domingo, 31 de agosto de 2008

"A mulher do vizinho sustenta aquele vagabundo"

Maria Alcina começou a fazer sucesso nos 70. Confundida com um travesti, seu primeiro emprego foi numa boate. Ficou conhecida quando participou de um show apresentado por Leila Diniz, singelamente chamado Vem de ré que eu estou em primeira, HAHAHAHAHAH! A turma da farda e a Liga das Senhoras Católicas não apreciavam nem um pouco o estilão da moça.


Kid Cavaquinho
(1974)
Imagens de 1977


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

"A águia de lá do meu sertão"

Há bichos que a gente nunca vê e acaba considerando os ditos quase seres mitológicos como gárgulas, unicórnios e quimeras. =) Nunca tinha visto, por exemplo, um carcará, que avoa que nem avião, com o bico volteado que nem gavião. Até que, há uns 20 dias, um deles decidiu dar o ar da graça na minha janela, diariamente – a janela em questão permanece fechada, claro, pois 1,5 m de envergadura de asas se debatendo num apartamento deve ser um desastre, pro bicho e pra nós.

Eu nem fazia idéia do que era o "passarinho", até que Consorte tirou umas fotos e pudemos consultar a Claudiopedia dos pássaros. Entre outros, ele informa que o carcará "é um gavião. Ótimo vizinho, pois caça ratinhos, ratões.... e outras pestes urbanas como pombos e _ _ _" (cada um completa a gosto).

E Jajá, que vinha aquecendo seus dotes vocais desde o post com o Pizzicato Five, já mandou ver o pega, mata e come no happy hour de ontem. A partir de agora, ele é o Jajará. E o carcará fica sendo a mascote do Trator.







Fotos: Alain Rojo
Florianópolis, 28-29 ago/2008

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Maria Bethânia – Teatro Opinião, 1966.


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O Lama e o bolo: acidente ou complô?




A fatia de 23 cm foi magnanimamente entregue a uma faxineira "real" no dia do famoso enlace, em 1981. Era considerada especial (a fatia, não a faxineira), pois sua cobertura estava bonitinha que só, mostrando o brasão real da Casa de Windsor e apresentando apenas algumas pequenas rachaduras – coisa mais que compreensível em um glacê de 27 anos, né? O comprador tentou permanecer anônimo. Deus salve a Rainha!


CPI do bolo já foi instaurada e representantes da casa de leilões Dominic Winter terão que explicar quem foi o engraçadinho que não alertou Sua Iluminescência sobre o fato de que a histórica fatia não apresentava mais condições de consumo. O Partido Trabalhista Inglês exige saber se o Palácio de Buckingham está envolvido no caso. Elton John já anunciou concerto alusivo ao fato.

Pequeno Pônei

Animação com o Pequeno Pônei, do cartunista Caco Galhardo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Gramophonicas


Lembram do Pizzicato Five? =)


Twiggy Twiggy (1994)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pesquisa de opinião

Todo mundo sabe que gosto e derrière, cada um tem o seu. Que na moda há tendências e o que se usa efetivamente. Que a criatividade pode se mostrar de formas variadas, que o digam Galliano ou Gaultier. Que há mulheres e homens que ressaltam o que possuem de melhor com determinado tipo de roupa. Tudo bem.

Mas falando sério: em que contexto (terrestre) estes "protótipos" podem ser considerados sexys, elegantes, bonitos...? Você pode clicar nas fotos para aumentá-las e apreciar melhor os pormenores. Participe desta investigação que mudará o destino do planeta.

Palavras de ordem

Dia desses, dizia a um amigo que há dias em que fica difícil assinar embaixo o que faz o PT, se não é mais do que hora de uma derrota que faça com que reflitam – embora votar no PSDB, DEM, PMDB e caterva nunca tenha sido opção para mim e continuará não sendo. "Terrível perspectiva!", nas palavras de outro amigo.

Que fazer nesta sinuca de bico...? Ouvi que eu estava "ficando careta", até por que parei de fumar também... Bom, brincadeiras à parte, quando se lê que há senador e deputado petista fazendo coro a pistoleiros como Romero Jucá e Blairo Maggi, por exemplo, acho que concordar com isso não dá provas de ousadia revolucionária, certo? E repetir a pergunta que não quer calar: cadê a tal da reforma agrária? Quedêlhe? É coisa de "revisionista pequeno-burguês"?

