quinta-feira, 31 de julho de 2008

O importante é competir

E os Jogos Olímpicos tomam conta dos noticiários à beira de um ataque histérico. Atletas – dos quais dificilmente se fala em outras épocas – são mostrados em seus mínimos movimentos, tudo o que comentam vira lição de vida (mesmo que sejam comentários sobre o tamanho dos banheiros na Vila Olímpica de Pequim). Todo mundo é praticamente herói.

Ontem, a quizumba estava armada porque "descobriram" que as instalações para os jornalistas estrangeiros em Pequim estavam com o acesso à internet controlado, com muitas páginas censuradas. Vozes se ergueram contra a falta de liberdade de informação. Detalhe: a maioria reclamou porque a imprensa internacional não tinha acesso livre à rede. Este foi o motivo para manifestações indignadas.

O fato de as populações chinesa e sob o domínio chinês não terem liberdade, bom... isso já não interessa mais, né? Afinal, os Jogos já vão começar e o esporte é lindo, certo? Vamos nos maravilhar perante a beleza das competições esportivas e a fantástica preparação dos atletas, oras! O resto não vem ao caso. Ao menos, parece que é o que dizem as entrelinhas da maior parte dos comentários"especializados".
Isso faz lembrar de evento similar, exatamente com as mesmas medidas políticas e organizacionais. Vejamos: Jogos Olímpicos, país organizador do evento mostrando seu poder, censura geral a notícias que pudessem "manchar" a imagem do país, maquiagem geral da cidade-sede, policiamento ostensivo, ameaças de ordem econômica aos países que decidissem boicotar os Jogos, países democráticos participando e fazendo declarações que não ofendessem o governo do país sede da Olimpíada...











... hmmmmmmmm...

....

... vejamos....











...

Ah, sim! Claro! Berlim, 1936.

Como esquecer, né? Hoje, todo mundo lembra do evento por conta da medalha de Jesse Owens bem embaixo do nariz do Führer – não se comenta mais o fato de o Comitê Olímpico Americano ter cortado dois atletas judeus da delegação, por exemplo, para evitar atritos com os organizadores (não era o caso, afinal, o esporte é lindo). Visto em retrospectiva, o evento parece ter sido uma forma de resistência ao nazismo, um aviso a Hitler de que o mundo não toleraria a barbárie. Tá! E divide-se a humanidade da época entre bons e maus – claro, olhando em retrospectiva, é lógico que todo mundo estava do lado dos bons, ninguém apoiou assassinos celerados. Quando os fatos se tornam passado, só as versões permanecem, né?

Voltando aos Jogos do século XXI, em abril, o presidente francês causou! Quando da passagem do Dalai-Lama pela França, Sarkozy impôs condições ao governo chinês – que incluíam free Tibet, libertação de presos políticos, fim da violência contra a população chinesa. Disse que se isso não fosse feito, a França poderia até boicotar os jogos. Opaaaaa!!!!!!!! Deu vontade de cantar a Marselhesa na época!

Vai daí que o governo chinês deu um calaboca no presidente francês, lembrando que alguns acordos econômicos poderiam ser desfeitos e fechados com outros governos, afinal, gente na fila é o que não falta! E, de mais a mais, que ninguém queria saber do francês em Pequim. Assim, Sarko fez carão e lascou um veje bem ao mundo, explicando que não é bem assim, que não vale a pena "humilhar" a China, que isso é desrespeito aos direitos humanos, né, pessoal?!

É. Daqui uns anos, quem sabe não se falará dos Jogos Olímpicos de Pequim em termos de resistência ao autoritarismo (com gente estampando Free Tibet em camisetas made in China). No momento, empresários sem fronteiras comemoram no melhor estilo, deitando e rolando no neoliberalismo de uma política mundial que, francamente, não parece diferir muito de outras já conhecidas.

Sem esquecer os que repetem o mantra: "ai, gentchiii... não vamos misturar espórtchi e política! O importantchi é mens sana in corpore sano; sobre o resto, dá muita dor de cabeça pensar..."

