com certeza, eles estão muito bem hoje, pois se preparam para a "marolinha".
Viram? Os alunos são testemunhos – seriam testemunhas se fossem alunas, né? Destaque para a ironia fina, no limite do dandismo, presente na utilização da expressão do presidente da República. Ironia é para poucos, não adianta.
Não se trata de achismo ou de previsões econômicas. Em breve lançarei um livro sobre este assunto. Trata-se sim, de uma análise do movimento de uma determinada demanda. Quer saber sobre o futuro da nossa economia? Dos EUA? Ou melhor, da sua empresa, seu cliente ou concorrente? Contrate agora mesmo, o curso abaixo. Tenho poucas dadas disponíveis em agosto.
Há muitas coisas acontecendo neste parágrafo. Tomando por base o linguajar do sujeito, imagina-se que patamar atingem suas reflexões teóricas. Melhor marcar hora com Mãe Dinah ou Walter Mercado. Ao menos, o show é mais honesto. Não esqueçam que há poucas "dadas disponíveis" – e os dados, ele já usa para conversar, como vimos.
Está em dúvida? Não acredita na metodologia? Me envie um desafio!. Antes de contratar o curso, me envie o nome completo da sua empresa, cliente ou concorrente. Faço questão de enviar uma amostra do que a metodologia é capaz de descobrir. Abraços,
Enviemos um desafio ao sujeito – o que pesa mais: um vocabulário restrito numa estrutura textual de doer ou ideias medíocres apresentadas como se fossem o último grito da The Economist? Se ele responder em menos de 3 horas, ganha uma maria-mole rosa. Ah, sim, e antes de "contratar o curso", é preciso enviar o nome dos seus concorrentes; é uma boa ideia, pois ele vai infernizá-los com spams cafonas até a falência!

domingo, 26 de julho de 2009

In English

Nos anos 70, um compositor e cantor brasileiro chamado Maurício Alberto mudou o nome para Morris Albert e fez sucesso planetário com a música Feelings. Tem gente que até hoje não acredita que ele é brasileiro. Acreditando ou não, o fato é que até a metade da década, talvez mais, alguns músicos brasileiros compuseram e cantaram em inglês, usando nomes "criativos", pra dizer o mínimo, e visuais originalíssimos... Muitas dessas músicas integraram trilhas sonoras de novelas, daquelas do tempo em que Regina Duarte era a moçoila em todas.

Bom, nada foi colocado aqui por preferência pessoal... Tá?! HAHHAHA! Aliás, a maior parte fez sucesso quando eu usava fralda, oras! Ou um pouquinho depois, quando eu tinha que sair com meia-calça de renda sintética, jardineira de veludo cotelê vermelho, cacharrel e imensos óculos fundo de garrafa escorregando para a ponta do nariz. Uma graça de criança, como vocês bem podem imaginar...
Aí vão:

Terry Winter – Summer Holiday
– destaque para o backing vocal no "para-rarara-pará"...


Light Reflections – Tell me Once Again
– lembram de Telma, eu não sou gay, com o Ney Matogrosso? Pois taí a original:


Dave McClean – We Said Goodbye
– "Por quê? Por quê?"


Pholhas – My Mistake
– sério: "Pholhas"?! As capas dos LPs são sensacionais. Desgovernos vestimental e capilar liberados!


Mark Davis – Don't Let me Cry
– sim, é ele: o Fábio, o Júnior.


E o sucesso mundial do qual eu falei antes: Feelings, com Morris Albert (o "clip" é de uma TV francesa; o figurino... bom, coisas dos anos 70. Moderninho).

sábado, 25 de julho de 2009

Modernizando Jane Austen

Livros de Jane Austen fazem sucesso planetário há quase dois séculos. De Orgulho e Preconceito a Razão e Sensibilidade, passando por Emma, Mansfield Park e por aí vai. Agora, é possível contar com o texto de Austen "atualizado", digamos assim. E com direito a trailer (isso, trailer de livro!). Razão e Sensibilidade & Monstros Marinhos, por exemplo, é uma Leitura inadiável, essencial, para quem conhece Jane Austen e para quem nunca leu.

A publicação é da americana Quirk Books, especializada em crossover books, que já publicou Orgulho e Preconceito & Zumbis. Aí embaixo, o "trailer do livro".



sexta-feira, 24 de julho de 2009

Gramophonicas

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In The Basement
– Etta James & Sugar Pie DeSanto
(1966)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Da série: "Hoje não, obrigada!"




quarta-feira, 22 de julho de 2009

As Dogvilles pelo mundo

No estado de Santa Catarina, a lei estadual permite o desrespeito à Constituição e dá carta branca para a devastação ambiental e social. Sobre este assunto, coronéis locais de todas as esferas administrativas respondem com um duvidoso "deixem-nos trabalhar" – ou seja, para eles, preocupação ambiental (num estado que ficou embaixo d'água há um ano) e cumprimento da lei é coisa de vagabundo. Os meios de comunicação de maior alcance parecem ser o departamento de marketing da otoridade constituída, e quem elege esta corja aplaude, claro.

