quinta-feira, 30 de abril de 2009

A tragédia da vez

E' impressionante como alguns assuntos viram prioridade mundial, como se nada mais acontecesse sobre o planeta, como se houvesse apenas um motivo justo de preocupaçao. Agora, a encheçao da vez fica por conta da tal "gripe suina" (por aqui, a têm chamado de "gripe mexicana", para evitar que o consumo de carne suina diminua... sem comentarios).

Sei que corro o risco de ser chamada de demagoga, mas ninguém panica por causa das pessoas que morrem de fome, por exemplo. De febre amarela. De desnutriçao. Aids, parece que nem existe mais. A imprensa nao martela o mundo com noticias sobre o Darfur, o trabalho infantil, a seca.... bom, assuntos nao faltam.

E as coisas tomam uma proporçao ridicula! Ha um festival de desinformaçao em todos os niveis imaginaveis. Vi ha' pouco que o governo libanês aconselhou as pessoas a nao se beijarem, a evitar contato fisico nas ruas. Aqui, respeitaveis (até quando, nao sei) telejornais plantam reporteres à frente de escolas em que casos suspeitos foram detectados (leia-se crianças que espirram). Inacreditavel! Dizia a reporter: "A pequena Fulana, de 5 anos, passou mal durante o recreio e foi enviada ao hospital. Nao sabemos se se trata da gripe mexicana. Nao pudemos participar da reuniao de pais e professores, mas soubemos que uma criança que parecia estar resfriada nao participou do pic-nic com os colegas; teve que comer seu lanche na escola mesmo" Pqp!!! Deviam ter descrito o lanche da criança, ja que pagaram um mico desses, né?

Em outro canal, o médico responsavel pela divisao de doenças tropicais e afins do pais explicava que as poucas pessoas sob observaçao estao internadas porque o virus nao é totalmente conhecido, é necessario saber do que se trata. O entrevistador nao aguentou, foi direto ao ponto: "Desculpe pela forma como eu vou formular minha questao, mas nao ha' ninguém em coma, morrendo, certo?". A resposta: "Nao, nao ha' ninguém assim." Ontem, outra médica ensinava: "E' importante ficar em repouso se houver febre e nao tossir sobre o rosto das outras pessoas". Uau...

Se ha' pandemia, falemos sério, é de hipocondria e jornalismo ridiculo.

Caco Galhardo

Diario de bordo 3


"Em pé, oh vitimas da fome..."

Amanha é dia 1° de Maio, Festa do Trabalho. As manifestaçoes para a data se organizam; membros e politicos dos partidos socialista, comunista, trabalhista e a CGT desfilarao, com palavras de ordem e afins. Os telejornais especulam sobre quem vai desfilar onde e com quem - reportagens que parecem a revista Caras das celebridades de esquerda...

E no meio da movimentaçao geral, fiquei sabendo que, a alguns passos de onde estamos hospedados, fica a sede do Partido Comunista Francês. O proprio! =)


O prédio é um projeto de Oscar Niemeyer, como se percebe de cara! A construçao foi iniciada em 1966 e os ultimos retoques so' terminaram em 1980.



Tenho pra mim que até a banquinha de jornal, bem em frente, também foi projeto dele:


Um dos compagnons que tinha acabado de sair da sede do Partido (com o bonezinho indefectivel e o paiêro no canto boca, defumando tudo pelo caminho):


quarta-feira, 29 de abril de 2009

Diario de bordo 2

Na descendente
E o Trator chegou de viagem, depois de horas em Garulhos e mais 11 horas de voo. Viagem tranquila, mas bem turbulenta. Na altura da Bahia, o aviao entrou no que chamam "corredor de vento", perdendo altitude muito rapidamente. Como disse Consorte, é a sensaçao de estar numa montanha russa a quilômetros de altura, hehhehe. Confesso que ver a comissaria de bordo assustada da' uma certa taquicardia; a pobre estava servindo o jantar, teve que se sentar no primeiro lugar que achou vago, bem agarrada ao seu carrinho. Como ela explicou, quando o comandante diz apenas "suspender o serviço", algo grave esta' acontecendo. Felizmente, todos os passageiros eram calmos. Depois, os comissarios trocavam informaçoes: "tudo bem la' na frente?"; "La' atras, tivemos um pequeno acidente, mas tudo sob controle"; "Um pouco de adrenalina é bom. Acorda!". Como serviam o jantar quando o aviao começou "a descer", imagino que alguém recebeu uma bandeja no colo ou na cabeça.