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Buena Vista Social Club


Dir.: Wim Wenders, 1998


Chan Chan – Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Rubén Gonzaléz, Eliades Ochoa, Omara Portuondo, Barbarito Torres, Juan de Marcos González, Manuel Puntillita Licea, Orlando Cachaito Lopez, Manuel Guajiro Mirabal, Amadito TitoValdés, Pio Leyva e Ry Cooder

terça-feira, 29 de julho de 2008

O disney-stalinismo

Uma coisa que dá uma preguiça danada é quem funciona em “sistema binário”, digamos assim. Se não é 0, só pode ser 1. Não é A, logo, é B. O bom e velho maniqueísmo. No fundo, a necessidade de uma certeza à qual se agarrar, seja uma opinião política ou sobre um filme qualquer em cartaz.

Não há espaços para dúvidas, para mudança de idéias. Por exemplo: se você diz que não concorda com determinadas ações do atual governo, ouve, num tom de ironia danado: “mas você não votava sempre no PT? Aaaaaaaahhhhh, eu tinha certeza de que um dia você cairia na real” – como se se tratasse de uma escolha obnubilada, que se arrastou por anos, até que você atingisse certa “maturidade”. Ou, então, tem de ouvir frases feitas, num tom alguns decibéis acima do desejável, acusando você de adesão ao neoliberalismo furioso. Preguiiiiiiiiiiiiii...

O pior é que isso toma proporções ridículas; quem nunca presenciou gente furiosa porque um amigo criticou atriz/cantor/esportista/jornalista, o que for, pois, nessa sorte de raciocínio, você não pode não gostar do que gostam seus amigos, namorados, consortes, enfim. É como se um ponto de vista diferente significasse uma declaração de guerra; não se discute, busca-se provar quem tem razão. A diferença se torna oposição. Preguiiiiiiiiiiiiiii....E, claro, quanto mais esse tipo de atitude se reproduz, mais se lê, debate, escreve, se fazem publicidade e passeatas pelo direito à liberdade – de opinião, consumo, sexual etc etc. Às vezes tenho a impressão de que vivemos num sistema "disney-stalinista", repleto de desfiles, divulgação ad nauseam de opiniões rasinhas, muitas bandeiras do politicamente correto, do salutar, da acomodação, do deixa estar; a adesão rápida a causas fáceis, coloridas, espalhafatosas, que não comprometem; e a sensação de que quem não compartilha dessas idéias o faz para magoar quem está a sua volta. Parece que o sistema adota como divisa se você gosta de mim, só aprova, faz e diz o que eu gosto. Os adeptos desse tipo de "liberdade de opinião" não sabem lidar com a variedade, mas apenas com duas opções, conhecidas a priori, para que não haja surpresa...

Eu, por hora, sigo à risca Hilda Hilst: Oscar! Meus sais!

Gramophonicas

Cartola – Peito vazio
Programa Ensaio (TV Cultura), 1974

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Professora substituta

Gilda Radner (1946-1989) era uma comediante americana fantástica. Da primeira equipe do programa Saturday Night Live, foi casada com Gene Wilder (o sr. Wonka da 1ª Fantástica Fábrica de Chocolates) e sabia caracterizar personagens hilárias – como a "professora substituta", por exemplo. Parece que estou me vendo, HAHAHAHAHA!

Gilda Live – 1980

domingo, 27 de julho de 2008

"Sweetie darling"


Duas passageiras britânicas, de pifão e tentando abrir a porta do avião para tomar um arzinho...? Mas nem precisa pensar muito para saber quem eram! Fazia tempo que não ouvia falar delas, daaaaa'ling...

Jennifer Saunders (Eddie) & Joanna Lumley (Patsy)
Absolutely Fabulous, 1992
(BBC, 1ª temp./episódio 3 – France)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Gainsbourg não quer que eu pare de fumar!

Há dias em que ter parado de fumar (1 mês e meio) não faz a menor diferença; há outros, em que roer alguma coisa substitui bem nicotina, alcatrão e todos os demais metais pesados inalados por 22 anos; em compensação, há momentos, como agora, em que se belisca azulejo, se mastiga cinzeiro e se bebe coca-cola light com cebion! Céus!

