domingo, 29 de junho de 2008

Church Fashion Week

Na esteira das semanas da moda, do mundo fashion tendence branché e o c... a 4, a Igreja católica também mostra que nem só de hábito e batina vivem o alto e o baixo clero. Depois dos sapatos vermelhos de Sua Santidade – que juram que não são Prada, afinal, quem veste Prada é o outro – aí vão os melhores momentos do Igreja Católica Fashion Show. Um luxo!


Roma
(1972) – Itália; dir.: Frederico Fellini

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Bingo no Trator

Céus, como é fácil se viciar num bingo; eu entendo as velhinhas que se precipitam, com suas bolsinhas em punho, para jogar. Estou viciada nesta modalidade, que jogo diariamente:

segunda-feira, 23 de junho de 2008

A musa absoluta e definitiva do Trator

Maria Alice Vergueiro – Quart4 B (2005)
Dir.: Marcelo Galvão

Trucão do além

Comecei a ler sobre um poltergeist em Jundiaí (SP). Não se manifesta pela televisão fora do ar, mas parece que faz sangue aparecer no chão (prefiro a TV fora do ar, francamente). Tá, daí que convocaram padre Quevedo & Exorcistas Futebol Clube, parapesicólogos e demais profissionais do além. Chegaram à conclusão de que não é bem assim, que de paranormal não há nada no fenômeno, blablablá.... Nem cheguei ao final da explicação. E nem precisa!!! O local onde ocorrem os fatos "inexplicáveis"? Na rua Antônio Bizarro, Jardim Bizarro. E precisa de padre Quevedo para explicar isso? Bah!



domingo, 22 de junho de 2008

As crianças e As Frenéticas

Em 1978, eu estudava na 3ª série, com a tia Daura (ô, mania cretina de chamar professor de tio/tia!). A cada final de ano, a escola organizava uma festa na qual a infância apresentava números de canto, dança e afins. Meu pai ia arrastado, claro, parecendo um membro da família Addams assistindo às crianças vestidas de flores e legumes e quase se matando de tédio.

Pois naquele longínquo 78, HAHAHAHAH! junto com a professora, escolhemos a música Dancing Days, das Frenéticas (“abra suas asas, solte suas feras...”). Ensaiamos por uma semana – aaaaaah, os ensaios eram puxados HAHAHAHA; um mês antes, já ficávamos macetando refrões sem parar. As meninas, além disso, apresentavam número de balé, clássico, moderno ou folclórico (ou tudo o que desse na telha na professora de balé – integrante do Balé Guaíra de Curitiba). Naquele ano, dançamos o Can-Can.

Bom, vai daí que a diretora da escola, criatura consciente da importância da formação de cidadãos ordeiros, vetou a nossa apresentação musical com as Frenéticas. Uma, porque a música estava associada à novela das 8h da época; duas, porque expressões como caia na gandaia e na nossa festa vale tudo não era coisa que aprovava quem tinha dado ouro para o bem do Brasil, né?

No final das contas, nossa professora levou uma chamada e, muito tristes e com uma sensação de injustiça danada, nós tivemos que apresentar Catito, do Nat King Cole... Bah! Um ano antes, a gente já cantava em toda parte, das mesmas Frenéticas, eu sei que eu sou bonita e gostosa, oras!! Me digam se havia motivo para preocupação por parte dos guardiães da educação moral e cívica e dos bons costumes, HAHAHAHA!

Perigosa – As Frenéticas, 1977


sexta-feira, 20 de junho de 2008

E se foi o Visconde de Sabugosa

André Valli, o sabugo de milho autodidata, hehehehe...

O Sítio do Pica-Pau Amarelo, 1977

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Beleza & Estilo no Trator

Dando uma passada de olhos no portal da UOL, acompanhando os gols de Portugal e Alemanha, me deparei com isto:



HAHAHAHAH! É sarcasmo? O que significa essa foto e essa legenda?

Mas magina que algo pode dar errado quando você se aplica toxina botulímica/colágeno/heroína logo acima da pálpebra, né? Se carcá bem na seringa, quem sabe não se obtém uma lobotomia química? Sei lá, um peeling cerebral deve auxiliar na clareza das idéias, por exemplo...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Brutalidade e escárnio



O que falar sobre o caso dos 3 jovens moradores do Morro da Providência que o exército entregou para traficantes executarem...? Não dá pra saber o que é pior – depois da brutalidade ela mesma –, se é o fato de todo mundo tirar da reta, levantar muita poeira, torcendo para que aconteça algo que desvie a atenção geral; se é a imprensa tomar como verdade e reproduzir o discursão da "autoridade constituída" e dos "cidadãos de bem" (a de que jovem morador do morro e traficante é a mesma coisa); ou se é todo mundo soltar um suspiro e ficamos por isso mesmo, repetindo que "isso sempre aconteceu, não é de hoje", como se fosse justificativa decente.

