domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
A tal da alma do negócio
Fiquei sabendo que existe um Dia Mundial da Propaganda quando abri o jornal e comecei a ler o artigo Todo dia é dia de propaganda, cujo autor é Luiz Lara, "presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) e CEO da agência Lew'Lara/TBWA." Beleza. Ele desenvolve seu texto como quem faz a publicidade da publicidade, com todos os vícios de linguagem que servem para vender de Palitos Gina a laptops, passando por brinquedos, enrolations para emagrecer ou uma facul, da qual será destacada a "excelência em ensino" ou qualquer outra escabrosidade conceitual e de escrita. O Trator fará a tradução simultânea.Muito mais, no entanto, do que no 4 de dezembro, ocasião festiva que reúne profissionais, a publicidade no Brasil é comemorada no cotidiano dos milhões de brasileiros.Parece propaganda sobre a Transamazônica na década de 1970! E você também pode fazer a sua! Abuse dos adjetivos que dão ideia de grandeza e força, no limite da megalomania. Tem dado certo desde Getúlio Vargas. Quantidades inumeráveis de povão também são regra, principalmente se seguidas de afirmações acerca de produção, "ritmo forte", vigor, acesso fácil a bens e serviços. Para equilibrar, é sempre recomendável jogar um sonho aqui e uma honestidade ali.
Porque, sabiamente, incorporamos a ideia de que a presença vigorosa da publicidade em nossas vidas evidencia uma produção em ritmo forte. Significa oferta de emprego, ocasião para empreender e maior acesso a bens e serviços para todos. Podemos dizer que a publicidade alimenta sonhos, estabelece metas e estimula o empenho honesto na construção do futuro.
Não por acaso, nos países desenvolvidos e naqueles em franco desenvolvimento, a expressão comercial pública e promocional é parte indispensável de um mercado moral e eticamente saudável. Afinal, não há nada de verdadeiro que se possa dizer da publicidade que ela, por si só, já não tenha dito de si mesma. Às claras.Mostre que você também é superfamília, Manoel Carlos, praticamente um amish. Frise a ética, a transparência e o panetone, se preciso for. Pitadas de se é bom pra eles, é bom pra nóis também funcionam, pois sempre vai haver um boca-aberta deslumbrado que acredita realmente que nos "países desenvolvidos" a publicidade é uma eterna festa Ferrero-Rocher, como muito luxo e sofisticação, como diz um amigo meu publicitário.
Para ser eficaz, precisa obedecer a padrões ditados pelos consumidores, ao contrário do que afirmam aqueles que defendem o cerceamento da liberdade de expressão comercial.Aja como se fosse um perseguido político que luta contra opressão e a injustiça, e não como alguém que ganha dinheiro com vendas. Agir como um artista incompreendido também cola – minha arte é muito superior à sua compreensão.
Há 29 anos, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) é fórum legítimo a que o mercado recorre, por meio de consumidores ou marcas concorrentes, para reclamar, reparar e ajustar os procedimentos da publicidade. Seus resultados ao longo de quase três décadas são expressão de maturidade e civilidade da sociedade brasileira.Conselho de autorregulamentação é como a história dos médicos julgados apenas por médicos, em caso de erro ou abuso. Militares julgados por militares e assim sucessivamente. Aos consumidores, resta o Procon, e olhem lá! Mas eficaz mesmo é o boicote.
É, portanto, num magnífico ambiente de comunhão de interesses, objetivos e sonhos entre a massa consumidora e a vocação produtiva de nossos empreendedores que viceja a publicidade brasileira, uma das mais respeitadas e admiradas do mundo.Foi bonito isso, admitam! Magnífico ambiente de comunhão é pra tocar fundo no seu imaginário, tá? Quando foi a última vez que você viu um ambiente assim, hein? hein? Vocação produtiva também é do tempo em que se dizia "este é um país que vai pra frente"; já verbos como vicejar remontam a Ruy Barbosa e ao Barão do Rio Branco. É sempre bom mostrar que suas referências têm tradição também, que você não é apenas um genial criador de tendências.