E digamos que procurar fotos do Serge Gainsburg (para o post abaixo) não é uma atividade que ajuda na decisão, HAHHAHHAH! Muito menos ver seus vídeos! O compositor de Dieu est un fumeur de havanes (Deus é um fumante de havanas) disse em uma entrevista que não parava de fumar pois seu cachorro não o reconheceria mais...

All the Things You Are
1964



Requiem pour un con
– filme Le pacha, 1968



Ballade de Melody Nelson
(vídeo de 1973)

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Documentos, carimbos, registros, permissões, certidões: "Deixem queimar!"



Versão de P'tits Papiers (Papeizinhos – 1965),
de Serge Gainsbourg.



Jeanne Balibar, France Cartigny, Femmouzes T, Dadou e Diésel (KDD), Noir Désir, Akosh S, Rodolphe Burger, Theo Hakola, Blankass e Grégoire Simon (Têtes Raides) – 2005

"Truques mágicos" & "defeitinhos"

De clic em clic, sempre se chega a um veículo de comunicação duvidoso. Discutindo política, esportes, entretenimento, moda, filosofia alemã ou espalhando lendas urbanas, páginas com informações ajambradas pululam por aí.

Dia desses, caí numa tal Viva mais! – para a mulher que se ama. Uma vez passado o susto com o título, li o artigo Soluções de última hora: truques mágicos ajudam a disfarçar aqueles defeitinhos quando aparece um evento inesperado. Claro que é o tipo de coisa que sempre se xereta, né? Quem nunca quis saber como perder uns 5 quilos duas horas antes de uma festa, por exemplo? Ou 11 graus de miopia, para poder ir sem lentes de contato nem óculos? Enfim, a lista é farta, "sortida-variada", como dizia Francisco Paz.

Mas aí, me deparei com:

E isso é um defeitinho? Pela descrição, a pobre criatura tem bolhas no rosto. Ficará ótima com maquiagem sobre elas? Fico imaginando o desastre que isso pode provocar... Para mim, o truque mágico é ficar em casa! Ou ir ao evento na companhia de paramédicos.

Certo. Para ficar com cara de "quem acabou de sair do salão"; e isso é bom? De toda a forma, para ficar com essa cara, você deve lambançar os cabelos já sujos com pomada e arrematar o arranjo com uma fivela de strass? Mas o que foi houve com aquele truque mágico chamado lavar os cabelos? Saiu de moda? A ANVISA proibiu? Nos meus conceitos ultrapassados, cabelo sujo não se disfarça, se lava!

Dá arrepios imaginar de que outros assuntos a revista trata. É de deixar assaz e deveras... Claro que o Trator vai continuar verificando, né? Tudo pela socialização da informação!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

"Mulher chega a um ponto em que quebra garrafa de whisky na pia"


Atendendo a um pedido especial, aí vai: Bossa Nova, banquinho e marafo (sem barquinho, porque dá enjôo!)

domingo, 20 de julho de 2008

Da série trash sci-fi

Buck Rogers foi um dos heróis de ficção científica do século XX; surgiu no final da década de 1920, em tirinhas de jornal; depois, teve revista própria, novela de rádio, seriado de cinema nos anos 30 e de televisão nos anos 50. É a história do sujeito que acorda no século XXV e precisa ajudar a manter a paz no planeta, a todo instante sujeito a invasões de desequilibrados alienígenas. O personagem fazia muito sucesso, era popularíssimo.

Buck Rogers in the 25th Century – 1935



Eu acho que o ator que fazia o Buck Rogers também fazia a Wilma Deering, HAHAHAHAHA! Tudo é ótimo, desde os diálogos até os cenários e o figurinos – destaque para a "naturalidade" com que o ator principal desenrola suas falas e para os "raios magnéticos".

Então, entre 1979 e 81, decidiram atualizar a história e criar um seriado no melhor estilo da época. Mesmo com baixo orçamento, a série fez sucesso, abusando do saturday night fever, dos collants de lycra e do glitter no cabelo e na maquiagem. Nunca vi série tão brilhosa e tão "justa" – a indumentária do capitão Rogers chegava a ser constrangedora nas tomadas frontais, AHAHAHAHAH! Já quem tinha bunda caída não era perdoado quando saía de cena num macacão sintético... Causavam frisson a coronel Wilma Deering e a Princesa Ardalla (versão dominatrix e mais bonita da Princesa Leia); havia uma "raça" de homens águia ou urubu, não lembro ao certo. Bonitinho mesmo era o robô Twikki e o indefectível biri-biri-biri-biri.