É óbvio que as coisas melhoraram e muito em comparação com governos anteriores – e só para reforçar, também nunca fui do tipo estúpida "no tempo dos militares a gente era mais feliz", AHHAHAAH, muito pelo contrário. Mas não gosto ("não aceito!", como diz Betina Botox) daquele chavão pra lá de gasto: "Antes incendiário, agora bombeiro." Bah! Terrível é acreditar, a qualquer preço, que reacionarismo, coronelismo, bandidagem e palavras vazias façam parte de um projeto político justo e necessário. Já vi isso em outro lugar...

Por fim, nunca passei a ser "bombeiro desiludido", heheheheh. Mudei a direção do incêndio, mas a essência do que eu acredito que deve ser incendiado continua a mesma (como a minha voz, AHAHAHAHA!)

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Da preguiça, da presunção e da burocracia mental

Hoje, na Folha de Sunpaulo, há um artigo de Luiz Felipe Pondé, médico, historiador e professor de filosofia na PUC SP (ufa!). Nunca li nenhum livro dele, apenas artigos que costumam vir seguidos de "ohs!!" e "uis", narizes acadêmicos que se torcem e séquitos de tietes moderninhos que se arrastam. Não sei quais são as preferências e opções do sujeito, não sou sua seguidora, não o utilizo como "modelo teórico"; apenas gosto de algumas coisas suas que leio.

Hoje, em Quem tem medo do macaco?, escreveu sobre as ciências humanas e sua tendência a entender como fenômenos puramente culturais todas as atitudes dos homens. Passeou pelas relações de gênero, mudanças nos papéis masculino/feminino na sociedade contemporânea e a adoção rápida de modismos intelectuais por parte de professores. Me lembrou discussões de 20 anos atrás. Não que eu considere o Pondé um estacionado no tempo – mas sim as discussões acadêmicas, as universidades.

Acredito que por não quererem parecer categóricos, abraçar esquemas explicativos fixos, realizar estudos cujas conclusões serão sempre as mesmas, cientistas humanos relativizaram uma série de conceitos; mas radicalizaram, até o ponto em que muitas pesquisas atuais concluem que "x, y ou z são alternativas possíveis – ou não". Em nome da tolerância a todo o tipo de pensamento, opinião e opção teórica, as universidades têm abrigado discussões e pesquisas duvidosas, leituras rasas, aulas preguiçosas, posturas incoerentes e nada profissionais. A simpatia que se angaria parece ter tomado o lugar da atividade profissional. Paradoxalmente (ou não, HAHAHAHAAH!), como escreveu o Pondé, "a universidade é um dos lugares menos democráticos do planeta."



Jacques Tati – Playtime (1967)

sábado, 23 de agosto de 2008

Livros: procura-se desesperadamente

Alguém aí é @ feliz proprietári@ do Marxismo e Literatura e Cultura e Sociedade, ambos do Raymond Williams? Aceito propostas de venda, aluguel, troca, o que e for!!!
Obrigada! =)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Tenebrosos objetos de desejo

Tem gente que fica indignado com desfiles de alta costura: "e quem é que vai usar um troço destes?" Eu, particularmente, fico de boca aberta com Casa Cor e demais "eventos de decoração". Parece que a última tendência é cabeça de bicho empalhada na parede... Com a palavra, alguns decoradores:

Marina Linhares: "Escolhi a cabeça de antílope empalhada porque tinha tudo a ver com a proposta do ambiente. Acho que é uma peça de decoração forte, que deve ser usada apenas dentro de um contexto".

Fábio Galeazzo: "Gosto das formar lúdicas usadas para apresentar as cabeças. Dependendo do ambiente, dá um toque engraçado, bem humorado. A decoração tem ficado mais despojada e permite esse tipo de brincadeira."



Aaaaaahhhh, bom! Agora entendi: dentro de um contexto, faz sentido uma cabeça decepada. A França do fim do século XVIII tá valendo? Um luxo! E, certamente: nada como uma cabeça de cadáver empalhada pregada na parede para dar um ar despojado, bem-humorado, vocês não acham?

Mas o que eu adorei foi um vaso sanitário de cristais Swarovski. Me digam se não é uma magnificência só?!



Quem usaria um negócio desses? Mas que dúvida! Ele: o Rolls-Royce Desgovernado!


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Rapidinhas infames

Uma vez li num blog, de um brasileiro na Itália, que se sabia quando o verão chegava ao país pela quantidade de calças corsário resgatadas do armário. Tenho a dizer que não é só na Itália; mas só na Itália, em Eraclea, é que se proíbe fazer castelos de areia na praia e catar conchinhas... multa de 25 a 250 euros! Como diz o Chiquinho, que enviou a notícia: "Isso é de chorar, o Jânio deve estar (deve não, está) morto de inveja. HAHAHAHA!!!!"