Mas quando convém, consciência social e cumprimento à lei são cantados em praça pública, pergaminhos desenrolados e portarias berradas à plebe rude e sebosa. A última delas vem da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, proibindo malabaristas nos sinais (farois, sinaleiros, como queira o leitor) sem autorização da prefeitura. Diz o secretário que quem utiliza o espaço público para trabalhar tem que ter alvará de funcionamento e expedir nota fiscal. Poderá haver prisão e deportação no caso de estrangeiros (leia-se argentinos, uruguaios e demais do cone sur).

Para o secretário, a tal portaria
quer promover a segurança no trânsito –"fica aquela atrapalhação no semáforo" – e acabar com a "poluição visual dinâmica" causada pelos artistas. "O problema é que essas pessoas não têm qualquer vínculo e aí ficam dormindo nas praças. Dizem que são artistas de rua. Será que é esse tipo de gente que queremos na nossa cidade?", questiona o secretário. Segundo Rauen, depois que a portaria foi editada, os artistas sumiram da cidade. "As pessoas estão mais felizes, com o moral mais elevado", afirma.
Particularmente, eu não sou daquelas criaturas comunidade-alternativa, era de Aquário e afins. Me pergunto se eu teria encarado lama e falta de instalações sanitárias mesmo que fosse para ver Carlos Santana, The Who e Joe Cocker ao vivo. Não concordo que, em nome da liberdade, cada um faça o que der na telha, mesmo que prejudique outros, em qualquer grau. Isso esclarecido, tenho a dizer que me dá um arrepio quando vejo expressões como esse tipo de gente ou a nossa cidade sendo utilizadas como se fossem naturais, como se não houvesse nada de bizarro pois se referem a tipos bicho-grilo, artistas de rua ou estrangeiros. E não, não é exagero: quando nos habituamos a pensar que há um "tipo de gente" que deve ficar fora de "nossa cidade", é hora de rever alguns conceitos. E rápido!

Além do que, o secretário mentiu ao jornal, pois ainda ontem, aqui na esquina de casa, malabaristas faziam a festa – mais que isso, enquanto mandavam ver na performance, um terceiro entregava panfletos contra o abate de coelhos para se fazer casacos de pele. Sério! E quem é que está mais feliz com a portaria, secretário? Quais pessoas?

Do jeito que a coisa vai, qualquer dia teremos portaria exigindo documentos especiais de quem é "de fora". Me lembra o ex-prefeito da minha cidade natal, Rafael Greca de Macedo, que dizia que Curitiba já não era mais a mesma, pois cada família da cidade já contava com membros "vindos de fora" e isso gerava problemas. E xenófobos e TFPs de plantão se encarregam da resposta oficial: "não gostou, vá embora"; "estamos trabalhando, gerando riquezas para o resto do país que nada faz", blablablá...



Matéria na íntegra aqui.
Cena de do filme Dogville (Lars von Triers, 2002) aqui.

Gilbert Bécaud – L'orange (A laranja), 1964



Na música, o coro acusa o homem de ter roubado uma laranja; o homem se defende, diz que nem estava no local no momento do furto. O coro insiste que só poderia ter sido ele, afinal, o sujeito é estrangeiro.

Sério?

Outro dia, um amigo me disse: você é marrenta, como o Romário. Ainda estou na dúvida se foi um elogio ou se fui chamada de mala e não entendi. Mas eu tenho os meus motivos. Vejam só:

24 cm de altura e só? Como é que se mede a altura de um meteorito? O que houve com o bom e velho "25 cm x 24,3 cm x 20 cm e 22 kg", por exemplo?


Como é que se faz a cobertura completa de uma morte? Fica-se ao lado do sujeito já em seus últimos minutos de vida?

Deixa retardado...? Detona o nariz...?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Viagens Viajadas espaciais

E lá se vão 40 anos da primeira pisada na Lua, com direito a 40 anos de aporrinhações conspiratórias: desde o sujeito de calça jeans refletido no capacete até a bandeira tremulando, espetada na superfície lunar, passando pela filmagem da descida num estúdio – sei lá, o Stanley Kubrick devia dinheiro pra NASA, pagava com filminho... algo nesta linha.

Assim, em homenagem a essas ideias de excelência, que muito valor agregam ao obscurantismo e à paranoia, aí vão imagens emocionantes de um programa espacial do qual não se fala muito. E por que? Será que é por medo de que projetos revolucionários se efetivem? Ou querem esconder a verdade de nosotros? O debate está aberto.



domingo, 19 de julho de 2009

Enquetes suuuuuuperbem formuladas

Como assim, "sou a favor das dores no parto"? A coisa funciona por plebiscito e nem sabíamos? E vai valer para todas as coisas, como a lei da gravidade, por exemplo? Sou mulher e a favor da lei da gravidade...