Clip com cenas do seriado, 1979-81
(música: Disco Inferno – The Trammps)


sábado, 19 de julho de 2008

A polca-samba

Leitor desgovernado é ótimo! Vamos direto ao que há de mais traste na cultura "de massas" – sempre quis usar essa expressão, denota uma seriedade intelectual e a consciência do que se faz, né não? HAHAHAHAHHA!

Bom, o fato é que do "debate cinematográfico", passou-se à parada de sucessos na Alemanha dos anos 70. Então, meus caros, o jeito é ir às fontes, sem intermediários.

Tony Holiday – Tanze Samba mit mir (Sambe comigo), 1977.

O que é mais impressionante?

* O conceito de samba, que inclui mariachis e percussão bávara?
* O arranjo capilar de Tony Holiday?
* Os sapatos de salto vermelhos? (quedêlhe o Papa, que ainda não adotou um par destes?)
* As dançarinas tentando encaixar uma coreografia qualquer nesta obra-prima musical?
* O samba no pé do vocalista?

Sei lá, pode ser que isso seja vingança... revolta contra as Oktoberfests do Vale do Itajaí e região...

sexta-feira, 18 de julho de 2008

...e viva o cinema europeu... êêê...

Há criaturas que se julgam cinéfilas por assistirem a filmes do Ingmar Bergman sem legenda; por assistirem a filme vietnamita com legenda em holandês; por não saberem quem é Sylvester Stallone; e por terem assistido a um único filme nacional – Limite (1931).

São tipos que se emocionam com qualquer porcaria que seja falada em francês, por exemplo, por acreditarem que tudo o que é feito na França é, necessariamente, poético, filosófico, cogitabundo... Como diz Consorte, devem ser produzidos uns 200 filmes por ano no país; não tem como só sair obra-prima, né? E experimente falar isso perto dos "cinéfilos" acima descritos; você será julgado como ser rude e seboso, de presença desagradável, indelicada. Como se eles pertencessem ao mundo das chávenas de porcelana com chás exóticos e textos herméticos e você, ao mundo "pagode, suor & cerveja".

Então, vamos lá, pra não dizerem que estou achincalhando talentos françolas. Um dos mais festejados, babados e elogiados diretores franceses dos anos 2000 é François Ozon, que dirigiu o musical, na minha opinião detestável, 8 Mulheres. Tudo bem, derrière e gosto, cada um tem o seu, certo?

Mas tomemos outro exemplo "do gênio" Ozon: Gouttes d'eau sur pierres brûlantes (Gotas d'água sobre pedras escaldantes), de 2000. O filme é inspirado numa peça do alemão Rainer Fassbinder. Resenha rápida desgovernada? Tiozão dos anos 70, casado, que pega todo mundo: o jovenzinho, a jovenzinha, o travesti. Como Ozon que se preza não dispensa um musicalzinho, ele reuniu, de forma discreta e poética, todo o elenco do filme, em cena pré-orgia (HAHAHAHAHAHA!). Ao final da música, o sujeito diz: "Agora chega, todo mundo pro quarto!" Percebam a alegria das moças... Claro, o sonho de toda jovem moçoila é um tiozão de cacharrel que dança assim, né?

Fosse eu a apresentar filme desses, pedras escaldantes levaria na cabeça, isso sim!

Privilégio?


E aí que já tem gente gritando que é privilégio, que isso, que aquilo. Não digo que o megatrambiqueiro esteja recebendo o mesmo tratamento que o pobre diabo que vai em cana. Nem acredito que um dia vá receber. Afinal, nossos togados magistrados, narizes levantados, têm realizado um trabalho pedagógico de primeira: mostrar aos brasileiros que não há lei no país, apenas a interpretação das mesmas. Que, é claro, varia de excelênça pra excelênça, varia de acordo com os subornos ofertados ou com a arrogância de quem vive na república dos bacharéis.

