Em 1943, um escritor gaúcho de 38 anos foi atacado pela igreja católica por conta de seu último livro publicado. Pelos jornais, um padre pedia que o presidente Getulio Vargas mandasse expulsar do país o autor, assim como queimasse todos os seus livros. Em São Paulo, um jovem crítico literário e professor assistente da USP, com 26 anos, colaborador do jornal Folha da Manhã, escreveu um contundente artigo em defesa do escitor gaúcho. Em linhas gerais, dizia que o que escrevera o gaúcho nada mais era que a realidade que se via pelo país, que necessitava sim de mudanças e drásticas (entre várias outras coisas).
O texto não foi publicado pelo jornal, cuja diretoria amarelou perante a censura do governo Vargas. O autor gaúcho nunca soube da defesa que o jovem paulista fizera. 66 anos depois, aquele jovem emputecido com as arbitrariedades nacionais, atualmente professor aposentado da USP, com 91 anos de idade, toma a palavra novamente para defender a ideia geral de que mesmo com opiniões contrárias, nada justifica o uso da força para silenciar quem que seja. Com a mesma lucidez e a mesma dignidade.
Quem é este senhor? É o professor e escritor Antonio Candido. O autor gaúcho que ele defendeu em 1943 era Erico Verissimo. E a situação sobre a qual ele veio a público falar foi a da polícia chamada para conter manifestações estudantis recentemente na USP.
Concordo que grande parte das lideranças estudantis está atualmente desacreditada. Que muitas das greves não tem mais razão de ser do jeito que tem sido nos últimos tempos. Mas daí a resolver problemas educacionais e políticos na porrada vai uma enoooorme distância. Em nome da "manutenção da ordem", o que mais se vê atualmente é a polícia convocada para resolver todo e qualquer problema. Até em escolas de ensino médio isso ocorre! Pior de tudo? Quem começa a pensar que este é o melhor caminho mesmo, a política do "não concordo, desço o cacete!". Na década de 1910, "otoridades" diziam que no Brasil a questão social era caso de polícia. Parece que tem quem queira voltar no tempo para assinar embaixo; e acreditando que está dando o último grito da civilidade do século XXI (uma coisa meio José Sarney da vida...).
Para quem não conhece o professor Antonio Candido, aqui está. Não é necessário ver o vídeo inteiro, até por que o áudio fica terrível aos 3:52; mas quem não conhece, fica sabendo quem é.
O texto não foi publicado pelo jornal, cuja diretoria amarelou perante a censura do governo Vargas. O autor gaúcho nunca soube da defesa que o jovem paulista fizera. 66 anos depois, aquele jovem emputecido com as arbitrariedades nacionais, atualmente professor aposentado da USP, com 91 anos de idade, toma a palavra novamente para defender a ideia geral de que mesmo com opiniões contrárias, nada justifica o uso da força para silenciar quem que seja. Com a mesma lucidez e a mesma dignidade.
Quem é este senhor? É o professor e escritor Antonio Candido. O autor gaúcho que ele defendeu em 1943 era Erico Verissimo. E a situação sobre a qual ele veio a público falar foi a da polícia chamada para conter manifestações estudantis recentemente na USP.
Concordo que grande parte das lideranças estudantis está atualmente desacreditada. Que muitas das greves não tem mais razão de ser do jeito que tem sido nos últimos tempos. Mas daí a resolver problemas educacionais e políticos na porrada vai uma enoooorme distância. Em nome da "manutenção da ordem", o que mais se vê atualmente é a polícia convocada para resolver todo e qualquer problema. Até em escolas de ensino médio isso ocorre! Pior de tudo? Quem começa a pensar que este é o melhor caminho mesmo, a política do "não concordo, desço o cacete!". Na década de 1910, "otoridades" diziam que no Brasil a questão social era caso de polícia. Parece que tem quem queira voltar no tempo para assinar embaixo; e acreditando que está dando o último grito da civilidade do século XXI (uma coisa meio José Sarney da vida...).
Para quem não conhece o professor Antonio Candido, aqui está. Não é necessário ver o vídeo inteiro, até por que o áudio fica terrível aos 3:52; mas quem não conhece, fica sabendo quem é.


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