terça-feira, 30 de setembro de 2008
Bolsa de valores
Escutei de "êmebiêi em administração em gestão empresarial em nível de agregação de valores" que economia não era um assunto a ser tratado assim como eu imagino – ou seja, nada que eu, reles eu, pudesse discutir. Por exemplo, entender a "mão invisível do mercado" como uma concepção historicamente estabelecida, propagada por interesses bem específicos, e não como lei natural imutável, só mostraria a minha absurda ignorância sobre o assunto.
Então, queria saber como estão explicando o atual furdunço financeiro...
Coisa que me deixa assaz e deveras: a rapidez com que governos socorrem banqueiros e especuladores, com medidas de emergência, decretos, o escambau. Quando se trata de transformações sociais efetivas (saúde, educação, distribuição de renda, reforma agrária), aí as coisas não são bem assim, é necessário estar planejando, para definir equipes que definam estratégias para a contratação de outras equipes que definam metas que possam estar sendo atingidas num prazo ideal de transição definido de acordo com a...
domingo, 28 de setembro de 2008
Dúvidas variadas
* Por que noticiários (impressos, televisionados, on-line...) utilizam a frase "morre fulano", com o verbo no presente? Morre aos 102 a atriz Dercy Gonçalves; morre em Paris YSL; morre o ator Paul Newman... É para dar mais destaque ao fato? É o tipo de coisa que só acontece uma vez com cada vivente, certo? Famoso ou não. Então, já aconteceu. Qual é lógica?* Por que equipes de telejornalismo sentem a necessidade de informar como se fossem adultos imbecis conversando com bebês? E desde quando caras, bocas e pronúncias bizarras conferem seriedade ao conteúdo apresentado? E por que escalam poetas [péssimos] frustrados para reportagens esportivas?
* Há estatística para saber se jingle cafona em alto-falante de carreata garante mais votos a políticos? Ou é a "força da tradição"? Algo como se ajudou o Jânio em 1960, pra que fazer diferente, né?
* Quando eu era criança em idade escolar, no século passado, aprendi que não adianta plantar uma árvore acreditando que ela vai capturar todo o CO2 do entorno e devolver O2 e consciência tranqüila aos terráqueos consumidores. O que houve com o ensino de "ciências"? Involuiu em 30 anos? Com a facilidade de acesso à informação que se tem atualmente?
* Alguém, um dia, usou o 0% e deu certo: 0% de juros em vez de sem juros; 0% de entrada em vez de sem entrada; 0% de açúcar em vez de sem açúcar e por aí vai. Já é ridículo, mas tudo bem. Agora, há "adição de 0% de açúcar". HAHAHAHAHAHA! E tente corrigir uma frase dessas! Definirão você como criatura paleolítica, sem sutileza mental para compreender a beleza da sacada genial da publicidade do mundo moderno-globalizado-proativo...sábado, 27 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Ah, vamos transmitir um debate aí...
Ontem, a TV Barriga Verde (sim, chama-se assim!), da Rede Bandeirantes de Televisão, tentou promover um debate entre os candidatos à prefeitura de Florianópolis. E o que se viu foi um nível de amadorismo assustador.
Começando pelo presidente da TV BV, que, antes do debate, apareceu com um discurso desconexo que começou com "Florianópolis está para o Brasil assim como Mônaco está para a Europa".
Quem mediou a tristeza foi Vânio Bossle, que comanda a redação da emissora – já li que é aposentado da Assembléia Legislativa; não sei se procede, mas leva o maior jeito. É um tipo que costuma desfiar um festival de opiniões pessoais medíocres e preconceituosas, expressas num português que provoca vergonha alheia. Aposto que quando esquece alguma palavra, substitui por "coiso". Mesmo que se concorde com alguma opinião do sujeito, qualquer que seja, certamente não será pelos mesmos motivos que os dele.O cenário do debate não dispunha de bancada, mesa ou qualquer outro suporte. Ficaram os candidatos empoleirados em cadeirinhas minúsculas, alternadas com vasos verdes no chão – um toque Changing Rooms talvez... Alguém deve ter pensado: "E se a gente colocasse uns vasos verdes no chão, fica bossinha, né?" "Ótima idéia!".
Os microfones do Nildão (PT) e da Ângela Albino (PC do B) falhavam. E enquanto esta candidata respondia a uma questão, ouviu-se um estouro no estúdio; ninguém se manifestou. Foi Ângela Albino quem teve que explicar o que acontecia, pois o apresentador devia estar babando em algum canto. Dizia ela: "Pedimos desculpas, ouve um problema aqui no estúdio...", quando o Bossle acordou e interrompeu: "Não teve problema não, foi a lâmpada, a lâmpada!"
