Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Na proporção inversa

Quando o Zé Simão dizia que "tucanaram a linguagem", acho que ele não imaginava que isso se transformaria em linguagem padrão. A linguagem "tucanada" é aquela que substitui palavras e expressões por rebuscos e rococós lingüísticos; é como se o vocabulário existente fosse muito pobrinho, vulgar para determinadas bocas.

Adoro entrevista com publicitário, por exemplo, e "essa coisa que vai estar buscando um conceito no princípio de uma idéia que já faz parte do imaginário do brasileiro, mas que é mostrado a partir de uma perspectiva que joga com a tecnologia e a sinergia da marca" (traduzindo: mudaram a embalagem da margarina). Economista é um caso à parte, ainda mais nos últimos dias. Historiador "tenta perceber como uma chave explicativa invertida pode dar conta do movimento pendular de uma idéia, num verdadeiro jogo de espelhos" (a frase pode ser utilizada em qualquer situação, para qualquer assunto). O artista plástico quer "alcançar uma organicidade primitiva na interação de substâncias essenciais enquanto representação do efêmero e do eterno" (queimou um pedaço de papelão numa tigela de vidro com água).

Outro dia, percebi que mesmo as receitas culinárias foram atingidas pela mania. Assim, não se listam mais os ingredientes como antes: 2 ovos, 1 banana, 1 pitada de sal. Agora, você utilizará 2 unidades de ovo, 1 unidade de banana e quanto baste de sal. Ah, vão se danar parem tudo, né?

O tempo que levam elaborando essas empolações podia ser usado para ler umas coisas bacanas, sexo, um bom filme ou uma conversa interminável com amigos. Linguagem prolixa em todas as situações não é mostra de intelecto superior, pelo contrário, denota uma pobreza de idéias danada!!!

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