Felizmente ainda há análises íntegras, como a do Fernando Gabeira e a da Lucia Hippolito. Não mudam a situação em 1 segundo, mas vão ao ponto – não há justificativa e todo o silêncio é conivente.

Notas sobre a Providência

Foi um soco no estômago. A julgar pelos relatos, os garotos do Morro da Providência sofreram muito. Em primeiro lugar, os soldados do Exército tentaram arrancar seus cordões de pescoço. Em segundo lugar, foram espancados. Finalmente, depois de entregues aos traficantes do Morro da Mineira, tiveram órgãos amputados e foram muitas vezes alvejados.

Esta barbaridade representa, além do sofrimento das famílias, um grande baque na imagem do Brasil. O Exército brasileiro, que se comporta tão bem no Haiti, aparece, aos olhos do mundo, como um esquadrão de bárbaros.

Como foi possível este equívoco? Ao ir para o Haiti, sob a égide da ONU, o Brasil estava coberto por leis especiais. No Morro da Providência, não.

Só uma política vulgar poderia ter jogado o Exército na lama. E esta política passou pelos mesmos atrativos do Haiti: receber algum dinheiro pelo trabalho.

Só que no Brasil o dinheiro repassado era de uma emenda parlamentar de um senador que é candidato a prefeito do Rio.

No fundo, o Exército brasileiro foi transformado em tropa de choque da Igreja Universal. Em outro lugar, o próprio Comandante já teria pedido demissão.

Não o comandante do Leste, mas o próprio Comandante do Exército. O primeiro chegou a questionar a operação, mas não teve força para contê-la.

Se formos mais longe na compreensão desse aviltamento do Exército, veremos que a própria democracia foi aviltada. As determinações saíram do presidente da República para proteger seu amigo candidato. Naturalmente, os seus defensores vão pedir provas. Mas a verdade é que o Exército, que tem uma política, jamais faria tudo isso sorrateiramente. Só o delirio da popularidade como fator de onipotência poderia ter-nos lançado nessa tragédia.

Infelizmente, a resistência brasileira é muito débil. Vejam como a televisão se refere ao crime, em muitos momentos omitindo o caráter eleitoreiro das obras, em outros afirmando que os rapazes foram entregues a um grupo de traficantes rival. Como afirmar isto? Os rapazes não eram traficantes. Não se pode insinuar que fossem rivais dos traficantes da Mineira.

Foi tudo uma barbaridade, que é amaciada aqui e ali para que não se perceba a gravidade do erro. Os próprios soldados, reconhecendo a autoridade do grupo ADA (Amigos dos Amigos) como se fosse uma instância legal, confirmaram a máxima de que está tudo dominado.

Tráfico, soldados do Exército, comandantes sem estatura para o cargo, presidentes delirando com a popularidade e a imprensa, que às vezes reluta em chamar as coisas pelo nome, a Igreja Universal, com sua ambição de abarcar pedaços do estado brasileiro - tudo isso é horroroso. Tudo isso é a face abominável do Brasil que precisamos superar. (FG)

(in: gabeira.com)


Arqueologia visual: Cyd Charisse fazendo ponta

Não, o post não é sobre tapa na pantera. É sobre o início de carreira da Cyd Charisse, tão linda, que se foi ontem.

Certo, certo, filme musical do século passado é quase sempre laxativo-purgativo, como diz Betoolyz. Mas mostrar Cyd Charisse sem musical é difícil. E este é "do tipo"!

Em 1947, ela apareceu em Fiesta, participação curtinha, ao lado de Ricardo Montalbán. Quem é da velha guarda da Escola de Samba & Associação Recreativa Estamos Aí, como eu, se lembra de Montalbán pelo sr. Rourke, da Ilha da Fantasia ("sorria, pessoal, sorria!") ou o Kahn, de Jornada nas Estrelas. Pois ele participou de vários musicais também, sempre no modelão latino fogoso, HAHAHA!

O número musical de Charisse e Ricardão? La Bamba (aquela mesma, "para bailar la bamba..."):


segunda-feira, 16 de junho de 2008

Exultações telejornalísticas



Há pouco, como há muito não fazia, passei por alguns canais no horário do telejornal local. Bom, sem perder tempo com a baixa qualidade jornalística, o "horrô" que são as apresentadoras de "tailleurzinho executivo" de cores como abacate passado ou banana que amarra – devidamente "chapinhadas", claro. Já os apresentadores devem acreditar que aquele "visual estúdio" grita de elegância...