Isso sem contar que o sujeito sequer sabe o que é direito a réplica num debate. O atual prefeito e candidato a reeleição, Dário Ficha Suja Berger, se recusava a responder sobre os processos no MP contra ele. Em vez disso, soltava frasezinhas do tipo "eu não terminei tais e tais obras porque a candidata Ângela Albino votou contra quando era vereadora, senhores telespectadores. Ela responde a processo por caixa 2." E arrematou com um ridículo "você não é santa!". A candidata pediu tempo para réplica. Vânio Bossle não entendia; quando o advogado do programa informou que o pedido procedia, ele passou a palavra à Angela Albino, que começou respondendo sobre o caixa 2 que nunca existiu, blablablá. Mas Vânio, muito ciente de suas atribuições como mediador de debate político, aprumou as penas e largou: "Não, não, não! Tem que responder sobre o que o candidato disse, que a senhora não é santa!"Aaaaaaaiiii, meus sais de bário! Que tristeza! No meio de tanta patacoada, a participação dos candidatos foi o de menos. Desapareceu no amadorismo, na falta de noção e na certeza que tem a emissora que aquilo é jornalismo sério. Não se trata nem de conservadorismo – se trata de ignorância e idéias ordinárias.
Em tempo:
* durante o debate, alertava-se que o dito não poderia ser reproduzido (rádio, televisão internet etc.); caso isso ocorra, a emissora recorrerá a processos judiciais e blablabla... Mas de que caverna saiu essa equipe de televisão?????
* pelo jeito, foi a RBS TV (Globo) que lançou o décor "candidatos entre vasos"... Eles optaram pela linha futurista, combinando luzes e transparência, né? Já a TV BV apostou na tradição da opacidade (mental e do cenário). Tudo muito assaz e deveras...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Acharam umas notícias no lixo...
... e decidiram publicar

*Na boa: acho que herr Dorflein deve ter sido um cara bacana, tratava de ursinho e tudo o mais. As pessoas que eram próximas, parentes e amigos devem estar tristes. Mas daí a publicar nota por aqui, com direito a "Adeus" na chamada é demais, né?! É falta de notícias pelo mundo, excesso de espaço no jornal ou o quê?

*Idem.
*Agora é assim: você cansou das palavras cotidianas? De conceitos já consagrados pelo idioma? Não perca mais tempo! Invente suas próprias palavras e expressões, oras! Por exemplo: uma banda cancelou um show? Fale do "não-show" da banda. Simples.
Uma amiga me contava outro dia que, em determinada disciplina das ciências humanas na universidade, não se pode mais dizer contexto – é, a coisa funciona assim, "não pode!". Em vez disso, devem ser utilizadas palavras como mecanismos, meios, representação. Nada contra estes outros termos, mas se já há um conceito consagrado, por que não utilizá-lo? Pura embromação acadêmica, com discussões (remuneradas) que duram aaaaannnnoooosssssss, para se dizer a mesma coisa com expressões diferentes! Ah, sim, tudo em nome do não-aprisionamento teórico-conceitual, claro.

*Na boa: acho que herr Dorflein deve ter sido um cara bacana, tratava de ursinho e tudo o mais. As pessoas que eram próximas, parentes e amigos devem estar tristes. Mas daí a publicar nota por aqui, com direito a "Adeus" na chamada é demais, né?! É falta de notícias pelo mundo, excesso de espaço no jornal ou o quê?

*Quedê-lhe o FED que não ouve Barbara Abramo? Senhores economistas, o trânsito de Vênus está provocando chacoalhadas viscerais e vocês nem se dão conta! Bom, e depois de ler isso, minhas vísceras é que estão chacoalhando, facilitando o trânsito esofágico...
*Idem.
*Agora é assim: você cansou das palavras cotidianas? De conceitos já consagrados pelo idioma? Não perca mais tempo! Invente suas próprias palavras e expressões, oras! Por exemplo: uma banda cancelou um show? Fale do "não-show" da banda. Simples.Uma amiga me contava outro dia que, em determinada disciplina das ciências humanas na universidade, não se pode mais dizer contexto – é, a coisa funciona assim, "não pode!". Em vez disso, devem ser utilizadas palavras como mecanismos, meios, representação. Nada contra estes outros termos, mas se já há um conceito consagrado, por que não utilizá-lo? Pura embromação acadêmica, com discussões (remuneradas) que duram aaaaannnnoooosssssss, para se dizer a mesma coisa com expressões diferentes! Ah, sim, tudo em nome do não-aprisionamento teórico-conceitual, claro.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Efeitos da pronunciação II - o "ouvirundum"
Ainda sobre origens de nomes, minha vizinha da ilha de cima contou que há um bairro em Londres chamado Elephant and Castle – que seria uma corruptela de Infanta de Castilla. Pois deve seguir a lógica da expressão cuspido e escarrado, né? Que dizem ter vindo de "esculpido em Carrara" (o mármore de Carrara): os bustos esculpidos no mármore eram "parecidinhos-assemelhados" aos modelos que posavam. Assim, quando havia alguém muito parecido com outro alguém, dizia-se que fulano era a cara do outro, como se fosse esculpido em Carrara. Que foi se transformando, deformando, até chegar a cuspido e escarrado (além do que, nojento, AHAHAHA!). Mas Luís da Câmara Cascudo diz que a origem da expressão está em "esculpido e encarnado". E se mestre Cascudo disse, então, tá falado, né?