"Ninguém sai! Ninguém sai!"
No Charles de Gaulle, controle de passaporte ja' na saida do aviao; mais um ainda no corredor de saida; e finalmente o terceiro, o controle regular, com todos os guichês e carimbos. Mas tudo estava parado, mais ou menos 500 pessoas esperando. Nada podia funcionar, pois havia um alerta de "objeto suspeito". Algum cabeça de vento esqueceu um "tubo de plastico preto", como anunciavam no alto-falante; se nao viesse recupera'-lo, teriam que chamar a brigada antibombas. Fosse como fosse, ninguém podia sair dali. Felizmente, a funçao durou apenas uns 15 minutos, o raio do tubo deve ter sido resgatado, a brigada pôde ser poupada e no's pudemos passar e ganhar carimbos. Eeeee!


Mesa para três
Claudio e Bete estavam na cidade, modos que nos encontramos. Fomos roer alguma coisa num lugar engraçado: Détente & Saveurs (Relaxamento & Sabores), onde você pode tomar café, bater um lanchinho basico e também passar por uma depilaçao, aplicaçao de colageno, massagem ou limpeza de pele... Felizmente, tudo em dois ambientes completamente separados, HAHAHAAH! No's acabamos la' porque começou a chover. Eeeenfim. Decidimos que o que nos interessava era comida, nada mais (mesmo que tenhamos tentado mandar o Claudio pra depilaçao; ele nao quis, o desmancha prazer!!!). Muito animado por ter brasileiros no seu comércio, o proprietario gentilissmo nos ofereceu croissants de cortesia, "para vocês conhecerem verdadeiros produtos franceses", hehehe. Por essas e por outras, é sempre bom desconfiar de quem afirma categoricamente que todos os parisienses sao grosseiros, desagradaveis etc. etc. Lorota.

Dali, fomos andar um pouquinho, mas a caminhada nao durou, por causa da chuva novamente. O jeito foi entrar num boteco e beber, né? Fazer o que? Entramos numa espécie de "bar do Moe" e la' ficamos jogando conversa fora, botando reparo no moçoilo vestido como Fernando Pessoa e em duas moçoilas descabeladas, cada qual com seu cachorro. Os cachorros, simpaticissimos! Lembrei da vez em que entrei num bar do Moe desses com o Jair, para uma cerveja. Como nao havia cardapio, ele ja foi pedindo "uma 1664". Na época, a burralda aqui nao fazia ideia de que 1664 é o nome de uma cerveja; por um minuto, imaginei que as cervejas da casa eram pedidas pelo numero, HAHAHAAH! Sei la', na duvida, podia pedir uma 10, né? Que infame!


Novamente na rua, encontramos outro lugar que também varia suas atividades: pizzaria & karaokê. Deve ser algo. E se chama Mona Lisa. Mas dessa vez, passamos.

Chez François
'A noite, eu e Consorte encontramos cunhada, cunhado, sobrinho. Elodie, a namorada do meu sobrinho, nao pôde vir: quebrou uma costela fazendo faxina no apartamento. Por essas e outras é que no meu apartamento a poeira se acumula e as janelas nem sempre sao completamente translucidas. Faxina é uma coisa perigosa!

Fomos Au Bon Saint-Pourçain, restaurante cujo proprietario é xara' do Chiquinho. =) François é uma figura especial e vem bater papo conosco, pois conhece meus cunhados ha' tempos. Quando me viu, mandou um "bom dia, Brasil!", em bom português, hehehe. O lugar nao tem nem 10 mesas. Desnecessario dizer que a comida é de bater palmas. Você sai de la' imaginado que vai passar o resto da semana sem conseguir comer mais nada, por falta de espaço no estômago - a nouvelle cuisine, com seus pratos elaboradissimos, porçoes geométricas e minusculas nao é algo que os franceses em geral chamem de verdadeira comida, hehehe. Nao mesmo! A cozinha francesa tradicional possui pratos muito, muito bem servidos.

François fala de um jeito engraçado, "à bordo" das suas calças com suspensorios, oculos equilibrados na ponta do nariz ou erguidos no meio da testa, sempre um causo a contar; para os habitués, ha uns copos a mais, por cortesia. Nas duas vezes em que estive là, ele insistiu para que todos ficassem mais, que traria outra garrafa de vinho, por conta da casa; mas nas duas vezes, ninguém ficou: "ja' é tarde"; "amanha acordo cedo" etc. etc. Claro que, se dependesse de mim, a gente ficava la' até a hora de fechar, HAAHAHAH! François conhece o Brasil; conhece Walter Salles, que às vezes janta por là. Por fim, ja' que ninguém fica, ele sai conosco, para continuar a prosa na rua, oras!




