No mês passado, houve pagação de mico pela Secretaria de Educação de SP, ao distribuir a alunos do ensino fundamental (7-10 anos ) um livro que não foi escrito para crianças. Não é o caso de proibir o livro, temendo a corrupção das pequenas mentes; os autores são geniais, o tema idem e quadrinhos & crônicas são sempre bem-vindos. Mas se pagam uma equipe pedagógica para selecionar livros a serem enviados a determinada faixa etária, era o caso de fazer este povo trabalhar, não? O papo do "engano" é patético, pois em março foram recolhidos pela mesma secretaria livros de geografia com informações totalmente erradas. Já é ruim um livro didático marca chinelo sair de uma editora; mas uma secretaria de educação escolher o dito cujo só mostra o que se pensa da escola pública por aqui.
Já a zelosa Secretaria de Educação de Santa Catarina faz o caminho inverso (o Cláudio me enviou a "bomba" lá da terra de Berlusconi): distruibuiu em escolas de ensino médio (alunos 14-17/18 anos) o livro Aventuras Provisórias, de Cristóvão Tezza. E depois recolheu-os. No sábado, vi entrevistas do secretário de educação de SC, e o festival de penúria mental se espalhou. Nem consigo imaginar qual teria sido o último livro que este senhor leu. "Auxiliares pedagógicas" também desfiaram seus rosários de despreparo e moralismo, em nome da boa educação no estado. Ah, sim! Por que recolheram o livro? Por conta de "palavras chulas" e porque a relação sexual é tratada de "maneira banal" pelo autor. Isto é só o começo. Tem mais:
Sensacional o fato de não solicitarem alterações na obra, não acham? Melhor ainda é a ideia de que é preciso moralizar o ensino, muito mais que oferecer ensino de qualidade – o que exige gente competente, certo? Também dão arrepios expressões como banir e extinguir. Fica parecendo que a preocupação central da educação é banir palavrões e imagens de sexo das escolas – como se isso fosse garantir educação de qualidade aos alunos e respeito aos profissionais. E estes contra-sensos são bradados, repetidos e adotados em nome da "educação dos jovens". Ai, que tristeza, que tristeza!— O vocabulário é exagerado e essas palavras, queremos extingui-las da boca dos alunos, banir do ambiente escolar (Maria Gorete da Silveira, assistente técnico-pedagógica).
– Apesar de ser uma obra de um autor conhecido, premiado, e o livro indicado para o vestibular, usa palavreados "baixos". Se querem moralizar o ensino, é preciso cuidar. O sindicato considerou irresponsável a distribuição desse livro (Janete Medeiros, coordenadora regional do Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Santa Catarina).
— Esta foi uma lição para nós. Não temos nada contra o autor e não vamos solicitar que a obratenha seu conteúdo alterado. Afinal, o processo criativo e a produção literária têm que ser preservados e respeitados (Antônio Pazeto, diretor de Educação Básica da Secretaria de Estado da Educação)
Mas já que é para se fazer uma cruzada em nome da moralização do ensino, na qual obcecados e obtusos julgam livros por palavrões e cenas de sexo que contenham, então, é preciso começar do zero, não? Seguindo esta lógica, já podemos proibir obras de Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Raquel de Queiróz, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo, Jorge Amado, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Luis Fernando Verissimo, Hilda Hilst... vão completando a lista aí. Depois, pode-se organizar uma fogueira e destruir as ameaças à juventude sadia deste Brasil varonil!
Resposta de Cristóvão Tezza à proibição – leia aqui.
Não conhece o autor? Não seja por isso – aqui.
A matéria sobre a proibição – aqui
Para ver agora: Fahrenheit 451
(dir.: François Truffaut, 1966)




2 desgovernando |E você, o que diz?|:
Fui lendo o post e já pensando, a Lyl's bem podia ter colocar algum trecho do Fahrenheit... tsc,tsc.
Bem, sem mais pelo momento, atenciosamente... hehehe.
Agora estas histórias de educadores! Acaba de me dar uma idéia para um roteiro e vai se chamar "All quiet in all the fronts" Este mundo gira e gira e não sai do lugar!
Me chama pra ser sua assistente, Xkñ!
Ah! Um 'happy' na semana?
Beijos!
=)
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