Mas aí, já nem é mais má pronunciação. É puro ouvirindum, embromation, quer dizer, aquilo que você acha que ouviu e adapta. Exemplo: a música Alagados, dos Paralamas do Sucesso. Vai dizer que sem a letra na frente, você acerta o refrão de primeira? Ou então, aquela música em inglês, que se canta emendando sílabas e palavras que não tem absolutamente nada a ver, para acompanhar a melodia.
Uma adaptação que ficou engraçada e que perdura – sei lá, desde o Brasil Império? – é a musiquinha Passa, passa gavião, todo mundo é bom... As lavadeiras fazem assim, as lavadeiras fazem assim... Assim, assim. Que raio de sentido faz essa música? Pois a dita cuja vem de uma cantiga francesa antiquííííssima, que falava que sobre a ponte de Avignon todos dançam en rond (em roda); e há gestos para mostrar que os cavaleiros fazem assim, as damas fazem assim, os sapateiros fazem assim e as lavadeiras fazem assim – quer dizer, cada segmento social dança de um jeito (momento história social, AHAHAHAHAHA!)
Outra é a do tipo pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré... Vem de marais, que quer dizer dizer pântano, terreno alagado. Era um pobre do bairro do Marais, em Paris (que já foi um alagadão).
Criança adota o ouvirundum o tempo todo, alguns exemplos até apareceram no Trator, né? Do tipo Golberydo Couto e Silva ou Educação, Moral e Cívica, HAHAHAAH! Consorte quando era pequenininho, ouviu que o avô estava de cama, por causa do ciático (au lit, au cause de la ciatique). Beleza, informação registrada. Um dia, perguntaram a pequeno consorte como estava o vovô. E ele respondeu: na cama com a asiática (au lit, avec la asiatique)...
Nos anos 80, alguns cantores alemães pop fizeram sucesso mundial, como Nina Hagen, Trio, Nena ou Falco (este era austríaco, mas não importa). E a gente cantava junto, oras! HAHAHAHA!
Mas aí, já nem é mais má pronunciação. É puro ouvirindum, embromation, quer dizer, aquilo que você acha que ouviu e adapta. Exemplo: a música Alagados, dos Paralamas do Sucesso. Vai dizer que sem a letra na frente, você acerta o refrão de primeira? Ou então, aquela música em inglês, que se canta emendando sílabas e palavras que não tem absolutamente nada a ver, para acompanhar a melodia.
Uma adaptação que ficou engraçada e que perdura – sei lá, desde o Brasil Império? – é a musiquinha Passa, passa gavião, todo mundo é bom... As lavadeiras fazem assim, as lavadeiras fazem assim... Assim, assim. Que raio de sentido faz essa música? Pois a dita cuja vem de uma cantiga francesa antiquííííssima, que falava que sobre a ponte de Avignon todos dançam en rond (em roda); e há gestos para mostrar que os cavaleiros fazem assim, as damas fazem assim, os sapateiros fazem assim e as lavadeiras fazem assim – quer dizer, cada segmento social dança de um jeito (momento história social, AHAHAHAHAHA!)
Outra é a do tipo pobre, pobre, pobre de marré, marré, marré... Vem de marais, que quer dizer dizer pântano, terreno alagado. Era um pobre do bairro do Marais, em Paris (que já foi um alagadão).
Criança adota o ouvirundum o tempo todo, alguns exemplos até apareceram no Trator, né? Do tipo Golberydo Couto e Silva ou Educação, Moral e Cívica, HAHAHAAH! Consorte quando era pequenininho, ouviu que o avô estava de cama, por causa do ciático (au lit, au cause de la ciatique). Beleza, informação registrada. Um dia, perguntaram a pequeno consorte como estava o vovô. E ele respondeu: na cama com a asiática (au lit, avec la asiatique)...
Nos anos 80, alguns cantores alemães pop fizeram sucesso mundial, como Nina Hagen, Trio, Nena ou Falco (este era austríaco, mas não importa). E a gente cantava junto, oras! HAHAHAHA!
Falco – Der Kommissar, 1982
Trio – Da Da Da, 1982
Trio – Da Da Da, 1982
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Efeitos da lendária má pronunciação
A origem dos nomes de alguns locais já fez proliferar lendas e histórias estranhas – além de descontentamento, se alguém discordar de alguma versão corrente, hehehehe.