Dos cursos de direito, sai muita gente boa, mas também sai uma verdadeira nuvem de analfabetos funcionais, de bizarros herdeiros de meritíssimos, de criaturas com uma baixa-estima tão elevada, que acreditam que um título de bacharel de direito possa resolver seus maiores recalques. Não sei o que é mais detestável: criaturas pomadinha na bolsa de valores ou sorridentes juristas posando para fotos e filmagens. Então, francamente: tem cada tipo com curso superior por aí que é de deixar regina*!!! Figuras com quem eu não gostaria nem de dividir fila de cinema, que dirá uma cela!

* com medo

A classe média e a calçada

Em pesquisas socioeconômicas, uma das coisas mais difíceis que há no país é definir classe média. Quem faz parte? Muita gente rica o suficiente para não integrar o grupo declara-se classe média ("nem temos tanto dinheiro assim"); e muita gente, a contar cada centavinho para o busão nosso de cada dia, também se declara classe média, pois ser classificado como pobre é entendido como desrespeito. Como definir quem é quem neste verdadeiro 3º Estado?

Em minhas recentes pesquisas, acho que encontrei um fator determinante para sanar a dúvida. Representantes genuinos da classe média são aqueles ciosos das calçadas em frente às próprias residências. Vocês já devem ter visto a cena: em frente à casa, arma-se uma operação esfrega-esfrega, para garantir que aquele pequeno trecho de via pública fique mais limpo que o restante – denotando o capricho dos moradores que, certamente, esperam um dia ganhar uma medalha pelo pedaço de calçada mais limpa, mais esfregada da rua (quiçá do bairro!).

E esforços e recursos não são poupados nessa verdadeira cruzada: litros e litros de água despejados de mangueiras ou de superpoderosos jatos de água garantem a paz de espírito da classe média. Uma vez terminada a missão, a criatura proprietária do pedacinho de calçada mais claro que o restante da rua olha com orgulho para os lados, satisfeita consigo mesma. A água? Oras, a justificativa ainda é a mesma de tempos atrás: "eu estou pagando, uso o quanto quiser."

A utilização de quantidade ainda maior de água também é recorrente para lavar garagens de prédios – afinal, a garagem do prédio é quase a alma de seus moradores, né não? Deve estar sempre brilhando, sem máculas. A lavagem do carro merecerá capítulo à parte.

Acho que o dia em que houver uma lei (decente), que proíba e multe quem lava calçadas com esquichos e afins, a classe média nacional vai tomar a Bastilha e cabeças vão rolar! Ah, vão!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

"Put the Blame on Mame"

Uma das personagens "de película" que eu mais adorava quando criança era Tia Mame (Auntie Mame, 1958), vivida pela atriz Rosalind Russell. Entre o final dos anos 70 e o início dos 80, assisti ao filme umas 10 vezes. Acho que assistiria a mais umas 10!!!

Ela ensinou o sobrinho órfão a fazer dry martinis. Quando o tutor do menino questionou tia Mame sobre que história era aquela de ensinar uma criança a fazer drinks alcoólicos, ela explicou: "Conhecimento é poder, ora!" HAHAHAHAHA!

Alguém fez uma montagem com trechos do filme e trilha sonora do Queen – apropriadíssimo!


Por que eu tenho que saber sobre isto?

Volta e meia, alguém se revolta contra a necessidade de ler, de ter curiosidade acerca do mundo que nos cerca – seja em termos biológicos, políticos, culturais, econômicos, astronômicos, históricos etc. Quanto aos últimos, a respostinha mais engraçadinha que eu já ouvi foi: "aaahhhh, isso eu não conheço, não tinha nascido ainda..." Tive conhecidos, alunos ou não, que lançaram mão do recurso. Parafraseando uma jornalista francesa: "eu não havia nascido quando o mundo foi criado, mas estudei a respeito...". Eeeenfim...