Emotiva, criativa e absolutamente identificada com os valores e os sentimentos de nossa gente, mais do que simples manifestação comercial, é expressão legítima da nossa cultura. Não surpreende que no Brasil se goste tanto de propaganda. Aprovada e apreciada pelos consumidores, a publicidade contribui, ainda, para que a indústria da comunicação brasileira movimente números do maior significado socioeconômico.Utilizando essas palavras sublinhadas, é possível vender carro, fazer propaganda do pré-sal, reeleger José Sarney ou José Genoíno pro Senado e empurrar orelha adentro campanhas de shopping centers e telefonia celular. Serve para tudo! Coleciono esses eufemismos do tipo "número do maior significado socioeconômico". São de uma cratividade, né? José Simão dizia que "tucanaram a linguagem"; dá pra dizer que é um jeitinho todo emebiêi de ser e de viver.
Temos segurança jurídica, estabilidade econômica, mercado interno forte e pleno exercício da democracia e dos direitos individuais. Alcançamos esse estágio com alternância de poder, imprensa livre, eleições regulares, Congresso e Judiciário funcionando.Sempre pegue uma carona no que acha que dá bons resultados. É como se apertar para aparecer em fotografia com gente conhecida, influente etc. Acredite que só o fato de se justapor a alguém ou algo conhecido, com valor, vai transferir para você todas as qualidades alheias.
A propaganda teve papel singular nessa etapa da história brasileira ao impulsionar com o talento de seus profissionais a roda da economia e alimentar com a convicção de seus ideais o discurso da liberdade.
Olhando para a frente, vemos que os aspectos mais favoráveis para a construção do nosso melhor futuro não combinam, definitivamente, com as ameaças que rondam a propaganda e o ambiente estimulante para os negócios que o Brasil estabeleceu para si e que tanto interesse tem despertado no mundo.Mesmo caso de parágrafos acima: aja como se fosse um perseguido político, um pacifista na Faixa de Gaza, um militante pelos direitos humanos em Abu Ghraib caso alguém ouse discordar de seus métodos.
A Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) gostaria que este 4 de dezembro inspirasse uma profunda reflexão sobre o encadeamento entre publicidade, consumo, produção, geração de empregos, a real habilitação do Brasil como competidor global, liberdade de expressão, independência econômica dos meios de comunicação e a segurança da democracia. E assumíssemos todos a nossa responsabilidade com a consolidação do país que queremos desfrutar o quanto antes e que pretendemos legar para as próximas gerações.A primeira frase é bem daquelas típicas de fim de ano ou qualquer outra data comemorativa, né? Neste Dia das Mães, os Liquidificadores Almeida desejam que todas as mulheres possam um dia padecer no paraíso, sin perder la ternura jamás! Bah! Um toque de mundo globalizado e proativo e chavões sobre cidadania também ajudam.
Eeeeeeeeeeee! Que beleza!
~*~
O excelente Criança, a alma do negócio, de Estela Renner.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Tirando os esqueletos do armário
Ossos humanos no interior de uma estátua é algo lúgubre? Magina, padre Benedito. Algo pra lá de luminoso, leve e de extremo bom gosto, não acham? Para mim, um item que poderia constar na próxima Casa Cor.
Afinal, esta adoração que alguns católicos nutrem por carcaças, retalhos, lascas de madeira e afins tá é precisando de uma nova estratégia de marketing. O Papa Ratzinger não é um bom garoto propaganda, certo? Conversava com a Vizinha da Ilha de Cima sobre uma boneca americana lançada há alguns anos, do tipo Barbie, com uma diferença: era para crianças evangélicas. Resumindo, a Barbie Crente. Então, ficamos imaginando que tipo de adereços acompanhariam a dita cuja: se ela for da linha "que guarda a lei", certamente bíblia de zíper, saia até o tornozelo e cabelão caindo até a cintura serão elementos essenciais; se for uma coisa mais Bispa Sônia Hernandez, uma baby look "Jesus te ama" e uma anel de pureza no dedo ornariam que é uma maravilha.