No norte de Curitiba, existe um bairro chamado Bacacheri. Em tupi-guarani (ou outro idioma indígena), a palavra significa rio pequeno, como comprova o próprio rio Bacacheri, que passa pela região. Mas rio pequeno é pra lá de comum, certo? E tupi-guarani não devia ter a menor graça para quem inventou a seguinte versão: havia um alemão nas redondezas do bairro, então rural, no fim do século XIX. E ele tinha uma vaca chamada Chérie, que, certo dia, extraviou-se. Teria saído o alemão, articulando mal o português, perguntando aos passantes se não tinham visto "minha baca Chérie"; uma variação da história afirma que o alemão berrava pela rua: "Baca Chérie! Baca Chérie!" – pouco conheço as vacas, mas as que eu via, na casa da minha avó, não atendiam pelo nome como se fossem cachorro... Também nunca entendi por que os brados de um alemão desesperado atrás da vaca tivessem dado origem ao nome da localidade. Por mais provinciana que fosse a cidade, duvido muito que o fato tivesse provocado tanto impacto...
Outra versão, mais refinada (HAHAHAHA!), dá conta de que o proprietário da vaca fujona era francês. Teria ele feito o mesmo périplo, perguntando por sua "baca Chérie". Ninguém explica por que motivo o sujeito diria "baca", já que em francês se diz "vache", palavra muito próxima da local.
No norte de Curitiba, existe um bairro chamado Bacacheri. Em tupi-guarani (ou outro idioma indígena), a palavra significa rio pequeno, como comprova o próprio rio Bacacheri, que passa pela região. Mas rio pequeno é pra lá de comum, certo? E tupi-guarani não devia ter a menor graça para quem inventou a seguinte versão: havia um alemão nas redondezas do bairro, então rural, no fim do século XIX. E ele tinha uma vaca chamada Chérie, que, certo dia, extraviou-se. Teria saído o alemão, articulando mal o português, perguntando aos passantes se não tinham visto "minha baca Chérie"; uma variação da história afirma que o alemão berrava pela rua: "Baca Chérie! Baca Chérie!" – pouco conheço as vacas, mas as que eu via, na casa da minha avó, não atendiam pelo nome como se fossem cachorro... Também nunca entendi por que os brados de um alemão desesperado atrás da vaca tivessem dado origem ao nome da localidade. Por mais provinciana que fosse a cidade, duvido muito que o fato tivesse provocado tanto impacto...
Outra versão, mais refinada (HAHAHAHA!), dá conta de que o proprietário da vaca fujona era francês. Teria ele feito o mesmo périplo, perguntando por sua "baca Chérie". Ninguém explica por que motivo o sujeito diria "baca", já que em francês se diz "vache", palavra muito próxima da local.
Essa história é ensinada muitas vezes nas escolas; quando dava aula no ensino fundamental, ouvi vários colegas reproduzindo o enredo, com um certo orgulho das influências européias na cidade (mesmo que se refiram a lunáticos donos de vacas...).Na ilha em que eu moro atualmente, há uma explicação para o nome da Praia do Campeche. Segundo ela, o aviador Saint-Exupéry (autor de O pequeno príncipe) por ali passava, na década de 1930, por conta do correio aéreo entre a Europa e a Argentina. Como aproveitasse para pescar, teria denominado o local de champ de pêche – "campo de pesca" –, que foi adaptado ao longo dos anos, até sua versão final, Campeche. Também nunca entendi bem por que o francês chamaria o local de "campo de pesca", afinal, não é algo que se diz na França – e lá também há mar, rios e pescadores. Muitos. Há mesmo o partido político da caça e da pesca (é sério!).
Xeretando um pouco, não é difícil encontrar (dicionário) a origem do nome. Campeche é uma planta, da família das leguminosas, também conhecida como pau-da-índia. "O caule e as raízes apresentam propriedades medicinais e deles se extrai matéria corante que contém hematoxilina". E a dita cuja é originária da América Central. O que acaba com uma dúvida que sempre me assaltava: se Saint-Exupéry foi quem deu o nome à praia brasileira, foi ele quem também batizou um estado no México?
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Gente bonita, rica, perfeita e sem odores*

No mês passado, o resort Costão do Santinho (SC), promoveu um curso sobre lazer e entretenimento. A descrição do dito cujo explica que
Em breve, promoverão seminários sobre justificativas para atividades escusas de grande capital, com as opções:
- Sabe com quem está falando?
- Eu estou pagando, qual é o problema?
- Neste país, fala mal quem tem inveja.
- Só no sul se trabalha.
- Eu sou empresário, não sou bandido.
- Vamos estar focando no megainvestimento.
- Ai-ammmm, vocês não vão estragar as minhas férias, né-ammmm?
Reinaldo Bessa, o Amaury Júnior da capital paranaense, poderia cobrir o evento. Corrupção, luxo, coronelismo e sofisticação, né-ammmmmmmm!?