Ah, sim, claro: ótimo início de semana a todos!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Quirópteros

Desde os primeiros tempos do cinema, vampiros foram protagonistas privilegiados, na cola do livro de Bram Stockler (1897). Para mim, o mais aterrorizante deles vem destes primórdios – é o Nosferatu, uma sinfonia dos horrores, que o alemão F. W. Murnau dirigiu em 1922.

No papel de Nosferatu, o ator Max Schreck. O personagem ficou tão bem caracterizado que se criaram lendas e mais lendas urbanas sobre o ator, dizendo que ele realmente era um vampiro (idéia que virou filme) ou que era o próprio diretor, irreconhecível pela maquiagem. Lendas bocós à parte, quase 100 anos depois de realizado, o filme Nosferatu ainda dá frio na espinha – climão de Alemanha pré-nazismo.



Nesta mesma década de 1920, fazia o maior sucesso uma versão teatral de Dracula, que é a que inspirou os filmes e peças por todo o século 20. Para uma temporada na Broadway, produtores buscaram um ator que tivesse "algo mais": queriam um vampiro com sex-appeal. Encontraram um ator húngaro, filho de banqueiro, ex-soldado da I Guerra, fugido da Europa por perseguições políticas. Tinha olhos verdes transparentes, usava cabelo "lambido" à la Rodolpho Valentino e, principalmente, tinha um legítimo sotaque exótico. O moço se chamava Bela Lugosi, e reza a lenda que o mulherio ia ao delírio quando ele entrava em cena. Do teatro, foi para o cinema com o personagem e até os 40, ele foi o vampiro.

Depois vieram o todo-poderoso Vincent Price e Christopher Lee; até o Jack Palance posou de vampiro, num filme maravilhoso de tão ruim que é; o Roman Polanski criou a bizarra A dança dos vampiros. Aquilo era muito engraçado. Os filmes coloridos abusavam no tema, principalmente os do Christopher Lee, em que o sangue escorre ou goteja em tons entre o alaranjado e o rosa-choque – combinando com as camisolas das mocinhas, sempre fluorescentes. Talvez só perca para Blacula, "Dracula's soul brother", uma preciosidade do desgoverno:



No século 20, o Dracula mais bem produzido é o Gary Oldman no filme do Coppola, sem dúvida. Mas houve um antes dele que devolveu a dignidade ao pobre conde romeno, em 1979 – Frank Langella, que fazia o papel também no teatro. Adoro esta versão, toda gótica e repleta de cafonices, afinal, o diretor é o mesmo de Saturday Night Fever, e dá pra imaginar que ele continuou gostando do visual disco. Não, não tem globo de espelhinhos girando no castelo do vampiro, mas tem pó pra tudo o que é lado, HAAHAHA! Velas em quantidade monumental, cabelos vindos de horas de secador (principalmente o do Conde), teias de aranha inacreditáveis e muito gelo seco. Sir Lawrence Olivier, numa das suas últimas aparições, fez Van Helsing; o ator já estava muito doente e algumas cenas dele tiveram que ser dubladas. O texto é o da peça de teatro, e o Langella... bom, nem precisa falar, né?



quarta-feira, 15 de julho de 2009

Trator Casa & Decoração

E falando sobre o feng shui outro dia, veio à tona em conversas paralelas a questã da decoração de ambientes. É de se imaginar como os adeptos da prática de harmonizar ambientes se sentiriam 20 ou 30 anos atrás, com uma profusão de alaranjado e marron, assim como móveis brancos, com muito espelho.

Já deram o que falar aqui no Trator aqueles objetos de decoração de antanho como cachos de uva de vidro, isqueiros do tamanho de uma jaca delicadamente pousados sobre a mesinha de centro; miniaturas de calhambeques com rodas cromadas; enfeites com hastes de aço unidas num suporte e com bolinhas nas pontas: você juntava todas as hastes com as duas mãos e depois soltava – alucinação infantil garantida por horas; havia os "palitos" para azeitonas e afins que eram espadinhas e sabres; Comadre Si lembrou de quadros com fundo de veludo escuro e cores brilhantes (eu me lembro desses com paisagens japonesas, parece que tinha Jesus aveludado também). Mas nada batia os quadros de criancinhas que choravam; criancinhas e palhaços.