Lá pelas tantas, um casal telejornal fala do traficante local mais poderoso e de uma suposta queima de arquivo levada à cabo por seus asseclas (tá, eles não disseram asseclas...). E mandaram ver numa descrição absurda sobre o cadáver e de que forma ele foi torturado, não economizando em detalhes – coisas que dá pra verificar num Brasil Nunca Mais, por exemplo. Sempre estampando aquela cara de "fazemos um jornalismo sério", claro. Como muitas outras, essa foi a típica reportagem asquerosa.

Concluímos, eu e Consorte, que a velha regra não muda, né? O importante é não mostrar peito/pinto/bunda/maconha/travesti. Onde ficariam a moral, os bons costumes, a tradição, a família, a propriedade, a sensibilidade da classe média, não é mesmo? O resto, se vender e der audiência, dá pra se refestelar em cima e chafurdar dentro!

Sontag e a doença



David Rieff, filho da escritora, crítica e ativista Susan Sontag (1933-2004) resumiu como ninguém, em um parágrafo, o livro A doença como metáfora, que sua mãe escreveu em 1978:
Em parte estudo literário, em parte polêmica, foi uma súplica fervorosa para tratar a doença como doença, como loteria genética, e não o resultado de inibição sexual, repressão dos sentimentos e todo o resto -aquela tórrida infusão de Wilhelm Reich em baixo nível e a mistura de masoquismo e arrogância que diz que, de certa forma, as pessoas atraem a doença para si mesmas.

Colagem


LAERTE/Folha SP, 13.05.06

Não fosse nosso insustentável desejo de ter, essa força monumental poderia ser redirecionada para dar habitação digna, saúde, alimentação, educação e meio ambiente equilibrado para todos.

Fatalismo pode ser explicação plausível para tanta inércia diante do que podemos chamar de Consenso dos Insensatos, o conluio de poderes para colocar interesses pequenos sempre à frente quando se trata de combater os impactos da máquina de produzir "civilização" descartável, risco ambiental e exclusão social.

MARINA SILVA/Folha SP, 16.06.06


sábado, 14 de junho de 2008

Frases que dão vontade de repetir...


– Nós não abraçamos.
– Aaaahh... São tímidos?
– Não, somos contagiosos.
(A família Addams II)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

CQC foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional?

A equipe de reportagem do programa CQC (Band, segundas, às 22h) está proibida de entrar no Congresso Nacional. O motivo: a equipe faz perguntas constrangedoras e o programa é de cunho humorístico.

O jornalista Marcelo Tas, da equipe CQC, pergunta e conclui:
O que seria uma pergunta constrangedora? Entre outras coisas perguntamos: qual a utilidade de uma reforma tributária se os políticos fazem caixa 2? Realmente é uma pergunta constrangedora para os políticos que fazem caixa 2. Mas, peraí, não é uma pergunta necessária e apropriada?
(...)
Um Congresso que tem Inocêncio de Oliveira de corregedor-geral, o suposto guardião da ética política, realmente não quer concorrência de "humoristas". É um argumento que nos faria morrer de rir não fosse a indignação pelo atropelamento do direito de expressão no momento em que está em vigor o pleno regime democrático. Conquistado à duras penas, diga-se, por vários dos congressistas que lá estão.
Fico pensando que se o critério é o constrangimento causado pelo programa, seria o caso de barrar meio mundo na TV brasileira, certo? Fausto Silva, Luciana Gimenez, Gugu Liberato, núcleos dramatúrgicos de coisas como Malhação ou Zorra Total, pastores e padres-marcelos entre síncopes nervosas e a aeróbica de jesus ou programas que tiram proveito máximo do sofrimento alheio ("estamos filmando D. Fulana, que acabou de perder seu filho assassinado; é ele quem está no chão, com dez tiros na cabeça, filma aqui; eles já haviam perdido tudo na última enchente que devastou a região; a filha de D. Fulana, 12 anos, grávida do terceiro filho, está com dengue hemorrágica. A sra. está muito triste, D. Fulana?"); sem contar os programas nos quais se plantam repórteres na bolsa de valores, para mostrar que a economia do país vai bem, já que os empresários estão felizes, que o desmatamento provocado por ruralistas é benéfico ao meio ambiente e que quem discorda disso é estúpido.

"Modos que", se você clicar na imagem, pode apoiar a Campanha CQC no Congresso, participando do abaixo-assinado:


Havia no século passado...



