Ontem, a quizumba estava armada porque "descobriram" que as instalações para os jornalistas estrangeiros em Pequim estavam com o acesso à internet controlado, com muitas páginas censuradas. Vozes se ergueram contra a falta de liberdade de informação. Detalhe: a maioria reclamou porque a imprensa internacional não tinha acesso livre à rede. Este foi o motivo para manifestações indignadas.
O fato de as populações chinesa e sob o domínio chinês não terem liberdade, bom... isso já não interessa mais, né? Afinal, os Jogos já vão começar e o esporte é lindo, certo? Vamos nos maravilhar perante a beleza das competições esportivas e a fantástica preparação dos atletas, oras! O resto não vem ao caso. Ao menos, parece que é o que dizem as entrelinhas da maior parte dos comentários"especializados".
Isso faz lembrar de evento similar, exatamente com as mesmas medidas políticas e organizacionais. Vejamos: Jogos Olímpicos, país organizador do evento mostrando seu poder, censura geral a notícias que pudessem "manchar" a imagem do país, maquiagem geral da cidade-sede, policiamento ostensivo, ameaças de ordem econômica aos países que decidissem boicotar os Jogos, países democráticos participando e fazendo declarações que não ofendessem o governo do país sede da Olimpíada...
... hmmmmmmmm...
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... vejamos....

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Ah, sim! Claro! Berlim, 1936.
Como esquecer, né? Hoje, todo mundo lembra do evento por conta da medalha de Jesse Owens bem embaixo do nariz do Führer – não se comenta mais o fato de o Comitê Olímpico Americano ter cortado dois atletas judeus da delegação, por exemplo, para evitar atritos com os organizadores (não era o caso, afinal, o esporte é lindo). Visto em retrospectiva, o evento parece ter sido uma forma de resistência ao nazismo, um aviso a Hitler de que o mundo não toleraria a barbárie. Tá! E divide-se a humanidade da época entre bons e maus – claro, olhando em retrospectiva, é lógico que todo mundo estava do lado dos bons, ninguém apoiou assassinos celerados. Quando os fatos se tornam passado, só as versões permanecem, né?Voltando aos Jogos do século XXI, em abril, o presidente francês causou! Quando da passagem do Dalai-Lama pela França, Sarkozy impôs condições ao governo chinês – que incluíam free Tibet, libertação de presos políticos, fim da violência contra a população chinesa. Disse que se isso não fosse feito, a França poderia até boicotar os jogos. Opaaaaa!!!!!!!! Deu vontade de cantar a Marselhesa na época!
Vai daí que o governo chinês deu um calaboca no presidente francês, lembrando que alguns acordos econômicos poderiam ser desfeitos e fechados com outros governos, afinal, gente na fila é o que não falta! E, de mais a mais, que ninguém queria saber do francês em Pequim. Assim, Sarko fez carão e lascou um veje bem ao mundo, explicando que não é bem assim, que não vale a pena "humilhar" a China, que isso é desrespeito aos direitos humanos, né, pessoal?!
É. Daqui uns anos, quem sabe não se falará dos Jogos Olímpicos de Pequim em termos de resistência ao autoritarismo (com gente estampando Free Tibet em camisetas made in China). No momento, empresários sem fronteiras comemoram no melhor estilo, deitando e rolando no neoliberalismo de uma política mundial que, francamente, não parece diferir muito de outras já conhecidas.
Sem esquecer os que repetem o mantra: "ai, gentchiii... não vamos misturar espórtchi e política! O importantchi é mens sana in corpore sano; sobre o resto, dá muita dor de cabeça pensar..."
E, claro, quanto mais esse tipo de atitude se reproduz, mais se lê, debate, escreve, se fazem publicidade e passeatas pelo direito à liberdade – de opinião, consumo, sexual etc etc. Às vezes tenho a impressão de que vivemos num sistema "disney-stalinista", repleto de desfiles, divulgação 









