- desculpem pela acentuaçao bizarra ou faltante (o teclado é diferente). E pelas fotinhos toscas, hehehe...

domingo, 26 de abril de 2009

Diário de bordo

O Trator vai pegar o caminho da roça e desgovernar em outras paragens até o dia 09 de maio. As postagens continuam, sempre que der, ok?

Beijão a todos!
Ótimo início de semana.

Muito barulho por nada

Sou uma pessoa cheia das manias e neuroses. Uma delas é a ojeriza a barulho de neanderthais, principalmente depois das 10 da noite. O duro é que moro num lugar em que barulho depois das 10 da noite é algo natural, não parece incomodar ninguém. Me pergunto até onde vai a tolerância ao barulho; as pessoas se acostumam?

Tenho vizinhos churras da facul, por exemplo, que são universitários(as) locais ou de outras cidades, apartamento alugado por papai, polegar opositor recém-descoberto. Moram sozinhos(as) ou dividem os quartos com uma galerinha também da facul. Para eles, o mundo passou a existir no dia em que nasceram. Seu espaço é onde estiverem, tudo ao seu redor existe para os servir. Afinal, que outra função tem o mundo a não ser servir o povo churras da facul, certo? O gosto musical varia de acordo com a região da qual procedem, mas invariável é o mau gosto (vanerão, pagode, trilha sonora de Malhação) e os decibéis absurdos na execução das excrescências sonoras, a qualquer hora do dia ou da noite. Arrastar móveis e bater portas são atividades desempenhadas com a mesma frequência que respirar.

O vocabulário não é dos mais elaborados, mas mesmo assim se metem em discussões com agumentos, conceitos e pronúncias dignos do Livro do Recordes da Vergonha Alheia. Ainda ostentam alguns gritos de guerra e sinais mais vetustos do que eu eu, como o "u-hú!" acompanhado pelo hang loose. Falam galerinha, produzem fotos com celular em escala industrial, que geralmente acabam no Orkut, com legendas de acordo – não o ortográfico, obviamente. Os grandes objetivos da vida destes espécimes é terminar a faculdade dando trucão no maior número possível de matérias, ir pra balada, controlar as pontas duplas do cabelo, derreter o dedo na buzina e, se derem chance, tentar abochanhar uma bolsa do ProUni.

Cruzando o alarido insuportável da galerinha churras da facul, está a cacofonia dos playssons, com suas motos mal reguladas explodindo o escapamento, seus carros Gol com camadas e camadas de película e auto-falantes do inferno jorrando os últimos sucessos da Pega Trouxa Records ou as provocações amistosas entre bandos (cada um de um lado da rua), que geralmente se iniciam por um original E aí, mané?!, berrado a plenos pulmões.

O gritinhos miguxos estão presentes na comunicação feminina das duas categorias acima descritas. Mas isso é tema para outra postagem no Trator – por que deixam meninas gritar, desde pequenas, até transformarem-se em mulheres estridentes? Atenção pais e professores! Na versão masculina, é comum aos dois bandos as atitudes-tigrão. Neurologistas especulam que tais atitudes provêm da atrofia de dois órgãos – um deles é o cérebro.

Encerro as humildes e mal traçadas linhas ouvindo um garotinho de uns 3 ou 4 anos de idade gritando na escada do prédio. Mais uma vez, isso não parece incomodar ninguém. E são quase 3 horas da madrugada. Bom, será mais um para as hordas churras na facul e playssons.

sábado, 25 de abril de 2009

Refilmando Tarantino

quinta-feira, 23 de abril de 2009

É tudo inveja!!

Entre notícias sobre a situação do Sri Lanka – que será debatida em infindáveis reuniões até que a população que ainda resta no país seja expulsa –, ficamos sabendo que um terno foi vendido na Inglaterra por mais de R$ 200 mil reais. Diz que foi feito com pashmina, lã de vicunha e fibra qiviuk "retirada do raro boi almiscarado, encontrado no Ártico e na Groenlândia". Arrematando a raridade, nove botões de diamantes e ouro. HAHAHAHAHAAH! Nem continuo para não ouvir que é inveja!