* categoria social criada por Mayumi, na década de 1990.
a idéia é transmitir novas técnicas para que turistas e hóspedes tenham sempre momentos de diversão inesquecíveis.Tomando por base notícias recentes, imagino que técnicas de corrupção ativa e passiva, modalidades de trucão em fiscalização ambiental, especialização em licenças falsas, destruição de área de preservação ambiental e workshop de declarações cínicas façam parte do aprendizado que o resort patrocina.
Em breve, promoverão seminários sobre justificativas para atividades escusas de grande capital, com as opções:
- Sabe com quem está falando?
- Eu estou pagando, qual é o problema?
- Neste país, fala mal quem tem inveja.
- Só no sul se trabalha.
- Eu sou empresário, não sou bandido.
- Vamos estar focando no megainvestimento.
- Ai-ammmm, vocês não vão estragar as minhas férias, né-ammmm?
Reinaldo Bessa, o Amaury Júnior da capital paranaense, poderia cobrir o evento. Corrupção, luxo, coronelismo e sofisticação, né-ammmmmmmm!?
* categoria social criada por Mayumi, na década de 1990.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Muito barulho por nada

Nem aos domingos param as orgulhosas donas-de-casa suas tarefas circulares infinitas. Seus barulhos incessantes parecem exibir chancelas que determinam: "necessários ao bom andamento social"; "imprescindível à sobrevivência da classe média estável".
Que voz impura levantar-se-á contra a boa dona-de-casa que, obstinadamente, arrasta seus móveis, choca suas cadeiras contra o solo, liquida germes, manufatura estrondos, bate portas (quantas são, afinal?!), castiga eternamente os cantos da mesma parede com vassouras e aspirador de pó?
Parece que fazem ecoar nas vidas alheias a parcimônia de uma existência espiral, sempre esperando o-dia-em-quê, movimentando-se muito para garantir não sair do lugar.
Parece que fazem ecoar nas vidas alheias a parcimônia de uma existência espiral, sempre esperando o-dia-em-quê, movimentando-se muito para garantir não sair do lugar.
sábado, 13 de setembro de 2008
O que você dizia há 20, 30 anos?
Quando eu estava na universidade, tive uma professora que dizia: "você sabe que está ficando velho quando tudo o que você ouvia e vestia quando era novinho se torna tema de festa". Nessa época, entre a metade dos anos 80 e o início dos 90, houve um revival pop e várias "interpretações" dos anos 60, como o B52's, a moda dos vestidos trapézio e delineador, o Dee Lite e por aí vai (há mais milhares, não dá para misturar tudo num balaio só, mas isso aqui não é crítica musical, assim como eu não sou referência séria, HAHAHAAH!)
Teve também o hippie chic e, de uns tempos pra cá, a mania dos anos 80. Acho tudo ótimo e engraçado. Ouvi, há pouco, espécie com seus 21 anos dizendo que conseguia sentir toda a tristeza e profundidade dos anos 80/90 presentes em músicas do Pet Shop Boys ou do Culture Club. Confesso que quando ouvia (e ouço) suas músicas, a última coisa que me passa pela cabeça é a "tristeza da década", AHAHAHAH. Mas, tudo bem, é uma maneira de projetar uma série de coisas num tempo que não se conheceu e que vira quase o "paraíso perdido" – totalmente idealizado e que jamais será alcançado, certo?
Mas o mais engraçado pra mim, é ouvir quem tem a minha idade, ou mais, "assumindo" essa profundidade de décadas passadas, reforçando que sim, éramos muito melhores do que os que hoje estão por aí – tentando deixar o comentário mais sutil, mas no fundo pensando que "no meu tempo sim, a gente sabia das coisas", HAHAHAHAHA!
Vi isso com a recuperação do Sidney Magal, por exemplo. O sujeito voltou por cima, com público novinho, coradinho, bonitinho, cativo e tudo. Mais ou menos o que houve com o veterano Tom Jones no fim dos anos 90. Beleza. Mas aí, me vêm os quarentões e cinqüentões querendo pegar carona na onda e se colocar ao lado dos artistas pop recuperados, no discursão "vejam como a gente era bacana, não tinha preconceito, se divertia com tudo, afinal, havia a ditadura, tudo era forma de resistência..." Tá. A-hã.
Dêem só uma espiada nesta reportagem ótima do Fantástico de 1978, quando Sidney Magal era magrinho, tinha mil braços para abraçar-te, mil bocas para beijar-te e usava umas botas plataforma (justo ele, que deve ter uns 2,80m sem salto, né?). Vão marcando num papelzinho quantas vezes Ana Maria Bahiana diz "artefato industrial"...
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Barbie Barracuda
Emil Vicale é o dono da Herobuilders, empresa que produz bonequinhos baseados em personalidades políticas, artistas etc. Segundo uma matéria da France Press, o que mais a empresa vende nos últimos dias é a bonequinha da Sarah Palin, vice na chapa de McCain para a presidência dos EUA.