E como coisa duvidosa pouca era bobagem, lendas urbanas por todo o planeta sobre estes quadros surgiram – a ponto de provocar uma queima deles, nos EUA, no melhor estilo KKK. Havia várias versões para a maldição dos quadros: se você olhasse por mais de tantos minutos o dito cujo, veria a caveira da morte por detrás do rosto do menino; que virando o quadro de ponta cabeça, veria o capeta em pessoa devorando o menino; que se pusesse o quadro defronte um espelho, veria cenas horrendas e por aí ia o delírio. Seja de que forma for, para além da maldição, sempre encafifei com o motivo que leva alguém a pendurar na parede o rosto de uma criança triste que só, sofredora, vítima dos abusos de um mundo cruel... Só pode ser sadismo, dos piores! Não sei o que gurus do feng shui têm a dizer a respeito, mas o Trator Estilo desaconselha. Porque quem começa com quadro de criancinha e palhacinho chorando, sabe-se lá com o que termina, né?



As temíveis 'áreas comuns'

Quando os homens viviam efetivamente em comunidades, tudo era coletivo, incluindo a educação das crianças, a produção dos campos, com muitos "espaços de sociabilidade". Nos tempos modernos, os espaços passaram a ser cada vez mais privados, fragmentados, individuais. E aí que não sei, arquitetos e engenheiros devem sofrer de certo banzo, com crises agudas quando se debruçam sobre as pranchetas. Sim, pois de que outro modo se explicam as tais "áreas comuns" que proliferam em prédios atualmente?

Não se trata apenas do espaço urbano insuficiente, há uma filosofia sólida por trás dos prédios classe média torneiras douradas com áreas comuns. O primeiro quesito indispensável é a fachada – a simbólica e a de cimento. Em imobiliárias, sempre lascam um: "Ah, mas a fachada é linda, vocês não acharam?". Em seguida, um bom nome para a construção. Para edifícios residenciais, nomes franceses como Residencial Château d'eau, Condomínio La cave pourrie ou Edifício Le crapaud qui bave. Sério, se querem complicar, por que não chamar o lugar de Tupanciretã ou Itaquaquecetuba, oras? Para edifícios comerciais, parece que é obrigatório que constem tower, executive, business center e por aí vai – coisa de quem traduz facility como facilidade e jura que está correto, pois é assim que todo mundo diz. Então tá.

Seguindo na história de horror, depois dos nomes do além estão os temíveis salões de festa. Na boa: que se comemore o aniversário das crianças ou lá se faça o chá da Liga das Senhoras Historiadoras numa tarde aprazível qualquer, nada contra. Mas atualmente, a juventude descolada da facul ajambra seus encontros no salão de festas do prédio! Um verdadeiro hino à rebeldia, não acham? Ao som de country nacional, pagode e J. Quest (nada contra quem gosta, desde que não me obriguem a ouvir), nas tardes de sábado. Nos finais de ano ou quando há jogos da seleção brasileira é aquele festival de barrigas, suor e cerveja enchendo de alegria o ambiente – e os vizinhos. O que houve com o bom e velho boteco para encontrar os amigos?

Outro dia, vi a publicidade de um lugar horroroso desses com duas piscinas, uma olímpica (talvez queriam mandar a equipe do prédio pras próximas Olimpíadas) e outra com formas ameboidais, dourados mil na recepção e um fitness center. Mas o que é isso?! Coisa de ficção científica, certamente. "Manteremos os povos em forma, no salão de festas e com raciocínio curto". Que as crianças tenham onde brincar, é mais do que justo. Mas fora isso, garagem, escadas, elevadores e corredores já fazem as vezes das áreas comuns, não? E a tal da sociabilidade se efetiva ao se cumprimentar os vizinhos, segurar a porta do elevador ou emprestar aquela xícara de açúcar, oras!

Edifício Master – dir.: Gilberto Coutinho, 2002.



segunda-feira, 13 de julho de 2009

Harmonize sua casa, criatura!

Fazendo um tour pelos sites, depois de alguns dias de função sem fim, voltei a encontrar aquele tipo de conselho que sempre me deixa com dúvidas atrozes – e, claro, morrendo de medo de dar um passo em falso que venha a empatar o resto do meus dias. Explico:

(matéria na íntegra aqui)

Claro que fui espiar e claro que há perguntas e comentários que não querem calar. Por exemplo:
Evitar quinas de paredes ou pilares agredindo as visitas e os anfitriões. Para isto, podemos utilizar dispersores de cristal pendurados no teto exatamente na quina ou vasos com plantas altas para neutralizar o efeito cortante da verticalidade da quina.
Eu não entendi bem como é que se neutraliza a verticalidade da quina, mas só sei que na minha casa, nem quinas e nem pilares se metem a besta e agridem meus convidados. Mas não tem perigo! Que tentem uma vez só para ver o que lhes acontece! Era só o que me faltava, francamente.