Diz a matéria que o(a) comprador(a) não quer se identificar. Como se houvesse alguma dúvida sobre quem é!!!




Em tempo: na mesma linha, esta outra peça de pano.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Para os desgovernados de São Paulo

Dia 25, sábado:

Aerosmith, Kiss, U2, Rolling Stones, Paralamas, Beatles, Coldplay, Cazuza etc. etc. etc. E sem "toca Raul". O Trator recomenda, indica, passa referências.

Angeli

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sobre os que optam pela lobotomia

Ainda falando sobre raciocínios idiotizados, sobre a opção pelo pensamento lobotomizado, é de deixar assaz e deveras a campanha antitabagista encampada pela RATP, responsável pelo transporte público de Paris.

A situação é a seguinte: existe uma lei francesa de 1991 que, entre outras coisas, proíbe o fumo em locais públicos, assim como a publicidade de cigarros. Jóia. Mas vai daí que a direção da RATP proibiu toda e qualquer imagem que contenha cigarros. Incluindo cartazes com fotos antigas, mesmo que sejam de personalidades de antanho que fumavam. Ou ainda a publicidade de filmes nos quais um dos personagens fume.

Assim, um cartaz da exposição sobre o cineasta Jacques Tati mostra uma foto alterada – o filme mais famoso do cineasta é Meu tio, papel que o próprio Tati representou em 1958. A marca registrada do personagem é o cachimbo. Como na foto da exposição há uma cena do filme, decidiram alterá-la: em vez de fumar um cachimbo, Jacques Tati aparece fumando... um catavento!!! Sim, aplicaram um catavento sobre o cachimbo!!!

A foto original (um escândalo, convenhamos! É o fim dos tempos!):


A foto alterada (ahhhhh! Agora sim! Ninguém será compelido a fumar):


O buzuzu não demorou muito para se espalhar e o próprio criador da lei antitabagista se emputeceu com o absurdo da situação, classificando a atitude de ridícula, de desserviço, pois torna uma campanha séria em coisa patética. Em suma, não é assim que se faz, certo? A RATP não demorou a reagir: agora, proibiu os cartazes do filme Coco avant Chanel. O motivo? É que nele se vê a atriz Audrey Tautou, que faz a estilista francesa, fumando...

Realmente, o FEBEAPÁ é fenômeno planetário. Enquanto houver seres humanos sobre a Terra, ele está garantido!

Mon Oncle – Jacques Tati, 1958




Politburos modernos: a NET TV por assinatura

Eu tinha uma dúvida quanto à inspiração de quem criou as campanhas publicitárias da NET. Sério, o que é aquele pseudomilitar soviético sorridente, bondoso, oferecendo planos de TV por assinatura...? Nos últimos tempos, temos o direito a retirantes das geladas terras da Sibéria sendo acolhidos por soldados e funcionários com a camiseta da empresa e formulários em punho. Que coisa bizarra!

No início, fiquei pensando se a criatura que produziu a ideia tinha noção do que é Sibéria, Guerra Fria, URSS, essas coisas todas. Mas depois de tentar sobreviver ao call center da NET, tive uma revelação, tudo ficou claro, tudo se encaixou! O(a) publicitário(a) que criou esta campanha é alguém de uma honestidade absurda. Além de ter captado a essência da empresa, transmitiu-a aos consumidores de uma forma clara, com conceitos justíssimos. Sim, pois a empresa é o resquício que não se extingue do Politburo, com seus labirintos burocráticos, com profissionais mantidos para que informação alguma seja transmitida, para que as pessoas percam a paciência e desistam de suas dúvidas ou vontade de mudar algo, por menor que seja a mudança. Desistir dos serviços, nem pensar. Não há opções.


Como depois do XX Congresso, a eliminação sumária de descontentes se tornou difícil de sustentar, os burocratas da NET precisaram criar maneiras de enredar as pessoas de forma a neutralizar qualquer movimento. A ordem é quem entra não sai e não se mexe. Se insistir, faremos com que você desista.

Assim, temo por quem criou a campanha publicitária da empresa, pois assim que os "funcionários NET" perceberem a mensagem totalmente clara, consciente, acredito que neutralizarão o elemento, mas sem dúvida! Por enquanto, não devem ter entendido o recado, como é comum a burocratas de quaisquer tempo e lugar.

domingo, 19 de abril de 2009

Seu passado de assistente o absolve...