Há também o time dos que entendem o verdadeiro conhecimento como uma grande revista Caras; são os tipos que cutucam, perguntam e contam, o tempo todo: "Mas as pessoas tinham que beijar a mão engordurada do D. João IV?"; "D. Pedro I tomava catuaba, pois tinha muitas amantes"; "A imperatriz Catarina da Rússia transava até com cavalos" (esta, por incrível que pareça, eu ouvi de um professor de cursinho...); "Sério que Da Vinci era gay?"; "Darwin era um machista". Aaaaai, que preguiiiiii...!

E, como todas as áreas do conhecimento, a história econômica, por exemplo, também produziu coisas dispensáveis; em alguns casos, detestáveis. Tanto em termos de pesquisa quanto em termos de ensino. Durante minha graduação, tive um professor de história econômica que passava a aula resmungando sobre a curva de Schumpeter – ele até tentava mostrá-la, somente às alunas; eu nunca vi, então, felizmente, tenho esta falha em minha formação, HAHAHAHAH!
Mas pesquisas fantásticas nesta área são produzidas sim, para que todo mundo possa entender os caminhos e descaminhos deste país. O professor João Fragoso, do departamento de história da UFRJ, publicou há alguns anos o texto Para que serve a história econômica? Ele saiu dos temas batidos da plantation, teoria da dependência, metrópole/colônia etc. etc. Entende que padrões de consumo estão ligados a culturas e estratégias sociais, ou seja, fatores tradicionalmente entendidos como “de fora” da economia. Para ele, é necessária a atenção ao cotidiano das pessoas que viveram os fenômenos econômicos. Também estuda a recorrência da concentração de renda no Brasil e que estratégias foram utilizadas, século após século, para que se mantivesse – e de que forma é mantida ainda hoje. Bom, não vou ficar resenhando o texto com frasezinhas malas, né? Leiam o dito cujo, meus caros! É muito, muito bom! Basta clicar bem aqui (quem não quiser ler sobre toda a discussão historiográfica, pode ir diretamente à página 6).

terça-feira, 15 de julho de 2008

Teoria da Involução IV

Ontem, estava eu concentrada nos meus alfarrábios, quando escutei um cachorro gritar, como se estivesse apanhando. E estava. Olhei pela janela e vi um sujeito da oficina mecânica ao lado entrar no "escritório" com uma barra na mão; o resto, vocês imaginem. Aí, tive aquele ataque básico de louca de jaula e me pus a berrar na janela toda a espécie de ameaças e impropérios. A vizinhança inteira apareceu. E o tipo lá, mostrando quem é que manda neste mundo.

Resumo da ópera: descemos, Consorte e eu, até a oficina do tipo, invadimos o "escritório" dele e tiramos o cachorro de lá. Era um cachorro errante, hehehe, que errou e muito ao entrar no espaço do garotão malhado, do tipo "faço o maior sucesso por aí". Enquanto tirávamos o cachorro, ele resmungava entre os dentes, barra em punho, mas ficou quieto.

O veterinário da clínica aqui ao lado também veio dar uma geral no canino, que estava bem, e trouxe ração; alguns vizinhos alunos da UFSC ouviram o escarcéu e vieram assuntar a quizumba; acabaram levando o cachorro – não sem antes também brandirem punhos e palavrões ao repelente tipo da oficina.

Ninguém é obrigado a abraçar a causa animal, a virar vegetariano, a adotar bichos de rua, o que for. Mas um tipo asqueroso desses que faz isso com um cachorro, também o faz com uma criança, com quem estiver na frente dele no trânsito, no boteco, onde for. Garotão do tipo malhado, do tipo "drogas, tô fora"; se bobear, deve ir à igreja toda a semana. Tudo isso para dizer que não é o sujeito sujo e podrão, estereótipo do mecânico. É o jovenzinho-bonitinho-arrumadinho.

Então, para quem mora em Florianópolis, o Trator aconselha a passar batido pelo Chalé do Óleo (original, né?), quase em frente ao Parque Ecológico, no Córrego Grande – e avisar aos conhecidos que façam o mesmo. O sujeito que vai colocar as mãos no seu carro é um desequilibrado, é um ser que se situa entre a barata e o espanador de pó na escala da evolução das espécies.