... uma coisa chamada reforma agrária. Não exatamente colocada em prática, mas sempre em debate. Hoje em dia, nem se fala mais a respeito. Claro, uma criatura já passada como eu, de outros tempos, ainda acredita que a tal reforma devesse ser efetivada.

Mas talvez isso não tenha mais lugar num mundo globalizado proativo sinérgico que no caso vai buscar estar agregando valor de acordo com as reais necessidades do cliente a partir das mais amplas skills pictórico gerenciais líderes no mercado desde 1900 e o dia em que eu nasci garantindo plena satisfação das necessidades fisio-filosóficas ou o seu investimento de volta, certo?



Sabe de que mundo eu falo, né? É aquele no qual qualquer discussão política, por exemplo, é recebida com bocejos, até por que não será desenvolvida num idioma marketeiro administrativo, criado por quem acredita que com isso realmente está revolucionando a linguagem e o seu tempo – pessoas que têm como ideal de vida o Donald Trump ou o Lula Mendonça; que acham que Roberto Jefferson é o cara; que não têm vergonha de chegar na metade de um curso universitário sem saber qual é a relação entre URSS e Rússia; que entram em pânico porque as pontas duplas do cabelo aumentaram. Mas que, claro, usarão camisetas com inscrições do tipo Save the World ou Free Tibet.

Bom... não liguem. Este é um post de gente velha, chata, misantropa. E que fica se repetindo, ainda por cima. Ah, falando nisso! Ouvi uma definição ótima do dejà vu, a sensação de que você já viveu aquela exata situação antes: é quando a vida gagueja...


domingo, 8 de junho de 2008

Telephonicas

Reservando mesa em restaurante na cidade natal:

– Por favor, gostaria de reservar uma mesa para sete pessoas...
– Pois não. Seu nome...?
– Marília.
– Marília?
– Exato.
– Reservado, então. Mesa para 7 pessoas, em nome de Marília Exato...


No meio do caminho havia...

Estrada Curitiba-Florianópolis; na serra, o aviso:

CUIDADO
CURVA SINUOSA

Há um outro tipo de curva e eu nem sei? Sei lá... uma curva reta, talvez?!




sexta-feira, 6 de junho de 2008

Gramophonicas

The Jezebel of Jazz, Anita O'Day
Sweet Georgia Brown/Tea for Two
(Newport Jazz Festival, 1958)



quarta-feira, 4 de junho de 2008

Gramophonicas

Road Runner – Bo Diddley (e a fantástica guitarrista Norma-Jean Wofford, The Duchess), 196?




Ressalte o que você tem de melhor, meu amigo!

Li ontem um artigo, importantíssimo, tratando dos benefícios da maquiagem masculina – esconder olheiras, imperfeições, ficar com a cara do Roberto Justus, essas coisas. Mas, a matéria ressalta: sem afetação. O resultado:


Bobagem. Isso tudo é uma bobagem; por isso, o Trator selecionou resultados de maquiagem masculina muuuuito melhores. Vejam só:

* tripulação da USS Enterprise. Ora, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve, né? Também sem afetação, tudo muito digno, como convém à carreira na Frota Espacial.


Capitão Kirk
(William Shatner)


Tenente Sulu
(George Takei)


Tenente-comandante Spock
(Leonard Nimoy)

* para os que não se sentem bem com uma produção futurista, algo mais clássico. Lawrence da Arábia fornece matrizes sensacionais, específicas para cada tipo de pele, formato de rosto, cor dos olhos etc. Ali, sim, é possível comprovar que a península arábica foi pacificada a custo de muito delineador e cílio postiço! Claro, sem afetação.


Lawrence of Arabia
(Peter O'Toole)


Príncipe Feisal
(Alec Guinness)

* para quem é fã do make-up tradicional, aquele que atravessa gerações, William Powell é sempre uma boa referência...


* não esqueça que os nada afetados anos 80 estão de volta, como fonte de inspiração fortíssima! O Trator assina embaixo:


Duran Duran

* em tempo – homenagem a Mel Ferrer, que se foi nesta semana (num make-up sessentão para Guerra & Paz):




segunda-feira, 2 de junho de 2008

"Eu acuso!"

Émile Zola (1840-1902) foi um dos primeiros escritores a conseguir viver da venda de seus livros. Sempre metido em alguma polêmica, não suportava a injustiça nem o julgamento vazio alimentado pelo preconceito reacionário, do qual foi vítima quase a vida toda. Não bastasse a Academia torcer o nariz literário ao naturalismo, leitores indignados se prestavam a ir apedrejar a casa do escritor.