Conhecem um filme chamado Inesquecível? Produção da terra, de 2007. Hoje vi com Consorte, dando 15 minutos de crédito ao dito cujo. Se em 15 minutos você não se convence pelo filme, é que vem bomba pela frente, meus amigos! E dito e feito. O elenco já não ajuda, com Murilo Benício, Caco Ciocler e Guilhermina Guinle. Fotografia bacana. Mas sabe-se que de boas intenções e fotografia bacana, o Festival do Filme dos Quintos dos Infernos está cheio, certo?

Bom, filminho ruinziiiiiinho, mas muito ruinzinho. Parece que a história foi baseada num romance dos anos 20, autor uruguaio e tal. Devia ter lido o livro... Eeeenfim. Fui assuntar para saber quem foi o diretor daquela compota de figo; pois foi Paulo Sérgio de Almeida, responsável também pelo argumento. Em sua carreira de diretor, ele responde pelos filmes de Maria da Graça Meneghel e outros xurumbambos dos anos 80 como Beijo na boca, Banana Split, Sonho de verão.

Mas salvando a carreira do moço – na minha opinião, bem entendido – está o trabalho como assistente de diretor de Cacá Diegues, em Xica da Silva (1976), e de Neville de Almeida, em Os sete gatinhos (1980) – quem não lembra do Lima Duarte inquirindo: "Quem foi que desenhou caralhinhos voadores na parede do banheiro?".



Sobre Cacá Diegues, não sou fã fervorosa, mas alguns dos seus filmes setentões são muito bons. O estapafúrdio Xica da Silva pra mim é um deles. Além da maravilhosa Zezé Motta, Stepan Nercessian com 20 e poucos anos, Elke Maravilha, José Wilker, Walmor Chagas. Aliás, até ao derrière do Walmor temos direito! – que não era mau em 1976, pelo que se constata nas imagens... eu só nunca entendi como é que um contratador de diamantes do século XVIII exibia uma marca de sunga, mas tudo bem. A música tema é de Jorge Ben (na época sem o "Jor").



(Cortaram a cena. Bah!)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lula em South Park e as "análises sérias" sobre o fato

E o presidente virou personagem do South Park que foi ao ar nesta semana. O desenho, como sempre, é de rolar de rir. Mais que o desenho, comentários e "análises" provocam riso frouxo. Há as hordas de diogos mainardis revirando os olhos e lamentando a que ponto chegamos. Li cometários no YouTube alertando que o "Império" quer exercer seu poder sobre o Brasil, pois o Lula nada diz em algumas sequências (mensagem subliminar, né? "Lula, não fale", HAHAHAHAH!). Há os que acreditam que Lula aparece em silêncio pois não sabe falar inglês e por aí vai o festival de besteira que assola o país, brilhantemente definido há mais de 40 anos por Sérgio Porto.

Como dizia Xkñ, seja como for, nenhuma figura política brasileira foi tão popular e reconhecida. Sobre os problemas de seu governo, é outra história, certo? Mas certamente vai ter quem ache que faltou discutir a CPI dos Grampos no episódio do desenho animado! Contagem regressiva para mais comentários ridículos que encherão o mês inteiro. Em 9, 8, 7, 6, 5...



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Já disseram isso. E bem melhor!

Dia desses, recebi um email endereçado ao Trator; havia uma pergunta: "você é trekker?". Hehehe... Quem, eu? De onde será que tiraram a ideia, né? Bom, não sou trekker do tipo que passa a vida tentando explicar que falhas em determinados episódios se justificam por causa disso ou daquilo, tampouco sou do tipo que não admite piadas sobre os personagens e tal (creiam-me, há tipos assim!). Pelo contrário, acho que material pra piada ali tem, e de sobra! Mas mais que isso, há as coisas sensacionais que a ficção científica de qualidade permite.

Estava revendo pela milionésima vez um episódio chamado Pão e circo, de 1968. Resenha rápida: num planeta similar à Terra (como não podia deixar de ser), desenvolveu-se uma civilização igual à Roma da Antiguidade. Só que, ao contrário de Roma, este império não caiu. Continuou firme e forte, contendo rebeliões de escravos graças a leis trabalhistas, AHAHAHAHAH! Sim, os imperadores da quizumba perceberam que não era o caso de alimentar conflitos internos; assim, concederam alguns direitos aos cativos trabalhadores, incluindo uma espécie de plano de saúde. E para garantir que as pessoas continuassem no lugar delas, sem grandes questionamentos existenciais, um gigantesco aparato televisivo era responsável por transmitir diariamente lutas de gladiadores e demais competições ao vivo. O narrador dos programas repetia que "você decide quem será o vencedor!"...