Por outro lado, é o máximo o veterinário da Clínica Osso Duro de Roer (o pessoal é criativo por aqui, hehehe), na João Pio Duarte, quase em frente ao Parque Ecológico também.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

14 de julho






















































































































domingo, 13 de julho de 2008

Bololô jornalístico...

Telejornais estão a cada dia mais inacreditáveis. A diretriz parece ser não importa o que é dito, vale dar uma idéia geral e servir de suporte para o intervalo comercial. Os âncoras não conseguem sequer ler sobre as "interações" ridículas que seus telejornais promovem. O que dizer sobre o resto.

A RBS Santa Catarina, por exemplo, vai levar criancinhas à terra do Papai Noel daqui a 5 meses... Assim, imagens da casa do "bom velhinho" na Finlândia são exibidas; quem quiser participar da promoção é informado que deve escrever para o endereço XPTO e blablablá.

Ao encerrar a prodigiosa "reportagem", a âncora se embanana, troca as bolas e diz que a criança vencedora viajará à Polônia – e as imagens provavelmente da Lapônia continuam no ar, o endereço é repetido e o erro passa despercebido. Ninguém avisa a desnorteada colega sobre o desvio geográfico...

Ahhhhhhhh!!! Mas também, né?! Polônia, Lapônia, não é tudo coberto de neve do mesmo jeito? Não é tudo mais ou menos pro mesmo lado?! Então, tá valendo, num tá?!

Se os organizadores da promoção forem como os apresentadores, dá pra imaginar a trupe RBS, com criancinha ganhadora de promoção à tiracolo, desembarcando na Polônia atrás do Papai Noel...

sábado, 12 de julho de 2008

Porta-vozes do absurdo

Cada vez que ouço o ministro da justiça Tarso Genro, me lembro de uma figura do governo do general Figueiredo: o porta-voz Carlos Átila.

Sempre à bordo de olheiras inacreditáveis, Carlos Átila inspirava um personagem de Jô Soares, o Porta-Voz, assim como deu o nome a um outro de Luis Fernando Verissimo – a velhinha de Taubaté, a única pessoa que acreditava no governo, assistia crédula ao noticiário ao lado de seu gato Carlos Átila.


Átila era especialista em respostas do tipo "veja bem", que proliferavam nos últimos tempos do governo Figueiredo.

Quando destruíram as Sete Quedas do rio Paraná para a construção do Lago de Itaipu em 1982, moradores da região, ambientalistas, brasileiros de todos os cantos gritaram. Disse o porta voz que entre uma beleza natural, para olhar, e empregos que seriam gerados pela obra, todos optariam pelos empregos, né? Quando os comícios pelas eleições diretas no país reuniam milhares e milhares de pessoas entre 83 e 84, Carlos Átila dizia, em rede nacional, com a cara mais lavada deste mundo: "Comício? Que comício? Ninguém nem sabe onde é!"

Atualmente, é ministro aposentado do Tribunal de Contas da União e produz cachaça em Minas Gerais...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Entra-e-sai


E prenderam o Daniel Dantas (teve quem achou que fosse o ator...); aí soltaram, aí prenderam.

Aí, pergunta o Trator: não é mais fácil criarem uma Superintendência da Polícia Federal drive thru? Ô, pessoal! "Rapidez e comodidade", né? E, ainda, acompanha fritas...

Do reino vegetal


Tendo em vista a proliferação de mulheres melancia, jaca, moranguinho (?), melão (ou seriam melões, já que são 2?) e hortifruti a 4, um amigo declarou que será o homem-vagem a partir de agora.

Principal característica do homem-vagem? Ser vagem.

E ele continua assumindo seu lado vegetal; outro dia, saiu em busca de um par de tênis: "não encontrei o que me servisse. Aí, comprei uma centrífuga de salada ótima!"

O Trator apoia...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Dicionário financeiro

Coordenador de campanhas partidárias, financiamentos irregulares e desvio de recursos públicos e privados: publicitário.

Detentor de conta bancária em paraíso fiscal, auxiliar para lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos: ex-prefeito

Estelionatário, golpista, fraudador: megainvestidor

Formador de quadrilha: banqueiro

Otário: você

terça-feira, 8 de julho de 2008

HÃ?!