*
Os quadros podem retratar paisagens acadêmicas, impressionistas, etc., e que simbolizem lugares bonitos e prósperos; e não temas de tragédias ou lugares que predominem vida com atividades de sacrifícios. Obs.: Para o Feng Shui devemos decorar as paredes de nossa casa ou local de trabalho com temas prósperos, dos quais gostaríamos de, por algum momento de nossa vida, fazer parte. Na realidade, para que as coisas fluam é necessário visualizarmos coisas boas; e não quadros retratando trabalhos árduos, casebres em ruínas e barcos podres naufragando a beira de um cais.
Como "paisagem acadêmica", tá valendo a foto do meu orientador? Além do mais: quem é que pendura quadros retratando "barcos podres naufragando a beira de um cais"? Mas já que foi especificada a proibição, queria saber se imagens do Titanic estão liberadas; afinal, estava novinho em folha quando foi a pique (sempre quis usar esta expressão!) e não havia cais por perto, né? Será que imagens do Kursk valem? Não vi nada que se referisse a submarinos, mas nunca se sabe. Não é bom ficar interpretando o feng shui sem o devido conhecimento.

*
Se em sua sala de estar não existir um bar nem tampouco um carrinho de chá, você pode dispor uma bandeja com garrafas de bebidas e copos sobre uma arca ou mesmo num aparador.
Quão moderno, funcional e adequado é um carrinho de chá, não acham? Me entristeço só de lembrar que não tenho um. Em todo o caso, será que aquele famoso sofá canto bar não pode substitui-lo? Acho muito digno, até por que colocar copos sobre uma arca – e ali mantê-los – não é tarefa das mais simples...

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Que o estofamento e a estrutura das cadeiras estejam em bom estado de conservação para evitar explicações constrangedoras no momento da recepção.
E a gente tem que dar explicações sobre o estofamento das cadeiras? E o que poderia causar uma explicação constragedora quanto ao estofamento das cadeiras? "Não repare, mas é que fomos bombardeados na última quinta"? Mas nem que você tenha cadeiras com espaldares altos, torneados à moda trono, com veludo e tudo! Explicação constrangedora você dá em consultório, médico, odontológico e olhe lá!

*
Que não sejam utilizados copos de geléia nem requeijão diariamente, reservando as melhores peças (copos e taças de cristal, e o aparelho de jantar em porcelana) para as visitas. Afinal, foi você quem trabalhou para obtê-los.
O que mais me impressionou na dica foi o "aparelho de jantar em porcelana". E será que se você utilizar o aparelho de jantar em porcelana, pode daí usar os copos de requeijão? E os de Nutella, com o esquilo, valem?

*
Que os anfitriões sentem à mesa em posição oposta à porta, de modo a manterem o controle sobre tudo que está acontecendo e não sejam surpreendidos pelas costas por energias inconvenientes.
Principalmente se você estiver devendo dinheiro pra máfia...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"Os caminhos de deus são misteriosos..."

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MadTV

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sarney – por Angeli & Glauber Rocha

.Angeli é dos melhores analistas deste país. Sem sombra de dúvida, a situação tá glauber, tá glauber!!!! E assim, nada mais justo que imagens dele sobre a política brasileira de 43 anos atrás atual.

Maranhão 1966 – a posse do governador José Sarney
"Reportagem cinematográfica" de Glauber Rocha e Fernando Duarte



terça-feira, 7 de julho de 2009

A festa do caqui como referencial teórico

Atualmente, paira no ar um certo "especular o mundo" para ver se há algo sensacional ou que ao menos distraia. Nada contra, diletantismo taí pra isso. O inconcebível, na minha mentalidade de trator, é que isso vire metodologia de ensino e pesquisa. Acredito que as ciências humanas estão se encharcando nesta fonte – não conheço a quantas andam as outras, ou melhor, o "estado da arte das outras", HAHAHA! Só sei que em nome de um conhecimento liberto de qualquer ideologia ou fórmula – coisa com a qual concordo – tá valendo tudo! – coisa que abomino. Parcas e porcas ideias estão virando "possibilidade de análise" e fantasias de toda a sorte passam a orientar pesquisas. TERRÍVEL PESPECTIVA!, diria Vidal.

Vai daí que daí que ontem tropecei no texto – muito bom! – de um sociólogo. Nada conheço sobre o autor, só sei que gostei muito do que ele escreveu e vou reproduzi-lo aqui. Afinal, não se tratam de questões apenas pra quem é "das humanas" ou ensina. Acho que a preocupação pode ser estendida pra tudo neste mundão de hoje em dia. Depois vou verificar se todos leram, ok? Quem tentar dar trucão, vai levá piaba! (O texto é da Folha de Sunpaulo de 06/07)

A ciência da sociedade está à deriva

Zander Navarro, prof. UFRGS e pesquisador-visitante do Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento (Sussex, Inglaterra).