Eu fico assaz e deveras ao pensar que, depois de 41 anos, ainda tem quem ache que faz análises brilhantes e inovadoras sobre a sociedade atual, trabalho, meios de comunicação, blablablá. E isso em páginas e mais páginas chatérrimas ou entrevistas cheias de poses e vejes bem. Bah!!!! Mas fico com Jornada nas Estrelas sem titubear (sempre quis usar titubear em alguma frase!).

Além do mais, o episódio tem uma das melhores discussões entre Spock e McCoy, com o melhor "Really, doctor?" de todos os tempos!!!!



quarta-feira, 15 de abril de 2009

A medonha Semana Santa

Passada a época de massacres em supermercados por causa dos infames ovos de chocolate e das duvidosas máscaras de coelhos, fico refletindo sobre as tradições da tal Semana Santa (em vez de ir passar a roupa que se acumula).

Dos feriados, acho que era o que eu mais detestava quando criança, pois embolava o estômago aquela profusão de "jesuses" crucificados, filmes e encenações que você já sabia que acabariam mal – Jesus não conseguiria fugir, tampouco seria teletransportado. Gente se penitenciado de todas as formas também contribuíam para o mal-estar geral. Era como ter acordado dentro de um filme do Pasolini.

E aí, ganhava-se chocolate. Quem não gosta de ganhar chocolate, certo? Mas o que realmente se comemorava, eu nunca entendia. Óbvio que ninguém explicava às crianças sobre antigas festas pagãs e religiosas, blablablá. Era necessário criar um amálgama na cabeça para absorver o delírio do mundo ao redor.

Pra completar a festa do caqui, cenas das encenações "da paixão" mundo afora, com destaque para os farricocos. Eu abomino os farricocos, que me desculpem os organizadores das festas, não é nada pessoal, mas aquilo parece a Ku Klux Klan!!! – para evitar processos por difamação, deixo bem claro, estou falando do aspecto das figuras, certo? A justificativa é a tradição. E desde quando tradição virou sinônimo de coisa boa, oras?


A história de Semana Santa que eu mais gosto é sobre uma dessas encenações da Via Crucis, que lá pelos anos 50 também se faziam em circos pequenos, daqueles bem mambembes. Vai daí que o ator que interpretava o guarda romano se empolgou com o papel e acertava o pobre Jesus com muita força. O ator que fazia o "filho do Homem" se emputeceu com os repetidos golpes e desceu o braço no algoz. Acertou um direto, bem no meio na cara do romano de saiote, para o delírio da platéia. Romano e Jesus rolaram pelo picadeiro, até que os palhaços vieram separar a refrega. Meu pai, de calças curtas à época, foi testemunha ocular do fato.

Maurice Druon

E se foi o escritor francês Maurice Druon. Sua obra mais conhecida é a série Os reis malditos. O escritor chegou a ser Ministro da Cultura de seu país e não foi muito apreciado no cargo. Não é dos 10 mais conhecidos atualmente por aqui, mas a minha geração desgovernada o conhecia por ter lido O menino do dedo verde nas aulas de português, no início dos anos 80.

O livro foi escrito em 1957 e conta a história do menino Tistu, que dormia nas aulas e fazia flores brotarem onde tocasse. Ele fez flores brotaram num hospital, em bairros pobres, na fábrica de canhões do pai (Sr. Papai), no presídio. Me lembro da descrição dos presos vestindo uniformes com listras, cabeças raspadas e andando em círculos. Achei aquilo sinistro! E tinha uma ilustração, se não me falha a memória, do próprio autor. Também lembro que Tistu morava na Casa que Brilha, na qual tudo brilhava muito, claro, incluindo as unhas cor-de-rosa de Dona Mamãe, HAHAHAHA! E o menino tinha um pônei chamado Ginástico (juro, o pônei tinha esse nome!).


Mesmo com todas as mensagens pacifistas do livro, o que mais me marcou foi o maldito e detestável presídio, do qual os presioneiros não mais mais queriam fugir, pois ficou coberto de flores... Foi também neste livro, na biografia do autor, que eu soube que um dia existiu um movimento chamado Resistência. Não foi dos livros que deixaram as melhores lembranças, mas, como sempre, posso estar exagerando. Alguém mais lembra do livro?