A outra infame vem do Crítico Inácio, é claro! Sempre ele! Vai acabar tomando o lugar do Contardo Calligaris em termos de singularidade criativa... Tudo o que ele tem a dizer sobre Quem tem medo de Virginia Woolf :

é um filme a ser visto em várias dimensões. Há, para começar, Liz Taylor e Richard Burton representando um casal tão desacertado quanto eles. Existe a dramaturgia de Edward Albee, um dos grandes do teatro americano moderno, e direção de Mike Nichols. |Inácio Araújo, Ilustrada/Folha SP, 21.08|

Várias dimensões, tá? Eu já recuperei meus óculos de celofane azul e vermelho para não perder dimensão alguma – a começar pela do ridículo...

E a última (infame, mas engraçadíssima) é do pessoal do Apostos, que legendou o filme A queda (2004) – o Tas postou hoje. A ver rápido, pois os paladinos do politicamente correto provavelmente vão tentar tirar do ar.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sala de projeção

Depois que a Guerra Fria terminou – dando lugar a incontáveis outras – que o Muro caiu – deixando vários outros no lugar, invisíveis – filmes fantásticos sobre/dos países "do leste" foram produzidos.

De Antes da chuva (Milcho Manchevski, 1994) a O olhar de Ulysses (Theo Angelopoulos, 1996), passando por Underground (Emir Kusturica, 1995), por exemplo, esses filmes falam dos conflitos sociais, políticos, existenciais etc. etc. etc., sufocados por décadas de mão-de-ferro, e que explodiram quando encontraram uma brecha. Alguns anos depois, outros pontos de vista sobre o tema apareceram, como em Adeus, Lenin! (Wolfgang Becker, 2003) ou Desde que Otar partiu. Este último, da diretora Julie Bertuccelli (2003), se passa em parte em Tbilisi, capital da Geórgia – que voltou à baila na última semana. Se você não viu, aconselho a ver. Agora!

Desde que Otar partiu – 2003




O olhar de Ulysses – 1996




Antes da chuva
– 1994


terça-feira, 19 de agosto de 2008

O fantástico mundo do jornalismo esportivo

Mais velha fico, menos compreendo a linguagem "da moçada", HAHAHAHAHAH, principalmente no que se refere a esportes (coisa que nunca entendi, independentemente da idade).

Há pouco, ouvia um comentarista da ESPN (talvez ex-atleta) sobre uma moça que compete no salto com vara nesta Olimpíada: "É uma atleta muito coesa." Primeiro, estranhei o adjetivo, mas depois fiquei aliviada, imaginando um atleta "não coeso" – sei lá, um corredor que vai derrubando braços, pernas; uma nadadora que faz voar longe um braço nas primeiras braçadas e por aí vai, né? Tenho até medo de ligar a TV e por acaso me deparar com atletas não coesos competindo. Ui! O restante dos comentários já eram esperados: atleta "muito focado"; atleta que "vai tar tentando o ouro" e afins.

Mas o melhor deste comentarista (preciso encontrar o nome!) é que ele cicia. Assim, seu "s" soa como "f". E não estou desmerecendo o mofo por isso – eu, por exemplo, sibilo, no melhor estilo Fernanda Montenegro – mas fico imaginando se houvesse atletas da Suíça nos cem metros rasos. O comentário do rapaf pareceria cena do Monty Python!!!!!!!!!!
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Em tempo: quem lembra da letã Ulyana Semenova, do basquete da URSS? Acho que são minhas últimas lembranças de jogos olímpicos: a Semenova caindo na quadra (ela tem 2,13m) e o ursinho Misha voando amarrado em balões de gás, ao som de uma música russa de cortar os pulsos – ambas dos jogos de 1980.
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Confesso que fiquei alguns minutos olhando pela janela, antes de me convencer que de Moscou até Curitiba era uma longa viagem, os balões não resistiriam – até hoje, não tenho a menor noção de distância; mas já sei que Moscou fica longe, longe mesmo, HAHAHAHAHA.

domingo, 17 de agosto de 2008

Salvador Dali

Filminho publicitário – França, 1968



Eu sou louco pelo chocolate Lanvin!!!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Questão de conceitos

E a Madonna fez 50 anos. Todos desfiam a série de adjetivos sobre a beleza da "rainha do pop", seu fôlego, preparo físico, disposição etc. etc. Nada a dizer. Até que alguém decide ser mais criativo na chamada:


Mas a mulher só completou 50 anos! Isso caracteriza longevidade? Seguindo essa "lógica", Dercy Gonçalves foi o quê?