REINAÇÃO DO autoengano, da ingenuidade subcapitalista e do irracionalismo religioso, o pensamento mágico prospera em todos os poros de nossa sociedade. Os governantes e nossas elites incentivam como podem a ampliação dessa sociabilidade ilusória. Afinal, é o ocultamento da realidade que permite a fixação da ordem existente, consagrando o Brasil como modelo da desigualdade e das injustiças sociais. Deveria ser o melhor dos mundos para animar o robusto desenvolvimento do que Weber chamou de "ciências do espírito", a tríade formada por sociologia, antropologia e ciência política. No entanto, focada apenas a ciência da sociedade, a sociologia, é uma chocante ironia que tenhamos observado a obrigatoriedade de sua inclusão nos currículos do ensino médio exatamente quando é ciência que experimenta a sua maior crise, não apenas como um sistema de conhecimento, mas também como uma instituição social e uma profissão. Onde estão os cientistas sociais que demarcaram os debates públicos em anos passados? Por que se refugiaram no comodismo das universidades públicas e se conformaram à domesticação de seu papel crítico? Por que se confinam, cada vez mais, aos estudos hiperespecializados, ao hermetismo narcísico ou à produção estéril que se repete em guetos de autoexaltação? É um fenômeno apenas brasileiro? Estaria perdendo a sociologia a sua relevância, a ponto de poder ser em breve dispensada? Como entender que essa ameaça ocorra exatamente quando se multiplicam os seus praticantes e os cursos existentes, e cresce o número de sociólogos doutores? Os impasses atuais da sociologia são muito distintos dos do século 19, quando surgiu no firmamento científico, estimulada pela luta teórica entre positivistas e neokantianos, estes defendendo a bifurcação entre ciências naturais e ciências humanas. Essa disputa constituiu o pensamento clássico que foi sendo abandonado recentemente, sobretudo a partir dos anos 80, dando lugar à anarquia do relativismo cultural e às subteorias de um conhecimento fragmentado. A tradição clássica foi assim decomposta e superada por um pensamento ideológico centrado em diversos códigos obscuros e distantes de problemáticas sociais. No caso brasileiro, esse refluxo foi mais acentuado em função da partidarização e do militantismo que tem sido corriqueiros entre nós, sobretudo nos anos pós-democratização. Assim, parece equivocado o diagnóstico do influente sociólogo Anthony Giddens, sugerindo que, pelo contrário, a sociologia seria mais forte atualmente, porque as ciências sociais já fariam parte do imaginário público, que as toma como dadas e parte do senso comum. A sociologia surgiu como a leitura crítica da modernidade, mas a sua revisão contemporânea e a traição de sua história depositam-na em um vácuo ontológico. O declínio correspondente da modernidade pode ser atribuído a diversos fatores, entre os quais a perda de soberania do Estado-nação, o impacto das revoluções democráticas, sobretudo as operadas no antigo bloco soviético, a emergência de novas concepções sobre as relações entre sociedade e natureza e, também, a crescente importância do conhecimento na estruturação social. Se examinado apenas um desses aspectos, as revoluções sempre foram decisivas para a produção de novos sistemas de conhecimento, inclusive a sociologia. Mas aqueles modelos gerados no contexto da Guerra Fria não mais repercutem na vida social, nem o liberalismo ocidental, nem a social-democracia, nem o marxismo, nenhum deles bem-sucedido em oferecer fundamentos para um conhecimento sociológico consistente. Assim nasceu a profunda crise atual dessa ciência, a qual tem sua origem na relação de estranhamento da sociologia com a explicação de seu objeto, a sociedade. Na tradição de "A Imaginação Sociológica", de Wright Mills, é urgente a recuperação da capacidade analítica da sociologia, confrontando todas as formas de poder, de dominação e de produção das hierarquias com as suas manifestações na ordem social. Se assim não for, ela poderá se tornar descartável, pois impotente para interpretar os temas sociais. No Brasil, a despartidarização da sociologia, sem significar a sua despolitização e, menos ainda, a sua neutralidade, é outra urgência para ela reerguer-se como ciência. É preciso localizar a possibilidade de torná-la relativamente autônoma, mas igualmente capaz de responder à sociedade e suas necessidades de análise dos processos sociais, assim retornando ao seu papel de consciência crítica dos arranjos societários.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cozinhando e ofendendo

Como a "alta gastronomia" se estendeu a todas as categorias profissionais, sociais, humanas etc. (menos a quem é pobre, claro), as crianças também podem aproveitar as criações culinárias. Em São Paulo, o chef francês Steven Kerlo diz que se inspirou no "trio batata, salsicha e chocolate" para criar menus infantis – bah! E eu sou a rainha da alta culinária e nem sabia, AHAHAHAH! Enfim, chef Kerlo cria coisas exclusivíssimas, saudáveis e de qualidade. Isso:

Tá. Vamos falar seriamente: e é necessário um chef francês pra criar essa cagada coisa horrorosa? É um susto e uma corrida, meu senhor! Pior que o tempo em que se ordenava: come!, e não havia escolha. Sério! O que são esses pavilhões auditivos espetados no purê? E a cara hora do espanto da criatura comestível? Isso é para as crianças apreciarem a comida? Tenho cá minhas dúvidas...