Modos que poderiam tentar algo parecido para católicos, não? Bonecos do tipo Falcon providos de relíquias como santos artelhos ou cartilagens nasais benzidas pelo Papa. Já imaginaram uma linha de roupinhas eclesiásticas para o Ken? Que gracinha! Com direito à mitra e faixa fúcsia na cintura para ocasiões especiais. Oooohhhhhh! Brincar de casinha terá outro sabor com mini óstias! By the way, ainda se brinca de casinha?
Bom, ideia é o que não falta para agregar valor ao santo produto, oras!

Afinal, esta adoração que alguns católicos nutrem por carcaças, retalhos, lascas de madeira e afins tá é precisando de uma nova estratégia de marketing. O Papa Ratzinger não é um bom garoto propaganda, certo? Conversava com a Vizinha da Ilha de Cima sobre uma boneca americana lançada há alguns anos, do tipo Barbie, com uma diferença: era para crianças evangélicas. Resumindo, a Barbie Crente. Então, ficamos imaginando que tipo de adereços acompanhariam a dita cuja: se ela for da linha "que guarda a lei", certamente bíblia de zíper, saia até o tornozelo e cabelão caindo até a cintura serão elementos essenciais; se for uma coisa mais Bispa Sônia Hernandez, uma baby look "Jesus te ama" e uma anel de pureza no dedo ornariam que é uma maravilha.
Modos que poderiam tentar algo parecido para católicos, não? Bonecos do tipo Falcon providos de relíquias como santos artelhos ou cartilagens nasais benzidas pelo Papa. Já imaginaram uma linha de roupinhas eclesiásticas para o Ken? Que gracinha! Com direito à mitra e faixa fúcsia na cintura para ocasiões especiais. Oooohhhhhh! Brincar de casinha terá outro sabor com mini óstias! By the way, ainda se brinca de casinha?
Bom, ideia é o que não falta para agregar valor ao santo produto, oras!

"Fragmentos de cruz vi muitos outros, noutras igrejas. Se todos fossem autênticos, Nosso Senhor não teria sido supliciado sobre duas hastes cruzadas, mas sobre uma floresta inteira." (Umberto Eco – O nome da rosa, 1980)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Depois do panetone no DF, a árvore em Florianópolis
Fim de ano é aquele festival de cidades querendo parecer NY repleta de luzes ("cores e sabores", completaria Sandra Anemberg, no Jornal Hoje). Nada contra as luzes, a decoração e afins, desde que não haja aquelas detestáveis músicas executadas na harpa – drein-drein-drein-drein – e que o essencial já tenho sido garantido à população. Mas em tempos de panetones superfaturados e enlameados, quem é que vai garantir escolas, postos de saúde e transporte de qualidade, certo?
O História de Doido enviou email, dia desses, sobre a instalação de uma árvore de Natal em Florianópolis pela prefeitura. Até aí, é o padrão de todos os anos. O assustador desta história é que o custo da tal árvore é de R$ 3.700.000,00. Por extenso: três milhões e setencentos mil reais.
A notícia "oficial" que mandaram a "imprensa" local divulgar foi: tudo é pago pela iniciativa privada. Assim sendo, o Diário Catarinense, do Grupo RBS (Globo SC), anunciou, todo feliz e contente, como cabe a quem faz o papel de propagandista oficial do governo do estado e da prefeitura da capital:

Bom, felizmente, as Leis da Evolução continuam em vigor, provando que nem todo mundo engole argumentos estúpidos, que nem todo mundo é feito da mesma matéria infecta que a maior parte dos 3 poderes nacionais e nem do deslumbre way of life – aquele jeitinho todo Daslu de ser e de viver. Uma espiada no Diário Oficial confirma o que se imaginava, a obra foi encomenda da prefeitura.
Sem licitação, para que a prática não se perca, não é mesmo?
Explicando a tal da inexigibilidade:
Sobre a fato, não se comenta muito, a não ser em jornais menores, alguns portais e blogs. O assunto da vez por aqui é o absurdo do governo do Distrito Federal, nada dos absurdos locais.
(do blog Tijoladas)
O Ministério Público de Santa Catarina informa que está investigando o caso, mas não há nenhuma notícia a respeito até agora. A instalação da dita árvore continua sendo feita, pois vai que esqueçam do caso, né? É fim de ano, Natal, Rei Roberto, panetones, queima de fogos...
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