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Subestimando a inteligência alheia

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) decidiu que o álcool combustível terá sua nomenclatura alterada. Nas próximas semanas, a autarquia determinará que postos e demais revendedores utilizem nas bombas o termo etanol.

O pleito é da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que alega que o novo bordão da campanha da Lei Seca "álcool e direção não combinam", confunde a cabeça do consumidor e pode prejudicar as vendas do combustível. Folha Online/Dinheiro, 13.08.08

Aaaaaaaah, agora estou me sentindo beeeeeem melhor; estava muito confusa com esta história toda. Obrigada por esclarecer o dilema, União da Indústria da Cana-de-Açúcar! É fundamental que alguém explique as coisas da vida com raciocínios lógicos, né?
E talvez que alguém regule o consumo de cachaça
em alguns setores empresariais e agências do país...

The Grinch

The Blues Ain’t Nothing But a Woman

Helen Humes, Willie Dixon, Jump Jackson, Memphis Slim,
Sonny Terry, Brownie McGhee, T-Bone Walker (1962)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Timing

Para variar, estou na contramão! Justamente agora, que parei de fumar...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Superdosagem de sais...

Entra dia, sai dia e eu continuo assaz e deveras com o que vejo. Noites de insônia na frente da TV provocam isso – eu sou do tipo insone vadia, quer dizer, não consigo ficar lendo um bom livro, por exemplo, nem lavar uma muda de roupa no tanque. Não, não. Fico vendo TV mesmo, ou vendo sites ao léu, já me perguntando se o que vejo não é ilusão de ótica, se ouvi bem, se sonhei, e por aí vai.

Num programa televisivo local, desses que em 5 minutos reúnem entrevista, publicidade de lojas, receitas e "dicas" (o que quer isso signifique), o apresentador falava de uma linha de produtos alimentícios sem glúteo. Eu pedi meus sais! De bário! Não sabia nem que havia produtos com glúteo, que dizer dos outros! Como a gente fica por fora das novidades deste mundo globalizado e proativo, né?

E eu achando que o máximo que já tinha ouvido fora entrevista num "sensacional" programa televisivo no ar há mais de um século em Curitiba. Lá pelos idos dos anos 80, a apresentadora do tal programa recebeu a proprietária de um centro de estética da capital paranaense, que apresentou técnicas e produtos com a "vivacidade" que caracterizava a emissão. Ao final da explanação, a esteticista quis destacar que um produto x não apresentava efeitos co... co... e ali engatou. A apresentadora veio em auxílio:

– Efeito colágeno?
– Não... Efeito co... co...
– Efeito colesterol? – tentou outra vez a apresentadora.
– Isso! – vibrou a entrevistada – Não tem efeito colesterol!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"Num fumo lá p'a brigá, nós fumo lá p'a comê..."


Adoniran Barbosa
Programa Ensaio – MPB Especial (TV Cultura), 1974

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Valei-me, Truman Capote!

Li hoje algumas críticas sobre o livro História do pranto, do argentino Alan Pauls. A ficção se passa na Argentina, anos 70, no período da ditadura. Pauls explicou que quis escrever sobre o período numa perspectiva diferente daquelas que tratam do mesmo assunto, sem sair definindo bons e maus (militantes de esquerda e militares). Para ele, "é preciso romper a lei que estabelece que os únicos autorizados a pensar, escrever e recordar os anos 70 são os que os protagonizaram." |Folha SP, 07.08.08| Além de outra perspectiva para tratar do tema, a forma como construiu seu texto parece fugir do relato de memórias cronologicamente encadeadas.

Nunca li nada desse autor, não posso falar sobre seus livros, apenas que dão vontade de ler.

Mas antes de fazê-lo, chegam os críticos, para explicar aquilo que, acreditam, não podemos entender, explicar aquilo que supostamente está oculto ou disfarçado no esqueleto da narrativa, os elementos internos e externos do texto, os mecanismos de linguagem utilizados, blablablá...
... é um tema forte, movediço, e o romance cria passagens comoventes e uma trama bem arquitetada de acontecimentos. Da mesma maneira, não há como negar que estamos diante de um estilista habilidoso. Mas o que falta é justamente a marca de dependência entre a língua e o assunto. A que serve a hipnose vertiginosa das frases? A que serve o excesso de intervenções parentéticas?
...
Sinais múltiplos e centrífugos que fragmentam a narrativa em vários pedaços: quase todos belos, mas, em boa medida, em vão. Se concordarmos com Baudelaire, que disse que "o belo é um combate em que o artista grita de pavor antes de ser vencido", faltam aqui o combate e o pavor, pois a beleza impera solitária. | Noemi Jaffe, Ilustrada, Folha SP, 07.08.08 |

Tá. Tentando captar o que disse a crítica: o que falta é a marca da dependência entre língua e assunto. Só para eu entender: falta o quê???? Há excesso de intervenções parentéticas – fui procurar no dicionário o que é que está tão excessivo na opinião da autora da crítica: os parênteses! Por fim, "se concordarmos com Baudelaire, o belo etc etc etc...". Mas... e se não concordarmos com Baudelaire? E se gostarmos de Baudelaire e acreditarmos que uma coisa não tem nada a ver com outra. E se nem conhecermos Baudelaire? E qual o problema em fragmentar a narrativa? E quem define o que é em vão?