sábado, 4 de julho de 2009

Dançando no presídio

Há imagens que batem recordes de exibição e ninguém exatamente porque. O YouTube que o diga. Coisas completamente banais se tornam sucessos, como Dramatic Chipmunk, em que um roedor encara a câmera por 5 segundos – mais de 15 milhões de exibições em 2 anos – ou Hahaha, em que um bebê dá gargalhadas – mais de 86 milhões de exibições em 2 anos. E desde 2007, imagens de prisioneiros de Cebu, nas Filipinas, angariam fãs pelo mundo. A prisão é uma das mais violentas que existem; assim, o diretor do lugar e a governadora da província decidiram que aulas de dança sincronizada poderiam deixar a moçada mais tranquila. As apresentações finais dos ensaios começaram a atrair pessoas e, claro, alguém teve a ideia de colocar as imagens na rede. Elas se espalharam e há fãs do grupo que aguardam cada nova coreografia mensal.

Tem quem diga que se trata de um espetáculo deprimente, pois as pessoas se divertem vendo criminosos obrigados a dançar. Outros acreditam que atividades desse tipo podem humanizar ambientes violentos e etc. e tal. Não conheço os dados sobre os resultados da dança no presídio., só sei que as coreografias viraram fenômeno de exibição também. A apresentação de Thriller já teve mais de 28 milhões de exibições, desde julho de 2007, por exemplo.

Mas a parte bizarra da história fica por conta da Warner Music Group. Se alguma das músicas dos vídeos for dos artistas da gravadora, eles suprimem o som, em nome dos direitos autorais. Os caras esperam que se completem 7 mil exibições e aí mandam ver, afinal, mesmo que você esteja vendo gente num presídio de segurança máxima nas Filipinas, é necessário pagar. Aquelas coisas do mundo globalizado que agrega valor que eu "adoro", cada vez mais. Graças aos executivos da Warner garante-se a ordem neste mundo, ne c'est pas? Bah!!!



No trator, um dos videos com música retirada pela Warner, em sua cruzada por qualquer centavo que puder recolher.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Religião na noitada

Havia um cafofo todo bonitinho e moderninho na minha terra chamado News Café. Durante um bom tempo, eu e Jair íamos lá de segunda a segunda. Era um lugar pequeno, escuro, tinha um vídeo para moderníssimos disc lasers, HAHAHAHA, enormes! Ficava num prédio cujo térreo era ocupado por uma pizzaria, daquelas bem iluminadas, com paredes de azulejo branco. No fundo, havia uma escada de ferro em caracol que levava ao News. A escada era discreta, não havia grandes indicações do que se passava no andar superior; mas, de vez em quando, um desavisado subia por engano. Nunca vou me esquecer do susto de uma família inteira – papai, mamãe e três adolescentes – ao se dar conta de que não estava no andar de cima da pizzaria. Sentaram-se à mesinha e só depois é que olharam as criaturas no entorno, o video... bateram em retirada, mamãe com um certo ar chocado, mas sem escândalos, afinal, todos éramos muito educados naquele ambiente. Nunca me esqueci do que passava no vídeo: o impagável e "barroco" Army of Lovers, com a música Crucified.

(se você é uma pessoa religiosa que se choca com palavras sagradas em situações cômicas, com homens maquiados ou mulheres que parecem bonecas infláveis, é melhor nem ver o que tem aí embaixo. Se não, divirta-se, pois é ótimo!!!!)



Para contemplar todas as crenças, há também Israelism, do mesmo grupo. É só clicar no trator.

Galeria das aberrações nacionais

As transformações políticas pelas quais passou o país gerou alguns monstros pelo meio do caminho, umas hibridações bizarras que vingaram no solo nacional. Uma das mais prolíficas é a que resultou do cruzamento entre o coronelismo e a mentalidade politburo; ambos possuem compatibilidade desde a origem, caso contrário, não floresceriam nem deitariam raízes. Abarrotar as burras com os cobres públicos acabou encontrando a obsessão pelo projeto partidário a qualquer preço – e aí, juntaram-se a fome com a vontade de comer, né?