Incendiou o debate político francês no final do século XIX, por conta do seu engajamento no affair Dreyfusoficial injustamente acusado de traição e condenado, na onda nacionalista anti-semita que então se reforçava na Europa. Na primeira página do jornal L'Aurore, publicou uma carta ao presidente da República, entitulada J'accuse...! (Eu acuso...!), na qual denunciou a injustiça, a corrupção do exército e do sistema judicial. "Meu dever é o de falar, não quero ser cúmplice. Minhas noites seriam atormentadas pelo espectro do inocente que paga, na mais horrível das torturas, por um crime que não cometeu."

A morte de Zola foi estranhíssima: sufocado pelo monóxido de carbono de uma lareira cuja chaminé estava entupida. Hoje, admite-se "oficialmente" que o responsável pelo entupimento foi um anti-semita que não havia engolido a quizumba do caso Dreyfus.

Metódico, o autor não entendia a literatura apenas como inspiração, "arte pela arte". Para ele, ser escritor demandava trabalho, muito trabalho, método e engajamento. Em seu escritório, com um pé-direito inacreditável, mandou pintar a divisa Nulla dies sine linea (Sequer um dia sem uma linha). Assim, se punha a produzir no mínimo 4 páginas por dia, todos os dias – tento me lembrar disso, principalmente naquelas horas em que Exu Tranca Tese baixa aqui no terreiro, HAHAHAAH! Não é possível tirar fotos do interior da casa, a "casinha de coelho", como Zola a chamava. Apaixonado pela tecnologia, colecionava aparelhos fotográficos e fez instalar energia elétrica por toda a casa; é cheia de fios e interruptores. Trabalhava em uma mesa colocada sobre uma abertura de calefação, de frente para imensas portas envidraçadas. Ao fundo, ainda se ouve o trem passar.





Casa de Émile Zola em Médan (out. 2007)

Em 2006, vi o túmulo de Zola, no Panteão, onde estão monumentos fúnebres, tumbas e afins de "grandes franceses", do Voltaire ao Mitterrand – na verdade, um conjunto de criptas pouco iluminado e labiríntico, temeridade para quem não enxerga direito, como eu! Achei por acaso: na mesma cripta, à esquerda, está o túmulo de Victor Hugo; à direita, o de Zola; em frente ao dois, o de Alexandre Dumas. Sobre o túmulo de Victor Hugo, alguém deixou uma rosa vermelho-escuro enorme, aberta. Sobre o de Emile Zola, um botão pequeno, vermelho vivo naquela penumbra (ninguém deixou nada para Alexandre Dumas...).


Avenida Émile Zola, Paris
(set. 2006)


A imprensa pisoteava: Zola, o rei dos porcos.
Na mão do escritor, um peniquinho com o "cocô internacional",
que ele espalha pelo mapa da França – fac-simile da revista
satírica Museu dos Horrores.
(Museu do Exército, Les Invalides, abr. 2007)

domingo, 1 de junho de 2008

Ana Torrent

Assisti ao The Other Boleyn Girl. Nhéééééé... Dizer que a fotografia é bonita e que Scarlett Johanson é ótima, bom, isso se sabe sem se ver o filme. A gente fica com a impressão de que um jedi vai surgir para dar um apoio à Princesa Amidala – Nathalie Portman é uma Ana Bolena Star Wars. Parece que o filme quis pegar uma caroninha nos dois Elizabeth e não conseguiu...

Exageros de roteiro à parte, o que eu gostei mesmo foi de ter visto a espanhola Ana Torrent no papel da rainha Catarina de Aragão. Lembram dela? Cria Cuervos (Palma de Ouro em 1976), de Carlos Saura. Ela é a menina Ana, que tem uns olhos triiiiiissstes que só! Já associaram este filme ao fim do franquismo (o generalíssimo morreu no fim de 75) e a tudo o que foi aquele período. Tem quem ache lento; tem quem ache triste; tem quem lembre dele por causa da música Por que te vas? na vitrolinha. O Trator acha o filme ótimo!! Se é que isso faz alguma diferença, HAHAHAHAH!

A frase do início, dita por Geraldine Chaplin, é de se acabar:
Não sei por que certas pessoas se referem à infância como a época mais feliz de suas vidas. Eu lembro os meus dias de criança como um período interminável, monótono e triste, onde o medo dominava tudo; medo do desconhecido.
Mas só assistindo, claro! Blablablá sobre filmes é sempre a mesma coisa... Aí vai um trechinho, com direito à musiquinha (Ana Torrent é a de vermelho).