Que me desculpem os iluminados, mas talvez as pessoas queiram apenas ler livros, conhecer histórias, embarcar em ritmos narrativos diferentes. Acho que esta discussão deve datar do dia em que algum sujeito desenhou seqüências nas paredes de sua caverna e outros acharam que a tal seqüência poderia ter sido representada de outras formas, que ela funcionaria melhor se o vermelho fosse branco.

É óbvio que há coisas que detestamos, livros que nem terminamos, filmes que odiamos. Dá pano pra manga cada discussão sobre isso. Mas fico com um certo pé atrás quando se passa da discussão pra afirmação categórica; quando se quer transformar uma reflexão em fórmula exata, como se as coisas não pudessem ser expressas de outra forma.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sobre escrever aos amigos

Antigamente, trocavam-se cartas. Dependendo do talento ou da "famosidade" dos correspondentes, publicam-se as ditas cujas em livros. Atualmente, trocam-se emails e olhe lá, né? Acredito que valha a mesma regra para sua publicação – se é que vira livro uma troca de emails. Não importa; o que se torna necessário é a mudança do título: do tradicional Cartas a um amigo, acho que se passa ao Emails a um amigo. E por que não Posts no blog a um amigo, oras?

Pois estava me lembrando do fantástico livro Orlando (1928), de Virgínia Woolf. Um dos meus preferidos, a respeito do qual eu e meu amigo volta e meia conversamos. Eu tinha uma edição caprichadíssima, com dois livros: Orlando, com tradução de Mario Quintana e Ms. Dalloway, traduzido por Cecília Meireles. Meu livro desapareceu em circunstâncias muito estranhas... Mas como diz meu amigo, não poderia ser diferente com um livro desses! (em 1992, foi lançado o filme. Genial! Para ver agora, depois de ler o livro!)

Orlando
Dir.: Sally Potter – EUA, 1992



terça-feira, 5 de agosto de 2008

Entenda Max Weber

Você ainda quebra a cabeça para compreender A ética protestante e o espírito do capitalismo? Patina na Teoria da burocracia? Bobagem! Seus problemas terminaram. O Trator Desgovernado Educação ajuda você a captar os conceitos essenciais de Max Weber de uma forma didática, simples, mas nem por isso simplista.
Para começar, Max Weber lista seu top 5 da estação:
. Sombra preta opaca.
. Pele mais sequinha. "Para dar o acabamento depois da base, aposto no pó solto Secret Brightening, da Laura Mercier".
. Iluminar a região embaixo do olho e em cima do osso da maçã do rosto. Pode ser com corretivo mesmo, isso deixa a mulher mais bonita e ainda ajuda a diminuir as olheiras. Também vale iluminar o topo do nariz. Veja como fazer na galeria.
. Batom Color Fever cor 406, da Lancôme. "A cor dele é bem tomate, entre o vermelho e o laranja".
. Muita máscara nos cílios. "No momento, estou usando uma da M.A.C".
http://chic.ig.com.br/materias/473001-473500/473174/473174_1.html
Claríssimo, não? Assaz e deveras. Ou seja, não há que se "temer os clássicos", como dizia uma professora minha. Também é necessário não perder de vista que cada texto permite variadas leituras, apreensões que partem de diferentes perspectivas. A leitura não é um ato passivo – é uma ação objetiva igualmente.

Assim sendo, elabore sua própria perspectiva e compreenda Weber sem receios!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Não diga tá, diga sim!"

Um clássico indispensável na formação de qualquer intelectual sério: o Inspetor. Criado em 1965 por DePatie e Freleng (os criadores da Pantera-Cor-de-Rosa), o personagem foi inspirado no Inspetor Clouseau de Peter Sellers.

Por estas plagas, o desenho passou nos anos 70. O episódio Capitão Calamidade é ótimo, com o bordão do Inspetor para o seu ajudante, o sargento Dudu, que insiste em dizer tá! A música é de Henry Manicini (também da Pantera-Cor-de-Rosa). As vozes são da dublagem brasileira original.