Por 30 dólares, republicanos fetichistas podem comprar a governadora do Alaska com uniforme escolar, de minissaia ou numa versão action-figure (algo como Comandos em Ação). O corpo é feito na China, mas o penteado da boneca é elaborado em solo americano.
O fabricante diz que, pela quantidade de bonequinhos vendidos, pode saber quem será o novo presidente; nas duas últimas eleições, acertou em cheio. Desta vez, segundo ele, quem ganha é a dupla McCain/Palin.Eu fico imaginando que tipo de acessórios poderiam acompanhar Barbie-Sarah Palin: babylook da Irmandade dos Atletas Cristãos (da qual ela fez parte); bíblia de zíper; torta de maçã; fotinho da Nancy Reagan; livros a serem queimados; e anel de compromisso, daqueles do tipo "sexo só depois do casamento/minha filha está grávida, mas vai casar"...
Li que ela tinha o apelido de Sarah Barracuda (!!!) quando integrava o time de basquete da escola, pois jogava "intensamente" (sic), assim como conduzia as preces antes dos jogos. É ou não é de deixar regina?
E eu acho a dita cuja a cara da humorista americana Tina Fey (que é democrata militante):
Variações sobre o mesmo tema - Romeu e Julieta
Oscarito & Grande Otelo – Carnaval no fogo
dir.: Watson Macedo, 1949
Hebe Carmargo & Ronald Golias – TV Record, 1968
terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
D. Pedro e o cata-vento
Em 1972, a distribuidora e produtora Cinedistri lançou o filme Independência ou Morte, com Tarcísio Meira no papel de D. Pedro I. Por anos a fio, ele passou a cada 7 de Setembro, sem falta. O dia se iniciava com as gloriosas Forças Armadas batendo coturno em desfiles intermináveis – tentem imaginar aquela narração de desfile de carnaval aplicada aos pelotões verde-oliva: descrevia-se a sobriedade dos tanques, a harmonia da banda dos Fuzileiros Navais, a destreza dos Dragões da Inconfidência, enfim... pra quem gosta de parada, material bélico e farda, sempre foi prato cheio!
E à tarde, era hora de ver Tarcísio virado em D. Pedro de Alcântara, berrando "pela minha honra, pelo meu sangue e pelo meu deus...", no meio de figurantes que se contorciam pra ficar na mesma posição que as figuras do quadro do Pedro Américo. Melhor que isso, só Kate Hansen de D. Leopoldina, impávida colossa de vestido verde-bandeira e cachos dourados, enfrentando o já Imperador D. Pedro I, que ameaçava sentar bolacha nela. Oferecendo o rosto, ela dizia: "Bate! Bate na mãe dos seus filhos! Bate na Arquiduquesa da Áustria! Bate na Imperatriz do Brasil!" HAHAHAHAHAHAH!
E à tarde, era hora de ver Tarcísio virado em D. Pedro de Alcântara, berrando "pela minha honra, pelo meu sangue e pelo meu deus...", no meio de figurantes que se contorciam pra ficar na mesma posição que as figuras do quadro do Pedro Américo. Melhor que isso, só Kate Hansen de D. Leopoldina, impávida colossa de vestido verde-bandeira e cachos dourados, enfrentando o já Imperador D. Pedro I, que ameaçava sentar bolacha nela. Oferecendo o rosto, ela dizia: "Bate! Bate na mãe dos seus filhos! Bate na Arquiduquesa da Áustria! Bate na Imperatriz do Brasil!" HAHAHAHAHAHAH!
Tipo de coisa que ficou grudada na memória, junto com a musiquinha "este é um país que vai pra frente/uô-uô-uô-uô/de uma gente amiga e tão contente/uô-uô-uô-uô" e o cata-vento verde-amarelo.
Não conhece a musiquinha nem o filme? Ah, mas não seja por isso! HAHAHAHAHA! Aí vão as duas preciosidades, para o gáudio dos leitores desgovernados.
Este é um país que vai pra frente – Os Incríveis (1977)
Não conhece a musiquinha nem o filme? Ah, mas não seja por isso! HAHAHAHAHA! Aí vão as duas preciosidades, para o gáudio dos leitores desgovernados. Independência ou Morte – dir.: Carlos Coimbra (1972)
Este é um país que vai pra frente – Os Incríveis (1977)
Quem tem medo do Minotauro?
O Sítio do Pica-Pau Amarelo teve algumas adaptações para a televisão. Nos anos 50, foram duas, na Rede Tupi. Nos anos 60, a TV Cultura produziu a sua, assim como a TV Bandeirantes. A mais conhecida de todas as adaptações foi a de 1977, da Rede Globo, dirigida por Geraldo Casé (pai da Regina Casé). A série ficou no ar até os anos 80, com mudança de atores, já que os adolescentes da série original ficaram adultos. Houve uma versão "anos 2000", que não fez lá muito sucesso.