Filmes chatos

Há coisas cujos critérios para se gostar são pessoais e intransferíveis. Filmes, por exemplo, gosta-se ou não, não tem essa de como assim você não gostou daquele filme do Bergman?. Quando você não gosta de um filme, não gosta e pronto. Às vezes, acham que você não gosta para ser do contra ou por que se acha melhor que os outros mortais... E é apenas uma opinião, não uma análise, oras!

Seja como for, tenho a minha lista de filmes que achei muito, mas muito chatos! Um dos bem colocados é O paciente inglês. Vi-o com Jajá e lembro que saímos duas vezes para fumar; da metade para o final, para não dormir, ficávamos adivinhando qual seria a próxima cena – não durou muito, pois ele realmente dormiu por uns 10 minutos. Mas ficamos até o fim, até para saber quais foram os responsáveis técnicos por aquela chatice.

Adoro um episódio do Seinfeld, no qual Elaine Benes quase apanha das pessoas, pois ela não gostou do filme. Ninguém mais quer falar com ela, é desprezada e perde o emprego por ter odiado o filme. Eu entendo a pobre Elaine e muito!

Seinfeld/"The English Patient", 1997



sábado, 11 de abril de 2009

Muppets & Alice Cooper

.

(1978)

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Desgovernando de casaquinho angorá


Em 1953, estreou o filme Glen or Glenda?, do desgovernado Edward Wood Jr., diretor/produtor de filmes B. E neste circuito B, tudo servia de roteiro. O tema original do filme era a vida de um travesti, mas acabou tomando o rumo de um pseudodocumentário sobre travestis e crossdressers. Adepto da prática na vida real, o próprio Ed Wood interpretou o personagem principal.

Cheio dos efeitos bizarros, interpretações cafonérrimas, teorias científicas do além e intervenções de Bela Lugosi, os diálogos e a narração do filme repetem que cada um deve ser como bem entender e que "cada caso é um caso", o que não permite generalizações.

Fico aqui ruminando que, passados 60 anos da estreia do filme, ainda há platéias que ficariam chocadas, HAHAHAAHAH! Sim, pois ainda tem gente que se incomoda por coisas inacreditáveis!



quarta-feira, 8 de abril de 2009

Chill Out

John Lee Hooker/ Carlos Santana (1995)

Dança da Solidão

Paulinho da Viola/Marisa Monte


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pierre Berton

Pierre Berton foi um dos mais populares historiadores e jornalistas canadenses do século XX. Foi um dos mais respeitados também. Adorava gatos, criticou as instituições religiosas, escreveu para crianças, sobre cultura popular. Dá nome a um prêmio conferido aos melhores trabalhos sobre história canadense.

Também conhecido pelo bom humor, sempre tinha (tem) algo a ensinar. Como o Trator Desgovernado apoia a difusão do conhecimento, sempre, aí vai:


domingo, 5 de abril de 2009

É de deixar azabumbado...

Uma semana sem ver telejornal de qualquer espécie. Decidi dar uma espiada e me lembrei de por que não consigo mais ver programa de notícias: "E no próximo bloco, o brasileiro vítima de um atirador nos EUA! Até já!" – anunciado como se se tratasse da vitória da Seleção.

"O horror! O horror!"

Aí, o currículo do rapaz, pessoas próximas chorando, falando sobre ele etc. e tal. É óbvio que é uma notícia horrorosa, uma brutalidade, causa sofrimento para os próximos das vítimas, deixa todo mundo chocado pela violência. É óbvio que situações dessas não podem ficar impunes, esquecidas como se nada fossem. Mas personalizar a tragédia desse jeito serve para quê? Para sensibilizar as pessoas de que foi um fato horrível porque cometido contra um brasileiro? Por que é mais fácil se solidarizar, se sentir triste, por quem tem nome e era um dos "filhos deste solo"? Um ser humano anônimo, ou muitos deles, vítimas de violência todos os dias não merecem solidariedade por que estão longe, é isso?

Ah, pro inferno com essas notícias!

E repito, é óbvio que se trata de algo horrível, não deve passar como se nada fosse – mas outras coisas terríveis não deveriam passar como se nada fossem. Deveriam conquistar a solidariedade e levar a revolta e ações da mesma forma, não?

"O horror! O horror!"