Em tempo: continuo concordando em gênero, número, grau e sabor que qualquer democracia é melhor que uma ditadura. Mas isso não quer dizer que se deve engolir calhordice institucionalizada como se fosse coisa natural.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Educação sexual no tempo do Muro

Quando minha irmã mais nova nasceu, eu tinha 8 anos e as coisas da vida começaram a rondar meu pequeno cérebro (que, acredito, deve continuar do mesmo tamanho...). Meu pai não perdeu tempo: deu uma aula a mim e à minha irmã de 6 anos, com termos ultratécnicos – não me lembro do conteúdo, mas não duvido que ele tenha citado partes do corpo humano em latim, para conferir ao assunto a austeridade que ele achava que merecia. Dias depois, eu ganhei um livro chamado Dinâmica do sexo: mais de 100 páginas sem qualquer ilustração!!!! HAHAAHAH! Do que eu retive da história, havia mamãe psicóloga, um filho pequeno chamado Mário e um bebê surgia em algum momento. Havia diálogos entre mamãe e Mário e palestras que mamãe fazia. Não entendia nada do que ela contava – eu tinha 8 anos e já empaquei no título (no início, eu lia "dinamia" em vez de dinâmica). Calculem o resto! Mas li até o final, mesmo sem entender o que era aquele blablablá todo. E, claro, quando meu pai perguntava se eu estava entendendo a história, eu mandava um "a-hã" e ficávamos conversados.

Pois dia desses, revirando os sebos virtuais, não é que tropecei no livro? Não acreditei! Quase caí pra trás, até por que o original é alemão, chama-se Von Fünf Bis Fünfundzwanzing - Geschlechtserziehung in Gesprächen, escrito por Gusti Gebhardt. Pqp!!! Juro, não estou inventando. Ficha catalográfica aqui. Me lembrei do Jair, claro, que não entendia como eu e ele tínhamos conseguido chegar à idade adulta com os pais que tivemos, HAHAAHAH! Enfim, fico imaginando que o raio do livro deve ter sido escrito em Berlim Oriental, por pedagogos do regime, sob a supervisão da Stasi!!! Só pode! Se bem que... vendo o que fazia na época a Alemanha Ocidental em termos de diversão, é pouco provável que saísse um livro melhor, né? Aaahhhhhhhhhrrrrrrgggggg!!



quarta-feira, 1 de julho de 2009

Flash mico

Há 3 anos, houve uma flash mob ao lado do MASP, com uns gatos pingados usando capas de chuva amarelas, como os personagens de um episódio do Pica-Pau – o do barril nas Cataratas do Niágara. A cada carro que passava por ali, o pessoal gritava "EEEEEEEEEEE!", erguendo os braços. Isso foi engraçado. Já teve flash mob para aplaudir a chegada de trens na estação ou promover uma guerra de travesseiros na rua. Coisas completamente nonsense, mas muito engraçadas – ah, é engraçado, convenhamos! Eu acho...



Bom, vai daí que, li há pouco, promoveram uma flash mob em Garulhos, para homenagear as vítimas do voo da Air France que caiu blablablá. Diz o organizador da coisa que "bolaram" um hino nacional "mesclado" com o hino francês, "pra tá levando vibrações positivas às vítimas". No vídeo, 40 pessoas, entre adolescentes, mães de adolescentes, um tiozinho de gravata, uma pesicóloga e uma moçada meio sem jeito, se deixam fotografar e entrevistar enquanto ouvem os hinos e dão umas espiadas, de canto de olho, nas câmeras. Então tá. Cada um se expressa como pode, aliás, liberdade de expressão já! HAHAAHAHH! Sendo assim, tomo a liberdade de aconselhar: pessoal, vão carpir um trecho, lavar uma muda de roupa, ver um filme dublado no cinema, fazer docinho espelhado pra vender na porta da catedral, montar quebra-cabeça com paisagem de neve refletida no lago, qualquer coisa! Mas não paguem um mico desses, fica feio... Claro, conseguiram o queriam, ao menos o sorridente e proativo organizador da bagaça, saíram no jornal, todo mundo vai falar. Mas a vontade de aparecer um pouco é tão descontrolada que vale a pena um micão? O pior é que o pessoal que vai aplaudir trem na estação deve ouvir que deveria estar fazendo algo "útil", enquanto quem organiza essa bobajada como a do aeroporto (na minha insignificante opinião pessoal) ainda argumenta com a nobreza dos sentimentos. Ah, deem um tempo! Nonsense já! E abaixo quem tenta transformar o mundo inteiro num espaço êmebiêi saudável, proativo, politicamente correto e que, claro, pode estar agregando valor à minha preciosa imagem pessoal. Como diz meu pai, "vão empilhar côco na descida!"

Para ver a matéria e o vídeo, é só clicar no trator

O caneco de melhor tentativa de roteiro adaptado foi conferido ao organizador da bagaça, tentando envolver a Air France no evento, dizendo que não teve "um retorno deles". Ele queria patrocínio pra flash mob? HAHAHAHA! O caneco de melhor mulher querendo mostrar que não é só um rostinho bonito é dedicado à pesicóloga – francamente, não entendi o que ela quis dizer. E o caneco de "homem-chavão" vai pro tiozinho de gravata, que acha que as autoridades e as companhias aéreas têm que se conscientizar. Ponto. De quê, meu senhor? De quê??!!