Já vi muita gente da minha geração bradando contra os tempos modernos, o computador, o celular e demais eletro-eletrônicos; enchendo a boca pra falar que "no meu tempo, a gente brincava na rua!" – bem aquilo que odiávamos ouvir. Como se as crianças hoje em dia fossem um bando de abobadas, sem capacidade para nada e tivessem culpa de não brincar na rua, por exemplo.
Conheci crianças que leram os livros do Monteiro Lobato, mas que não mostraram interesse algum pelas novas adaptações para a televisão. Ou pelas historias em quadrinhos da Mônica. Mas os adultos parecem esquecer que as referências mudam e desfiam ladainhas passadistas – acreditando ser completamente diferentes de seus pais e certos de que não repetem os mesmos chavões "geracionais", HAHAHAHAH! Quem cria as crianças, afinal de contas? =)
Lembrar, rever coisas bacanas que foram importantes um dia sempre é ótimo, e claro que bate certa saudade – que é bem diferente do saudosismo, do discurso do "paraíso perdido". As crianças não têm culpa por termos ficado mais velhos, nem pelo fato de que tudo o que era muito importante para nós, hoje, não faz mais sentido para elas.
Já vi muita gente da minha geração bradando contra os tempos modernos, o computador, o celular e demais eletro-eletrônicos; enchendo a boca pra falar que "no meu tempo, a gente brincava na rua!" – bem aquilo que odiávamos ouvir. Como se as crianças hoje em dia fossem um bando de abobadas, sem capacidade para nada e tivessem culpa de não brincar na rua, por exemplo.
Conheci crianças que leram os livros do Monteiro Lobato, mas que não mostraram interesse algum pelas novas adaptações para a televisão. Ou pelas historias em quadrinhos da Mônica. Mas os adultos parecem esquecer que as referências mudam e desfiam ladainhas passadistas – acreditando ser completamente diferentes de seus pais e certos de que não repetem os mesmos chavões "geracionais", HAHAHAHAH! Quem cria as crianças, afinal de contas? =)
Lembrar, rever coisas bacanas que foram importantes um dia sempre é ótimo, e claro que bate certa saudade – que é bem diferente do saudosismo, do discurso do "paraíso perdido". As crianças não têm culpa por termos ficado mais velhos, nem pelo fato de que tudo o que era muito importante para nós, hoje, não faz mais sentido para elas.
Sítio do Pica-Pau Amarelo – O Minotauro (1978)
Zilka Salaberry – D. Benta
Jacyra Sampaio – Tia Nastácia
Rosana Garcia – Narizinho
Júlio César – Pedrinho
André Valli – Visconde
Reny de Oliveira – Emília
(alguém aí sabe quem fazia o Minotauro?)
Zilka Salaberry – D. Benta
Jacyra Sampaio – Tia Nastácia
Rosana Garcia – Narizinho
Júlio César – Pedrinho
André Valli – Visconde
Reny de Oliveira – Emília
(alguém aí sabe quem fazia o Minotauro?)
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Televisuais mundo afora - III
A inglesa BBC produziu uma série de programas sobre temas que deixam homo sapiens em polvorosa desde que o mundo é mundo. Psicólogos, neurologistas, físicos e outros mais explicam fenômenos que ainda hoje provocam a credulidade das pessoas – a justificativa para isso é quase sempre a mesma: nós não conhecemos os limites da capacidade humana e a ciência é arrogante ao dizer que alguns fenômenos não existem.
Não acredito que "a ciência" seja arrogante; alguns cientistas, certamente!! Mas concordo que os limites da capacidade humana não foram totalmente descobertos ainda – por exemplo, a capacidade/necessidade humana de acreditar, mesmo que para isso seja necessário refutar a realidade pura e simples.
Para quem quiser ver mais, aí vai a série completa, que está disponível no YouTube:
*Agradecimentos especiais à Comadre Si :o)
que enviou a matéria do G1.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Televisuais mundo afora - II
Muita gente acredita que a cozinha francesa é aquela da nouvelle cuisine, com pratos quadrados gigantes, aquele tiquinho de comida bem no centro, arasbescos de molho à guisa de decoração, enfim, tudo muito harmonioso visualmente, a ser degustado com ar blasé. Claro que a nouvelle cuisine faz o maior sucesso, mas ela não representa a cozinha do país todo – que é maravilhosa. A maior parte dos franceses não se alimenta com porções insignificantes de comida, muito menos com cara de tédio.