Ah! Protestos sobre a falta de sensibilidade desta que aqui escreve podem ser enviados para trator.desgovernado@gmail.com

sexta-feira, 3 de abril de 2009

'Eu não tenho nada a ver com isso, não quero me comprometer'

"Jornalismo" chapa branca é algo que acomete os veículos de comunicação nacionais, mas de uma maneira absurda. Atinge até página de moda!

Quando há primeiras-damas, presidentes, ministras, embaixadoras e afins reunidas aos montes num mesmo evento, lá vem a página anunciando o estilo das dirigentes mundiais.

Temendo se comprometer, quem monta as matérias (de importância capital, frise-se) não faz comentários, apenas descreve o que vê na foto. Por exemplo, página do Uol Estilo:

A primeira-dama norte-america (sic) Michelle Obama combinou vestido azul Jason Wu com cardigã xadrez assimétrico Junya Watanabe e sapatos Jimmy Choo. Já Sarah Brown, mulher do primeiro-ministro inglês Gordon Brown, apostou em conjunto Graeme Black com meia-calça preta
Ah, por favor!!!!!! Isso é medo de perseguição política? HAHAHAAH! Não se deem tanta importância, editoralistas de moda de sites! Cá pra nós, bunda-molice tem limite! Olhando bem a foto, dando uma conferida geral nos dois visuais primeira-damísticos, o comentário mais adequado, de acordo com o Trator, é :
Meninas, não ornou! Michelle Obama é o máximo, mas parece que se vestiu para um baile da Liga Cívica das Senhoras Americanas dos anos 50! Já a Sarah Brown parece uma inglesa que tentou se arrum... ãh... esquece!

Da série: Star Trek – direto ao ponto

|http://echosphere.net/star_trek_insp/star_trek_insp.html|

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Festejando o 1º de Abril

Para comemorar a data como manda a tradição, quer dizer, na base da pândega e das galhofas, zombeteiros deputados do estado de Santa Catarina aprovaram um projeto que determina a redução de áreas de mata ciliar a serem preservadas, chamadas áreas de preservação permanente (APP).

Afirmando que o Código Ambiental Brasileiro não utilizou critérios científicos para a determinação de 30 m de área preservada às margens dos rios, o projeto do deputado Romildo Titon (PMDB) prevê que em Santa Catarina essa extensão seja reduzida para 10 ou 5 m, dependendo do tamanho da propriedade rural pela qual passem cursos de água. Produtores rurais apareceram em caravanas para apoiar a idéia.

A turma que argumenta que não haverá alimentos para todos se essa medida não for tomada já está a postos. E muitos imaginam que quem é contra tal projeto foi "treinado em Cuba", fazendo reviver aquelas expressões supimpas de 50 anos atrás, no melhor estilo Tradição - Família - Propriedade.

Obviamente que pequenos produtores precisam – há muito tempo – de incentivos, leis que protejam sua atividade, para que dela possam viver decentemente. Para mim, a solução chama-se reforma agrária – expressão que também deve estar virando gíria paleolítica: tá fora de moda falar em reforma agrária, né? Atualmente, só falo dela vestindo calça baggy...

Para além destas discussões (como dizia a professora Marionilde), o projeto do PMDB catarinense contraria a legislação federal. O que também não é nenhuma novidade, já que, de norte a sul, vivemos na mesma república dos governadores de 100 anos atrás. E já que, quanto maior for a confusão de leis, "melhor", mais oportunidades aparecerão para fraudes, com mais avais jurídicos para o estelionato geral.

E não, isso não é incompetência. É o próprio projeto político para o país, construído dia a dia, que se fortalece, finca suas raízes. Nada fácil de derrubar, pois é muito bem articulado. Nas palavras de Nelson Rodrigues: "subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos!"

O tal projeto ambiental e seus substitutivos precisam ser sancionados por sua excelência o governador de Santa Catarina. Aprova-lo-á? Vejamos o que ele pensa sobre meio ambiente, economia, turismo desenvolvimento – e, desconfio seriamente, sobriedade. Seus eleitores podem se sentir orgulhosos!



* na Folha online
* no Diário Catarinense

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quem é?

Valendo a maria-mole rosa de cada dia. Atriz, com 19 anos nesta foto.

Reclames

A Ikea é uma fabricante de móveis sueca. Entre outras, se especializaram numa série de móveis para quem mora em espaços muito pequenos. E também em peças publicitárias desgovernadas:



("Muitos móveis? Ikea: solução para pequenos espaços")