Há dias em que eu não consigo entender nem frases de jornal. Deve ser a esclerose...












segunda-feira, 7 de julho de 2008

Gramophonicas

Montecchios e Capuletos (Romeu & Julieta, Op. 64)/Sergei Prokofiev – Orquestra Sinfônica Paris Rive Droite, de músicos amadores.



A regente é Alexandra Cravero, francesa de origem armênia, nomeada chef d'orchestre em 2005. Ela tem 31 anos... então tá, né?

Gramophonicas

Aux sombres héros de l'amer – Noir Désir (1989)



* respondendo a uma dúvida da semana passada: o duplo clique sobre a imagem encaminha diretamente à página do YouTube.

Malthus reloaded

Neste fim de semana, eu e Consorte discutíamos sobre a especulação que se pratica atualmente com alimentos – que entram na categoria das commodities, nos termos do economês. Em abril, o Der Spiegel publicou uma matéria sobre o assunto, apontando alta abusiva de preços, negociações para além de leis e preços locais, acumulação de estoques etc. Operações que não têm nada de novo, mas que agora são realizadas com comida.

Bom, fome, boa parte do planeta a conhece há séculos.

Mas, atualmente, dá para se engajar em campanhas ambientais, concentrando a atenção da opinião pública na mudança climática – e deixar de falar sobre investidores da bolsa que especulam com grãos, que formam estoques gigantes e vendem para os países ricos fabricarem biocombustível. O biocombustível não é algo horrível, como já tem gente dizendo, ao contrário. O problema é quando se transformam terras produtivas em latifúndios para a produção deles, concentrados nas mãos de meia dúzia de coronéis globalizados, proativos e sinérgicos... O problema é estocar comida e entregar para quem pagar mais, deixando quem produziu morrer de fome, como ocorre na Índia, como ocorre na África, como ocorre no Brasil. Aliás, por aqui, parece que se evita falar de bóias-fria, violência no campo e reforma agrária, né? Ou trata-se de cada fator como se fosse algo apartado dos demais...

E vai daí que, passando os olhos na Folha de Sunpaulo de hoje, li que investidores estrangeiros compram, a cada hora, meio km² de terra no Brasil; o título da matéria de Eduardo Scolese é Por dia, estrangeiro compra "6 Mônacos" de terra no país. Eles vêm atrás da soja e da cana-de-açúcar. E, claro, se for necessário derrubar área de proteção ambiental e transformar terra produtiva em pastagem ou monocultura extensiva, dinheiro é o que não falta, certo? Afinal, vivemos numa beleza de mundo sem fronteira alguma, como adora repetir o marketing podre dos bancos. Se balanças comerciais estiverem no prumo, tem economista que enche a boca para dizer que as coisas nunca estiveram tão bem oras.


Não ponho todos os economistas no mesmo cestão de liquidação, há figuras sensacionais que deveriam ser muito mais lidas, como é o caso do professor Hugo da Gama Cerqueira, do professor Aloísio Teixeira e seu belo livro Utópicos, heréticos e malditos ou Karl Polanyi e o fantástico A grande transformação. Mas, infelizmente, dá a impressão de que quanto mais pulula a raça de especuladores, verdadeiros criminosos bem alinhados e sorridentes, mais cresce, quase como uma retaguarda, a raça de sinistros economistas risonhos que vomitam siglas e números ininteligíveis e a de futuros administradores, economistas e publicitários cujo único objetivo é ir trabalhar na bolsa ou "ganhar a conta", pois acreditam que dinheiro não interessa de onde vem...

Aí, marreta-se a ladainha de que o problema do mundo é de quem usa mais de meio copinho d'água para escovar os dentes e de quem fuma maconha. Moralistas fazem eco às lorotas, outros não querem saber do que se passa, afinal, se preocupar demais deprime, né? Melhor é não saber de nada, não aprender nada e nada discutir. E assim vamos nós.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pausa


Caríssim@s leitores e leitoras desgovernad@s: o Trator ficará uns diazinhos em recesso, até segunda-feira. Então, bom fim de semana a tod@s e até lá!