Os programas culinários franceses, por exemplo, muitas vezes deixam os menos habituados em choque – como todo país com inverno rigoroso e períodos constantes de guerra, na França, os hábitos alimentares também se estenderam até a carne de cavalo, cérebro, toda a sorte de miúdos, tripas, focinhos, mariscos e afins. Um dos programas de receitas mais famosos era A cozinha dos mosqueteiros (!!!), apresentado por Maïté e sua assistente Micheline.Maïté é uma senhora do tipo 2x2, animadíssima e sem nenhum preconceito verbal. Volta e meia, em seus programas, ela largava um "deu merda!" quando algo saía do previsto. Certa vez, no início do programa, Micheline perguntou: "E então, Maïté, qual será a receita de hoje?". E ela, encarando a câmera, segurando o riso: "Esqueci! HAHAHAHAH! Eu esqueci!" Entre suas frases mais famosas, está "Com isto, você alimenta decentemente seu homem!".
Pode-se dizer que os programas da Maïté eram verdadeiros realiy shows; os bichos a serem cozinhados muitas vezes apareciam vivos sobre uma mesa, e ela ensinava como abatê-los, passo a passo. Aves, rãs, peixes, o que fosse necessário. Desconfio que se fosse preciso, ela mataria um boi ao vivo... O programa fez sucesso nos anos 80 e 90. Atualmente, Maïté cuida de seu próprio restaurante – e acho que programas como o dela nem são mais permitidos!
Maïté (à direita) e MichelineIsto sim é programa culinário: não apenas panelas penduradas na parede, mas uma 'sutil' espingarda
Abaixo, o link para um dos programas mais famosos, no qual Maïté preparou enguias. Havia várias delas, vivas, sobre a mesa e aprendia-se como dar cabo do bicho rapidamente. O problema é que uma das enguias escorregava, se contorcia. E Maïté a acalmava com palavras doces: "calma, fofinha", "calma, pequenina". Um horror! TOTALMENTE DESACONSELHADO para quem tiver estômago fraco, for sensível ou partidário dos animais (sério).
Maïté e as enguias
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Televisuais mundo afora - I
Há um canal da NET (daqueles pra cima de 100, que ninguém assiste) inacreditável. Chama-se Casa Club e apresenta tudo o que é necessário para a mulher e o homem modernos: receitas, dicas de decoração, saúde e o programa da Martha Stuart dublado em espanhol – o canal transmite programas na maior parte produzidos em Miami. Só coisa boa! Adoro!
É aquele festival do botox, do sorriso passei laquê na boca e da total falta do que fazer. Uma das minhas apresentadoras preferidas é a cubana Lucy Pereda, da Lucy Pereda Productions, que apresenta En casa de Lucy – para o caso de alguém não lembrar o nome da apresentadora. Lucy é uma mulher moderna, cinqüentona aparentando 30, de longas madeixas ruivas e que sofre de overmaquiagem permanente. Ela ensina a fazer pratos rapidinhos, a somar as calorias e a decorar pratos com muita criatividade (além de permitir praticar o espanhol). Dia desses, ela ensinava a ajambrar uma salada de atum: "Mas se não houver atum, você pode utilizar sardinha, presunto, carne desfiada, moída, salame..." Ou seja, os ingredientes não importam, que bobagem! Importa é ter alegria e parecer dopada em frente à tigela com folhas de alface.
Também vi o preparo de um drink muy refrescante com curaçao. Que me desculpem os patidários, mas eu particularmente, passo. Drink azul, só cerveja romulana. Em todo o caso, a saltitante Lucy preparou bela taceta azul e decorou com algum representante do reino vegetal que não identifiquei, algo entre a pitanga e a fruta do conde. Cortada uma fatia da dita cuja, é só espetá-la num palito e implantar na taça – geralmente, são operações bem delicadas. "Mas" – explicava Lucy – "se você não quiser beber, pode usá-lo como bonita decoração [sic] para sua mesa."Outra modalidade praticamente olímpica na qual a apresentadora se destaca é a confecção de "coisas". Por exemplo, porta-retratos com rendas, papelão queimado nas bordas e lantejoulas ou decoração para o quarto das crianças com isopor e camurça. Em geral, o resultado é um objeto não identificado todo cagado, por conta de um recorte mal-feito, uma cor duvidosa ou pela pela falta de noção da proposta – em geral, todas as alternativas são válidas em todos os casos. Certa feita, ela decorou um quarto infantil com motivos espaciais. Calculo que a pobre criança a habitar um quarto como aquele jamais sonhará ser astronauta nem se dedicará à astronomia no futuro. Entre planetas ovais e nuvens (!), planavam discos voadores acamurçados, parecidinhos-assemelhados com o chapéu do Santos Dumont. Bom, nada a dizer, eram OVNIS e OVNIS eles pareciam. E, digam o que disserem, Lucy é a pistola de cola quente mais rápida de Miami. Uma beleza.
Não encontrei uma receitinha sequer da Lucy no Youtube; em compensação, achei um especial de Ano Novo, com grupo musical de sucesso planetário. Acho que a melhor parte é aquela em que Lucy volta à cena bailando. Desconfio que foi a própria quem confeccionou a indumentária do grupo – e talvez aquele instrumento que parece um obus, que uma das músicas manipula...
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